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A FICÇÃO COMO METÁSTASE

 

“A Montanha”, o novo romance de José Luís Peixoto, surpreendente tanto na estrutura como nas soluções narrativas, é um objeto híbrido que parte de factos verdadeiros para pensar literariamente o cancro

José Mário Silva
07 janeiro 2026

  

 

Nos seus dois romances anteriores, “Autobiografia” (2019) e “Almoço de Domingo” (2021), José Luís Peixoto explorou com audácia a tensão entre factos reais e trabalho ficcional ao abordar literariamente momentos da vida de dois homens notáveis: José Saramago e Rui Nabeiro, ou o “escritor de óculos” e o “empresário de bigode”, como são referidos afetuosamente pelo narrador de “A Montanha”. Neste novo livro, Peixoto leva ainda mais longe essa exploração, conduzindo-nos através de um processo narrativo fragmentário, sempre em movimento, que se expande em direções inesperadas e não tem, sobretudo na parte final, receio de correr riscos, culminando num desenlace muitíssimo desconcertante.

 ★★★★

  

“A Montanha” nasceu de um convite do IPO (Instituto Português de Oncologia) do Porto: falar de cancro usando os instrumentos da literatura. Ou, nas palavras de Peixoto: “Escrever um livro, um romance, que contenha as histórias de doentes do hospital, partindo do que me foi contado pelos próprios.” Com o acompanhamento de um cirurgião torácico e de uma psicóloga, o escritor conheceu João, Alice, Filipe, Jorge, Daniel e Fátima, seis pessoas que com ele partilharam as suas vidas e enquadramento familiar, bem como os relatos dos seus sofrimentos e angústias. As conversas gravadas seriam o ponto de partida, mas o autor rapidamente percebeu que o livro teria de ser outra coisa para além do entrecruzar daquelas vozes.

Desde logo, emergiu a figura do pai, também ele vítima de cancro (essa palavra maldita que nunca foi pronunciada entre os dois, surgindo agora, talvez por isso, sempre grafada a negrito, como um grito na página), o pai que Peixoto se lembra de visitar no hospital e que guardava as embalagens plásticas, com doce de alperce ou de morango, para dar ao filho. A dor pela perda do pai, no final da adolescência, fundou-o como escritor. Está inteira no livro inicial, “Morreste-me” (2000), e implícita em todos os seus outros livros. Volta agora com uma força gravítica tremenda. “O meu pai está dentro do livro e está dentro de mim”, diz no início. “Pai, agora transformei-me completamente em ti”, resumirá nas páginas finais.

Além desta sétima personagem, que ocupa um círculo à parte, entre a memória e o mito pessoal, há uma oitava: o próprio Peixoto, por vezes desdobrado na figura do Escritor, um eu visto de fora, à distância da terceira pessoa. Trata-se, no fundo, de uma questão de reciprocidade. Se o autor expõe existências alheias, também se expõe a si mesmo. Até porque “só através da nossa vida somos capazes de conceber a vida dos outros”. Assim, enquanto avança no “futuro livro”, com “esperança e medo”, conta-nos das suas andanças pelo mundo, de cidade em cidade, no circuito dos festivais literários, a falar das suas obras em geografias distantes. Acompanhamo-lo em não-lugares, como os aeroportos e os quartos de hotel; estamos com ele em Maputo, diante do Índico (enquanto fixa a “linha imprecisa” que separa o oceano do céu, “a vida de um lado, a morte do outro”); ficamos ao seu lado num comboio entre a Roménia e a Hungria, nas ruas do México, numa universidade indiana. Nessas deambulações leva consigo uma pasta com as páginas já escritas do livro e revê — às vezes acrescentando apenas um adjetivo, à mão, no texto impresso — as suas versões dos episódios contados por João, Alice, Filipe, Jorge, Daniel e Fátima, as narrativas de ablações, amputações, recidivas e vigilâncias, com referências médicas precisas (ostomia, gastrectomia, corte transumeral) e tudo o resto que as palavras têm dificuldade em fixar. Na bagagem das viagens segue igualmente uma tese académica, ocasionalmente citada, com um título programático: “Fragmentação na Literatura Europeia Contemporânea”, de um estudioso sueco chamado Björn Alepson.

Desde o início, o livro mostra estar consciente da sua materialidade, da ligação entre o que está “dentro” de si e o que está “fora”. O romance é um espaço que se afirma enquanto tal. “Os corredores do livro são iluminados por lâmpadas fluorescentes, por um zumbido subtil, luz demasiado crua. Os corredores do livro têm resguardos de madeira nas paredes, protegem-nas dos choques com esquinas de macas que passam pelo livro. Há o branco dos lençóis a cobrirem-te, como há o branco do papel na margem da página, os lençóis são mais brancos do que o papel.” Mas é a tese de Alepson a introduzir o pensamento sistemático sobre o fragmento enquanto elemento estrutural do livro que o autor-andarilho, na sua dispersão, vai apesar de tudo construindo: “A fragmentação pode ser interpretada como um corte, uma subtração, um elemento removido [...] No momento em que um braço é amputado, por exemplo, a unidade original do corpo é quebrada, mas uma nova unidade ocupa o seu lugar.”

O golpe de asa de “A Montanha” está na forma como a estrutura não linear do romance vai, aos poucos, imitando a doença que está no centro de quase todas as suas histórias. Tal como o “caos celular” possibilita o cancro, também a crescente desorganização dos materiais biográficos abre espaço para a pura ficção. E a ficção, como as metástases, propaga-se e infiltra-se por todo o lado. O primeiro momento em que esta proliferação se manifesta de forma evidente é num capítulo em que Peixoto imagina uma camareira brasileira a limpar o seu quarto em Budapeste, uma mulher chamada Alice, que pega num dos cadernos do hóspede e começa a ler sobre uma outra Alice, a paciente de cancro a quem arrancaram preventivamente o estômago ainda saudável, e de repente dá-se como que um curto- circuito, o encontro entre os dois lados do espelho.

Nada nos prepara, porém, para o que acontece na segunda parte do livro, quando o autor da já referida tese sobre a fragmentação literária, Björn Alepson, convida o Escritor a proferir uma palestra na sua universidade, em Växjö, na Suécia. Com uma guinada brusca, entramos decididamente no território da ficção, à medida que o romance mergulha num ambiente claustrofóbico, talvez apenas a emanação física de um “transtorno delirante”. Fechado numa espécie de limbo, circunscrito a um quarto com atmosfera hospitalar, tendo uma montanha como único horizonte, o Escritor aceita o bizarro huis clos e põe-se a escrever “dentro de uma espiral”, obedecendo ao desejo de quem só quer que ele termine o seu livro. Confrontado com os impasses que o foram tolhendo, volta a convocar, um a um, os seis doentes, dando sentido e conclusão às suas histórias. Depois, é o próprio livro que encontra o caminho para o seu fim, numa espécie de apoteose que regressa ao cerne de tudo, ao ponto original, não só deste romance, mas da escrita de José Luís Peixoto, o momento em que filho e pai estão diante um do outro, olhando-se “para sempre”.

 

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Não há, para mim, uma fronteira entre o escrito e o vivido


Luís Ricardo Duarte
7/ 11/2025

 

Criado a partir de seis histórias reais, A Montanha é um romance que tenta humanizar o cancro, ao mesmo tempo que aprofunda temas presentes na obra do escritor desde a sua estreia com Morreste-me. ****

 

 
A palavra: cancro. No seu novo romance, A Montanha, José Luís Peixoto faz questão de a escrever, de a repetir e, até, de a destacar. Assim: cancro. “É uma palavra muito forte”, reconhece o escritor. “Só com este livro me apercebi de que nunca a tinha usado antes. E se agora o faço, e a negrito, é para me obrigar (e obrigar a quem lê) a um confronto com a palavra, a vê-la assim que se olha para a página”. Sem rodeios, nem eufemismos.
 
Escrever ou dizer “cancro”, com ou sem negrito, sibilina ou sonoramente, é uma forma de quebrar tabus que permanecem na sociedade portuguesa. Na semente deste romance, que acaba de chegar às livrarias com a chancela da Quetzal, esteve precisamente essa vontade. “Felizmente, fala-se cada vez mais de cancro e promovem-se várias campanhas de sensibilização, mas há muitos aspectos da doença que continuam na sombra”. Quem o diz agora é Gonçalo Paupério, 43 anos, médico especialista em cirurgia cardiotorácica. Desde a sua primeira operação, ainda em Coimbra, em 2009, e mais intensamente no IPO do Porto, onde trabalha há mais de uma década, já lhe passaram inúmeros pacientes pelas mãos. Em todos encontrou uma história que merece ser contada.
 
E porque não contá-las? Foi o que Gonçalo Paupério pensou, por volta de 2019. Frequentava um mestrado em oncologia e numa cadeira de psicologia ouviu um episódio que nunca mais esqueceu. “Era o testemunho de um homem atormentado por uma dor crónica que, desesperado, decide atirar-se de uma ponte, não conseguia aguentar mais. Mas nesse preciso momento recebe um telefonema do filho a perguntar se podia ir brincar com os netos à tarde. Nesse momento, consegue, pela primeira vez, partilhar a dor com a família, ir a um hospital, receber o diagnóstico oncológico e, devidamente tratado, prosseguir a vida”, conta-nos, como o fez na primeira sessão de lançamento de A Montanha, no auditório do IPO do Porto, no passado mês de Outubro.
 
Porque não encontrar mais histórias como esta? Com a ajuda de Eunice Silva, psicóloga há muitos anos ligada à mesma instituição, Gonçalo Paupério imaginou um livro que reunisse 12 testemunhos, relatados por 12 escritores, com o objectivo de “mostrar que há pessoas a passar pela mesma situação” e, acima de tudo, “que não há duas vivências do cancro iguais, cada uma tem a sua especificidade e forma de lidar com a doença”.
 
José Luís Peixoto foi um dos primeiros escritores contactados e aceitou logo, embora a chegada da pandemia, em 2020, tenha impedido a concretização do projecto. “Era uma oportunidade para quebrar tabus sobre este assunto, de dar-lhe alguma naturalidade. Parece-me muito injusto para com os doentes que exista um mal-estar acerca de algo que os toca, que os fragiliza, um tema do qual não podem e não devem fugir”, sublinha.
 
O escritor, no entanto, agarrou-se à ideia. “Mantive sempre o contacto, uma vez que percebi que a escrita de um romance que incluísse a história de pacientes do IPO do Porto seria interessante para mim”, revela. “Ao terminar Almoço de Domingo, em 2021, reatei esses contactos e dei todos os passos necessários para avançar com o projecto, incluindo várias reuniões e o parecer positivo da Comissão de Ética do hospital”.
 
Nos corredores do IPO do Porto confrontou-se novamente com temas que percorrem a sua obra, como a doença e a finitude, assim como a possibilidade de aprofundar “as múltiplas perplexidades que envolvem a escrita biográfica, autobiográfica e ficcional”. Vinte cinco anos depois de Morreste-me, também viu a hipótese de regressar literariamente à morte do pai.
 
 
Vontade e convicção
 
A palavra: metástase. Daniel Rodrigues, 43 anos, nunca se imaginou como personagem de um romance, mas também nunca pensou que viria a ser visita regular do IPO do Porto. Foi um dos seis doentes que aceitaram falar com José Luís Peixoto, num projecto que, da ideia inicial, se transformou radicalmente. Passou a estar tudo entregue ao escritor, às suas ideias e imaginações. Porém, a metodologia manteve-se: conversas mediadas pela psicóloga e partilhas até aonde se quisesse.
 
“Foi bom poder falar da minha experiência e da maneira como tenho lidado com a doença”, garante Daniel Rodrigues. “Tem sido um processo difícil, pois começamos por levar uma grande chapada e, contudo, temos de continuar”. Filho de portugueses emigrados na Venezuela, vive em Portugal desde os 11, numa mudança importantíssima na sua vida. “Descobri que podia brincar na rua, andar de bicicleta, estar com os meus amigos”, recorda. Daí ao desporto e ao andebol foi um pequeno passo. Só que, um dia, já nos balneários depois do treino, descobriu um nódulo. “De um momento para o outro, tudo deixou de estar bem”, afirma.
 
Foi Gonçalo Paupério que o recebeu no IPO do Porto. “Nunca fumei, mas o cancro da pele que tenho está constantemente a criar metástases no pulmão”, revela Daniel Rodrigues. “Este é, infelizmente, o cancro mais comum”, explica o médico. Passados 10 anos e outras tantas operações, a caminhada de Daniel Rodrigues, que tanto impressionou José Luís Peixoto, prossegue.
 
Além de Daniel, o escritor conheceu Alice, Filipe, João, Jorge e Fátima. Bem recebido por todos, recebeu verdadeiras dádivas, a partilha do que, para cada um, era o mais relevante num momento tão crítico das suas vidas. “Sempre foi claro para mim o quanto as histórias destas pessoas eram importantes para elas. O que mais me custou foi a responsabilidade que assumi”, afirma o escritor. “Queria muito que o texto as honrasse. Essa responsabilidade foi, em si, muito marcante, uma vez que acrescentou um nível bastante intenso à vivência da escrita, levantando exponencialmente a ambição do texto. A minha esperança é de que essa intensidade também chegue à leitura.”
 
Mais simples foi apresentar a sua vontade, pois cedo percebeu que queria escrever um romance. “Quando comecei a falar com os pacientes do IPO já tinha a decisão tomada”, adianta. Alguns dos pacientes, aliás, chegaram a pesquisar a biografia do escritor, outros já conheciam o seu percurso ficcional. “Não tive dificuldade em explicar que ia escrever a partir do que me era contado e que o que escrevesse não seria isento de subjectividade. Suponho que soubessem bem que seria impossível reproduzir literalmente o que passaram, ninguém o poderia fazer, talvez nem eles próprios”.
 
Não é a primeira vez que o escritor transforma em ficção um convite com estas características, sendo o exemplo mais próximo o romance anterior, Almoço de Domingo, desenvolvido a partir da vida de Manuel Rui Nabeiro, fundador do grupo Nabeiro-Delta Cafés. “Creio que isso acontece, principalmente, porque é o que sinto que consigo fazer e, só depois, embora com igual importância, porque é o que quero fazer. Tal como a entendo, a literatura só faz sentido se partir da vontade e da convicção.”
 
 
Amor doce, doce amor
 
A palavra: pai. Ela está presente em toda a obra de José Luís Peixoto, desde o seu primeiro livro, Morresteme. Com este romance, regressa com mais força e intimidade. O seu pai, José João Serrano Peixoto, carpinteiro com oficina própria, um dos seus orgulhos, morreu aos 57 anos. Durante o internamento no IPO de Lisboa, recebeu várias visitas do filho. Algumas dessas memórias, já presentes na obra de estreia, voltaram agora.
 
“Quando o meu pai ficava internado no hospital, guardava as caixinhas de doce para me dar. Nesse tempo, essas caixinhas de plástico não eram comuns, estávamos a vê-las pela primeira vez”, descreve o narrador de A Montanha. “Quando lhe serviam essas caixinhas para o pequeno-almoço, para o lanche, o meu pai não as comia, guardava-as. Depois, à hora da visita, doente e fraco, pedia-me para abrir a gaveta de ferro da mesinha de cabeceira. Dizia: leva, são para ti.”
 
De novo num IPO, agora no Porto, a ligação a Morreste-me, lançado há precisamente 25 anos, impôs-se como uma inevitabilidade. “Ao recordar o lançamento de Morreste-me lembro principalmente da pessoa que era nesse tempo. Hoje, muitas vezes, essa lembrança continua a ser um paradigma que me orienta”, afirma. “Na minha vida, não quero chegar nunca a sentir que me perdi completamente da pessoa que escreveu esse livro, que continua a ter uma vida extraordinária junto dos leitores.”
 
A dificuldade, contudo, mantevese. Há uma dimensão do cancro, como em qualquer outra doença, que ultrapassa o poder da escrita. “As principais memórias que guardo do meu pai, nas visitas ao hospital, e em outros momentos, são indescritíveis, por mais que escreva não acredito que algumas eu consiga exprimi-las de forma absoluta. Lembro-me do seu rosto, do seu olhar, da sua voz”, sublinha. “Naturalmente que, para mim, hoje, trazer o meu pai ao texto é algo que tem muitas diferenças em relação ao que era fazê-lo pouco depois da sua morte. Mas continua a ser uma tentativa de lhe dar mais alguma vida. É, acima de tudo, amá-lo.”
 
É também ao amor que Daniel Rodrigues se agarra. E à família. Conheceu Sílvia, de 37 anos, há quase duas décadas e desde então têm partilhado tudo. Alegrias, desafios e aqueles momentos em que tudo se conjuga. Casaram-se há 15 anos e viram nascer o primeiro filho na mesma altura em que se iniciaram as visitas ao hospital. “É verdade que o cancro me tirou muitos sonhos, mas temos de o integrar na vida e na rotina, assumi-lo em todos os momentos, até perante as crianças”, diz Daniel Rodrigues. O filho de ambos, agora com 10 anos, já pergunta se pode visitar o pai quando está internado, tal como José Luís Peixoto visitou o seu, e há períodos, quando a doença não se manifesta, em que por momentos a vida parece normal.
 
Mas a impossibilidade dos sonhos, alguns tão simples e comuns, volta sempre. “Se ainda não se fala o suficiente do cancro, menos se fala das suas consequências em todos os aspectos da vida”, salienta Gonçalo Paupério. “Temos de defender o direito ao esquecimento, porque há pessoas tratadas, apenas em vigilância, com uma probabilidade de recidiva muito baixa, que por exemplo não conseguem obter um empréstimo.”
 
É justamente o caso de Daniel Rodrigues. Não tem casa própria, nem emprego, depois de anos a trabalhar na área da manutenção de frigoríficos e de outros sistemas industriais de frio. Reformado por invalidez, vive com o apoio inexcedível dos pais, sogros e cunhados. Aprendeu a ir à procura de “outros sonhos”. Como o de ter um dia bom, ver o filho crescer, passear, conduzir em silêncio, ler a sua história num livro. Como escreve José Luís Peixoto em A Montanha: “Os doentes com cancro ainda são quem eram antes de terem cancro.”
 
 
Relatos fragmentados
 
A palavra: diagnóstico. E a especificidade de cada um: gastrectomia, carcinoma, neoplasia, corte transumeral, amputação. “É realmente quando entramos aqui pela primeira vez que tudo muda, tudo se quebra. É muito difícil receber o diagnóstico e dizer pela primeira vez a palavra cancro”, garante Daniel Rodrigues. “Cancro não é um sinónimo de morte, mas esse equívoco é demasiado comum. E é sempre um confronto com a efectiva finitude”, acrescenta José Luís Peixoto. “Sabemos que vamos morrer, mas não acreditamos verdadeiramente nisso. O diagnóstico não permite a maioria das ilusões que alimentamos, transforma toda a realidade.”
 
Para um médico é também o momento mais delicado. Gonçalo Paupério reconhece que não há formação específica para esse momento, apenas a experiência e o bom senso. “Temos de apresentar o diagnóstico mas também o modo como se pode combater o cancro, numa decisão que é do paciente. A função do médico é esclarecer e apresentar os riscos e os benefícios de cada tratamento.”
 
É também pelo diagnóstico que A Montanha começa, desdobrando-se depois em algumas fases da doença. O desafio, para José Luís Peixoto, começou na sua linguagem técnica: “Por vezes, a linguagem do cancro dá novos significados a algumas palavras que usamos noutros contextos, como estágio, progressão ou massa. Mas, em certos termos, também se afasta da fala mais quotidiana da maioria das pessoas. Foi interessante trabalhar esse material de um ponto de vista plástico.”
 
Mais importante foi a opção de moldar o romance nas ambiguidades do relato autobiográfico do narrador e, sobretudo, na ideia de fragmento. Ao correr das páginas, salta-se da experiência de Daniel para a de Alice, da de Jorge para a do João, da do Filipe para a da Fátima, com muitas interrupções pelo meio, incluindo as que se reportam a um “Escritor” que tem um livro, este romance, para escrever.
 
A opção foi natural, quer pela diversidade de pessoas, transformadas em personagens, com quem falou, quer pela apetência para esse registo. “A um nível difícil de explicar, creio que tenho uma certa vocação para a narrativa fragmentária. Quase todos os livros que escrevi até hoje assentam nessa estrutura”, afirma. “Além disso, a fragmentação seduzme porque a encontro em toda a parte, em especial no mundo tecnológico em que vivemos”.
 
Cada fragmento, no entanto, sugere sempre uma “unidade”. Aqui é tecida no cruzamento das várias histórias de vida e nas inquietações do narrador. E se encontramos este narrador no IPO do Porto, a descrever as conversas com os pacientes, também o fixamos em contínua viagem, em geografias que se confundem com as do próprio José Luís Peixoto. “Foi muito apelativo trazer algumas imagens desse mundo, escrever sobre festivais literários, apresentações e outras sessões de um modo que nunca tinha feito e, também, que nunca tinha lido”, adianta. “Trata-se de algo que tem muita prresença na minha vida e que, por enquanto, continuo a apreciar. Sinto que me tenho desenvolvido muito a partir dessas experiências.” As viagens também contribuem para a construção, aos olhos do leitor, de uma “quase inequívoca dimensão autobiográfica” que depois, ao longo do romance, “é minada e praticamente destruída”.
 
Foram estes elementos, assim com as passagens mais surrealistas, iniciadas quando entra em cena um tal de Björn Alepson e a sua montanha (eco da de Thomas Mann e de outras doenças), que mais cativaram Gonçalo Paupério. “Apesar de ter partilhado algumas ideias comigo, ler o resultado final foi surpreendente. Consegue ser hiper-realista e onírico, directo e belo, recriando memórias e histórias pessoais. Senti que estava a viver pela segunda vez, de uma forma radicalmente diferente e original, as experiências que conheci enquanto médico”.
 
 
Escrito e vivido
 
A palavra: vida. Aquela que Daniel Rodrigues conquista todos os dias. Há momentos em que pensa: “O que farei quando já não tiver mais pulmão para tirar?” Noutros em que concorda: “Estamos aqui, continuamos aqui, há tanta esperança no mundo.” Para quem atravessa o cancro, a missão principal é encontrar um sentido para tudo o que se vive e acontece. “A procura de sentido é fundamental. Todos queremos que a nossa vida tenha valido a pena, que tenha tocado os outros”, afiança José Luís Peixoto. “Creio que procurar um sentido é sinónimo de reflectir sobre a vida, contemplar as escolhas que se fez. É olhar com tempo para aquilo que, na vertigem do quotidiano e das solicitações, não recebeu a devida atenção. É em nós próprios que encontramos a nossa identidade e, com ela, o nosso sentido.”
 
“Esperança” é a palavra central, assegura Gonçalo Paupério. “Não podemos ser exageradamente optimistas ou pessimistas. Mas os números são animadores. Há cada vez mais pessoas curadas ou que vivem muitos anos com a doença. E, outras, que conseguem reconfigurar completamente a vida, perseguindo o que mais desejam. Aproveitam cada dia porque a vêem a morte mais perto.”
 
Ao ler A Montanha estamos dentro e fora do cancro, no que acontece na vida e na cabeça do escritor, no que é real e no que é imaginado, num jogo ficcional sem limites. “Não há, para mim, uma fronteira entre o escrito e o vivido. Nesses dois planos existe a mesma vida, ambos convocam quem somos. Os elementos que constituem a matéria dos livros existem em todos os momentos, também fora dos livros, são o nosso entendimento”, sublinha José Luís Peixoto. E se o mistério da vida, e do cancro, escapa-nos sempre, o escritor acredita que vale a pena persegui-lo. “Fazê-lo é viver plenamente. E o meu principal objectivo é esse: misturar escrita e vida.”
 
 

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As críticas ao romance Autobiografia, de José Luís Peixoto,  estão disponíveis aqui.

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SOB O SIGNO DE SARAMAGO

Por José Mário Silva

 

O sétimo romance de José Luís Peixoto, lançado simultaneamente em Portugal e no Brasil, é um sofisticado jogo de espelhos em torno do Nobel da Literatura de 1998

 

José escreve mais um fragmento da vida de Saramago: o instante em que este termina de escrever, no início de julho de 1997, o romance “Todos os Nomes”. No centro desse livro está um funcionário do Registo Civil chamado José. E esse José é só o início de uma cascata de Josés, porque ele está a ser escrito por outro José (Saramago), por sua vez escrito por outro José (o protagonista de “Autobiografia”), escrito ainda por outro José (Luís Peixoto), o autor do romance em que esta espécie de boneca russa literária se vai modulando, por entre jogos de espelhos, intertextualidades e um ímpeto metaficcional que atinge o apogeu no capítulo 20, quando finalmente se revela e explica o segredo que aproxima um velho escritor de 75 anos, já consagrado mas à beira da glória maior do Nobel, e um jovem literato, ainda a dar os primeiros passos, mas já angustiado pela perspetiva de não conseguir escrever o seu segundo romance.

 

A encomenda de uma biografia de Saramago, por parte do seu editor, só traz mais caos à vida já muito caótica de José. Ele só consegue aproximar-se ficcionalmente desse autor que o intimida e paralisa, recriando episódios do seu percurso como se fossem cenas de um romance, enquanto os seus problemas pessoais se acumulam, do vício do jogo ao problema do alcoolismo, passando pela relação amorosa com Lídia, uma caboverdiana que vive num prédio degradado da Quinta do Mocho. A literatura invade tudo e não só as figuras com que se cruza ecoam nomes saídos de livros de Saramago — Lídia, de “O Ano da Morte de Ricardo Reis”; Bartolomeu de Gusmão, de “Memorial do Convento”; Fritz, de “A Viagem do Elefante”; Raimundo Silva, de “História do Cerco de Lisboa” —, como há toda uma subtil rede de referências que estabelecem uma relação visceral entre o mundo em que José se movimenta e o universo literário do escritor que deve biografar. Um dos encontros entre José e Saramago, por exemplo, acontece no quarto do Hotel Bragança em que Ricardo Reis fica hospedado. E Fritz perde a visão de repente, ao viajar para Goa, como se fosse mais uma vítima da epidemia descrita em “Ensaio sobre a Cegueira”.

 

O principal risco de “Autobiografia” era esgotar-se no plano da mera homenagem engenhosa, mas Peixoto evitou essa armadilha, ao construir uma narrativa que se expande em várias direções, acumulando camadas de complexidade. Por um lado, cada personagem secundária surge com uma identidade forte e bem desenvolvida, como é o caso de Bartolomeu, “retornado” amargo que nunca perdoou as alegadas traições da descolonização. Por outro, traça-se, em pano de fundo, um retrato sociológico de Portugal nas vésperas da Expo-98, esse momento de ilusão quanto ao progresso efetivo do país depois da adesão à Europa.

 

Na véspera de partir para o Brasil, onde o livro está a ser lançado em simultâneo com a edição portuguesa, José Luís Peixoto falou ao Expresso deste seu sétimo romance, em que muitos detetarão eventualmente uma rutura estilística que o próprio se apressa a negar. “É um livro que não surge do nada. Várias das reflexões sobre a natureza da criação literária já estavam em livros anteriores. Acho que há muita continuidade com o que fiz antes.” Quanto ao título, propositadamente ambíguo, lembra que a questão autobiográfica está presente desde o primeiro livro, “Morreste-me”, sobre a figura do pai e o impacto brutal do seu desaparecimento num rapazinho de Galveias, aldeia próxima de Ponte de Sor que aparece recorrentemente na sua obra, como uma espécie de epítome de uma ruralidade desaparecida.

 

Numa das várias notas de rodapé com que José vai comentando a sua ficção de pendor biográfico sobre Saramago, pode ler-se que a literatura consiste em “contar-me a mim próprio através do outro e contar o outro através de mim próprio”. Peixoto admite que é essencialmente nisso que acredita, antes de acrescentar: “Na ficção procuro sempre uma troca, talvez impossível, entre eu e os outros. É nessa impossibilidade, mas também nesse desejo, que a literatura acontece.” E se a dimensão autobiográfica nunca está ausente, convém “calibrá-la” para que se torne eficaz: “Nem de mais nem de menos. Os elementos que vou buscar à minha própria experiência, e há vários neste livro (por exemplo, eu morei, como o José, num rés do chão nos Olivais), servem para garantir uma certa coerência, porque o real é sempre coerente. Esses elementos são como as rodinhas a mais na bicicleta, uma forma de evitar a queda em incongruências que podem quebrar o pacto estabelecido com o leitor.”

 

Há uma razão forte para que José Luís Peixoto tenha escolhido Saramago, e não outro escritor qualquer, para esta sua experiência de aproximação, e por vezes quase apropriação, de um universo literário alheio. O facto de o seu primeiro romance, “Nenhum Olhar” (2001), ter vencido o Prémio José Saramago como que se lhe colou à pele. “Ainda hoje, no estrangeiro, associam-me ao nome dele e isso assume um peso grande na forma como sou lido noutras línguas.” O facto de ter conhecido pessoalmente o escritor também foi determinante: “Aos 26 anos, via nele a personificação das minhas ambições. Era uma espécie de sonho andante.” No momento de escrever o livro, o respeito e a admiração podiam ser um entrave, mas não foram. “Para escrever um livro como este, era preciso assumir muito claramente que o Saramago que surge nestas páginas é uma personagem. O meu trabalho foi encontrar essa personagem, sabendo que nunca corresponderia completamente à pessoa real. E quis mostrar um Saramago humano, com dúvidas, com defeitos, com dilemas e aspetos menos positivos.” No fundo, olhou para ele sem reverências ou endeusamentos, tal como olha para as outras personagens. Para reconstituir alguns momentos da vida de Saramago, livremente narrados por José, leu todas as biografias disponíveis, as entrevistas longas e os livros de memórias sobre a infância. Mas sempre consciente dos limites estreitos em que se movia: “Quando eu nasci, já Saramago vivera mais de metade da sua vida. Aquilo de que tenho mais consciência é do tanto que me escapa do que foi a existência dele. Escapa-me a mim e acho que nos escapa a todos.”

 

Em “Autobiografia”, um aspeto que aproxima o José jovem do José consagrado é a forma como ambos vivem a angústia do segundo romance. No caso de Saramago, depois de “Terra do Pecado” (1947), levou seis anos a concluir “Claraboia”, um livro que se haveria de perder na editora em que o entregou, só sendo publicado postumamente. O trauma dessa experiência, a que se juntam outros romances iniciados mas não terminados, levou a uma espécie de travessia do deserto, de que só começaria a sair nos anos 60, antes da explosão do romancista, já nos anos 70. “Essa angústia do segundo romance fascina-me e fiz dela um dos temas centrais do livro. Uma angústia que também existiu para mim, claro. Depois do primeiro livro, já não está tudo em aberto e o caminho a seguir é sempre um dilema. No meu caso, a forma de o resolver foi um pouco extremada. Optei por escrever, quase de forma terrorista, um livro [“Uma Casa na Escuridão”] que fosse o mais radical possível.”

 

Se Saramago ainda fosse vivo, teria Peixoto coragem de escrever este livro? “Não sei. Acho que não. Para ser sincero, acredito que ele até poderia gostar do livro e não ficaria de certeza ofendido. Eu é que ficaria intimidado.” Quanto a Pilar del Río, que também surge como personagem, nomeadamente numa cena em que adormece ao lado de Saramago, na passagem de ano de 1997 para 1998, enquanto o escritor imagina o que o ano lhe trará (e sabemos que será o Nobel de Literatura), o problema era outro. “Foi complicado mostrar-lhe o livro, porque tive de domesticar, na minha cabeça, a especulação infinita sobre qual poderia ser a sua reação.” A reação pode ser lida numa das badanas e é uma espécie de aval entusiasmado. “Essa resposta tornou tudo mais fácil. Foi um grande alívio constatar que percebeu exatamente o que eu quis fazer. A Pilar entende, como poucos, o que é a literatura. E soube ver que este livro é só isso: literatura.”

 

(Crítica a Autobiografia, de José Luís Peixoto)

 

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Crítica a Autobiografia, de José Luís Peixoto

UM NOTÁVEL TEMPO NARRATIVO

Miguel Real, in Jornal de Letras (julho 2019)

 

No futuro, Autobiografia talvez se venha a constituir como o melhor romance de José Luís Peixoto (JLP) publicado até 2019, não por conter José Saramago e Pilar como personagens, não por inovar estilisticamente face à obra anterior, mas pelo notável trabalho sobre a categoria de tempo narrativo, que, deveras, ainda que firmado sobre o tempo real, especificado no texto com algum pormenor, assume a função maior de organização estrutural do romance.

 

De facto, o registo da escrita de JLP permanece igual: um cruzamento original entre um explícito realismo (nome de ruas, bairros, descrição física e psíquica de personagens, origem geográfica ou étnica destas, profissões, condições familiares…) e um lirismo descritor de situações sociais labirínticas que, contra a vontade das personagens, as arrastam para o fracasso, um fracasso descrito de um modo fatal, inevitável, ainda que com palavras suaves, como se fosse próprio do homem não realizar-se. O lirismo, em JLP, reside na impossibilidade de se realizar o que deveria ser realizado, lançando as personagens num jogo mental não trágico de compensação e substituição.

 

Bucelas, Bairro da Encarnação e Bairro das Colónias em Lisboa, Pangim-Goa, Santo Antão-Cabo Verde, Quinta do Mocho-Sacavém e Lanzarote constituem-se como as bases do realismo de Autobiografia. Saramago/Pilar, José/Lídia, Bartolomeu de Gusmão (lembram-se?), Fritz e os pais, Mãe de José são, com excepção do primeiro par, seres fracassados, que parecem arrastar-se num tempo de decadência das suas vidas (Bartolomeu, Fritz, Mãe de José), que igualmente aprisiona as personagens jovens (José, Lídia, Domingues), incapazes de criar um tempo realizador novo.

 

O tempo narrativo nasce da inter-relação entre os momentos da existência das personagens, formando um puzzle, no qual, porém, um novo momento temporal da narração não só condensa todos os momentos e factos narrados anteriormente como revela um sentido antes oculto à história narrada, como se, em cada capítulo, uma outra estória estivesse a acontecer e o romance avançasse por camadas sucessivas. Não se trata de cronologia, aqui totalmente subvertida, não se trata de continuidade ou de sucessividade narrativa (não existe um fio de ligação senão que são sempre as mesmas personagens, estas porém evidenciadas coleidoscopicamente, como se em cada capítulo brilhasse apenas uma vertente), mas de acumulação de acontecimentos, como se fossem estratos geológicos uns sobre os outros. A estrutura temporal de Autobiografia é, assim, um tempo de acumulação de acontecimentos cuja presumível unidade ou fil rouge só pode ser conferido pelo leitor. É a grande participação do leitor, prestar unidade ao que é mostrado multiplamente, detectar o todo onde só se vê partes. Autobiografia exige, assim, um leitor nada preguiçoso, aliás, convidado pelo narrador a participar, já que em certos momentos, fundem-se narração da realidade exterior e a própria realidade exterior, narrador e leitor.

 

Não é de admirar, portanto, que consoante o leitor privilegie uma personagem (por exemplo, Bartolomeu, retornado de Angola, Fritz de família com origem em Goa, depois Lourenço Marques, depois Viena de Áustria; ou Lídia, de Santo Antão, depois Quinta do Mocho…), assim tenha uma visão geral diferente do romance: o de um Império a desfazer-se (Fritz, que “cega” no retorno a Goa), a do “retornado” africano como um faz-tudo exilado em Portugal, capaz de reconstruir a vida, de enriquecer de novo a partir de diamantes trazidos enfiados no ânus; a de Lídia cabo-verdiana, serviçal dos portugueses, arrastada na miséria, sem nunca perder a doçura e a alegria; a de Domingos, cabo-verdiano que sobrevive pela violência…).

 

No centro desta teia, emerge Saramago e, acessoriamente, Pilar, representada de um modo passivo e não como o intenso amor maduro do escritor (e é pena!). No centro do romance está Saramago e no centro desta personagem está um segredo, que o une a José, o jovem escritor de um primeiro romance, que anseia por escrever o segundo. O editor  – Raimundo Benvindo Silva, que JLP eleva de revisor e autor a editor –, diferentemente, propõe-lhe escrever uma biografia de Saramago, que José aceita hesitantemente.

 

Não devemos revelar o “segredo”, nem devemos revelar se, afinal, José escreve ou não a biografia de Saramago, já que seria anular o efeito suspensivo que o autor imprimiu a Autobiografia – duas revelações só feitas perto do final. E, no caso do título, nem nós temos a certeza qual o verdadeiro autor de “autobiografia”, se Saramago, que assim teria inventado a personagem José para se auto-retratar, e todo o romance seria seu enquanto personagem, se de José, que assim escreveria um romance a narrar a terrível passagem entre o primeiro e o segundo romances. Quem é o autor implícito de Autobiografia, já que o explícito é JLP? A resposta a esta questão, que só pode ser pensada a partir da leitura dos momentos finais, decide a totalidade da interpretação e do sentido do romance. Comprovando a noção de tempo acumulativo (um momento sobre outro, mas não necessariamente um momento causado e derivado do anterior), da resposta que o leitor deduzir, decorrerá o sentido total de Autobiografia.

Não hesitamos em qualificar Autobiografia como o melhor romance português publicado até ao verão de 2019.

 

(Crítica a Autobiografia, de José Luís Peixoto)

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Crítica a Autobiografia, de José Luís Peixoto

Asahi

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Mainichi

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Sinkan JP

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Sinkan JP

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Nihon Keizai

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Asahi - Crítica Literária Yukiko Konosu distingue Galveias como um dos três melhores livros estrangeiros do ano no Japão 

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Vogue Japan

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"Faltava, entretanto, uma obra como a de José Luís Peixoto, capaz de se afastar do debate trivial e dizer que na literatura há mais mistérios que imagina a vã filosofia da verdade e da mentira."

 

Pode ler a crítica completa aqui:

http://letrasinversoreverso.blogspot.pt/2017/05/em-teu-ventre-de-jose-luis-peixoto.html

 

capa _ Em teu ventre br.jpg

 







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