Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Em outubro de 2017, José Luís Peixoto visitou a península da Coreia pela quinta vez. Escreveu as dez crónicas breves, que se apresentam em seguida e que foram transmitidas na RDP/Antena1. Na mesma rádio, apresentou uma reportagem da sua autoria, que pode ser ouvida AQUI.

 

1

No aeroporto de Pequim, faço o check in para Pyongyang pela quinta vez na minha vida. Os norte-coreanos que podem sair do país despacham malas que fazem apitar as máquinas e, por isso, têm de abri-las para inspeção.

 

No avião, vou sentado ao lado de um homem muito direito. No jornal Pyongyang Times, em inglês, leio as notícias da primeira página: a produção aumentou em diversos sectores da economia nacional. Há também um artigo com o título "Atos anti-República Popular Democrática da Coreia vão trazer mais vergonha e ruína para os Estados Unidos". Na notícia principal, no entanto, Kim Jong-un inspeciona uma quinta agrícola militar. Sorri na fotografia, com trigo até à cintura.

 

Quando as hospedeiras, com voz colocada e muito aguda, anunciam a aterragem, vêm-se campos lavrados e algumas casas rurais da mesma cor desse terreno.

 

Pela quinta vez na minha vida, cumpro as formalidades da alfândega da Coreia do Norte. Um militar pede telefones e passaportes. Na revista das malas, outro militar encontra dois livros na minha bagagem. Vão ser analisados. Sei o que não posso levar — livros sobre os Estados Unidos, a Coreia do Sul, bíblias, etc. — e, por isso, espero despreocupadamente num guichet que me devolvam um volume de poesia do Perú e um ensaio sobre literatura.

 

Encontro as guias que me acompanharão durante todos os momentos da minha estadia. São duas mulheres, uma da minha idade (43 anos) e outra muito mais nova (22). Conheço a primeira, viajei com ela pelo país em 2014.

 

Na berma da estrada entre o aeroporto e Pyongyang, há centenas de pessoas de todas as idades a pé ou de bicicleta. Chego à cidade, multidões enchem os passeios. Estes são os norte-coreanos que se imaginam no ocidente, que estão por baixo de muitas conversas, mas de que poucos falam em concreto. Durante a próxima semana, pela quinta vez na minha vida, voltarei a andar entre eles.

 

2

Às cinco da manhã em ponto, começa a ouvir-se uma música suave, algo fantasmagórica, em todos os altifalantes de Pyongyang. Da janela do meu quarto, vejo os vultos que, a essa hora, atravessam a escuridão total. O dia nascerá às seis e meia. À primeira luz, os passeios estão já cheios de gente: homens e mulheres a irem para os seus trabalhos, estudantes a caminharem enquanto leem cadernos que seguram diante do rosto, crianças pequenas (6 ou 7 anos) que vão sozinhas de mochila às costas, velhos que empurram carros com sacos de serapilheira, militares rasos a pé, oficiais de bicicleta.

 

A partir das oito da manhã, nas praças principais de Pyongyang, nos lugares onde passa mais gente, há formações de dezenas de mulheres que tocam tambor e fazem coreografias sincronizadas com bandeiras de vermelho muito vivo. Estão ali para dar ânimo aos trabalhadores que iniciam a sua jornada.

 

A neblina matinal levanta-se lentamente, há um sol de outono que ilumina as cores dos murais com episódios da vida dos líderes, que ilumina também os seus rostos no topo dos edifícios públicos. São sete horas e meia a mais do que em Portugal. Por decisão própria, a Coreia do Norte é o único país do mundo neste fuso horário. Assisto ao início de mais um dia em Pyongyang e sei que há outras realidades lá fora, mas aqui, para quem avança pelos passeios da capital da Coreia do Norte, só há esta realidade.

 

3

Em períodos entrecortados, enquanto esperamos, falo em inglês com a guia do Museu da Vitória na Guerra de Libertação da Pátria. É uma militar fardada, tem 26 anos. Sorri bastante, está com vontade de falar.

 

Pergunta-me se sou casado, se tenho filhos. Diz-me que é solteira, vive com os pais e com uma irmã. Pergunta-me a idade do Cristiano Ronaldo. A irmã é grande admiradora de futebol e encarregou-a de recolher essa informação. Os estrangeiros que por ali passaram nos últimos meses não foram capazes de responder. Acha-o demasiado velho, diz que a irmã vai ficar decepcionada.

 

A nossa conversa é interrompida pelas explicações que dá sobre as diferentes salas do museu, sobre a guerra da Coreia ou, como ela lhe chama, a guerra de libertação da pátria. É uma história de avanços e recuos, determinados pelas perversões cobardes dos imperialistas americanos e pelo heroísmo do povo e do exército da Coreia, sempre com a sábia direção do presidente Kim Il-sung.

 

Ao esperarmos outra vez, pergunto-lhe acerca da situação atual. Ri-se. Sabe que os americanos têm um presidente novo, mas diz que as suas ameaças não são novas. Os americanos são patéticos e ninguém tem medo deles.

Ao entramos na sala seguinte, a guia comove-se. Estamos na sala dedicada às atrocidades cometidas pelos americanos durante a guerra. Pergunto-me se sentirá a mesma comoção sempre que faz esta visita. Mas, volta a animar-se logo a seguir, ao entrarmos na sala da gloriosa vitória do povo coreano.

 

4

Qual será o futuro destas crianças de cinco ou seis anos? Esperam por nós alinhadas no pátio da escola primária da cooperativa agrícola. É de manhã, ouve-se um silêncio de pássaros no interior da neblina, ruídos da natureza e da terra a ser trabalhada. Quando nos aproximamos, a professora começa a tocar acordeão e, fazendo gestos sincronizados, vozes de criança cantam canções infantis sobre a grandeza da Coreia e dos líderes.

 

E os alunos da escola secundária Kang Pan-sok? Qual será o seu futuro? A escola tem o nome da mãe de Kim Il-sung e fica no centro de Pyongyang. Os alunos passam a sua adolescência nestes corredores. O rosto de alguns está muito sério nas fotografias do quadro de honra. A esta hora, há rapazes a jogar futebol, grupos de raparigas a conversarem. Em certos cantos, alguns estudam cadernos de páginas cinzentas. Talvez estejam a rever a matéria sobre a vida dos líderes. História das Atividades Revolucionárias de Kim Il-sung, ou de Kim Jong-il são disciplinas obrigatórias.

 

E também os meninos-prodígio do Palácio das Crianças. Milhares de jovens assistem a este espetáculo num grande teatro. No palco, meninas fazem bailados sobre o desenvolvimento tecnológico da Coreia do Norte, por exemplo. Um coro de rapazes, pioneiros de lenço vermelho, é acompanhado por palmas. Cantam à frente de um vídeo com mísseis a serem disparados e bombas a explodirem. Essa é a atuação mais aplaudida do espetáculo.

 

Qual será o seu futuro? Qual será o nosso futuro?

 

5

No paralelo 38, junto à linha onde se dividiu a península da Coreia, há sempre muitos pássaros. Cruzam a fronteira livremente, indiferentes ao que se pensa em terra.

 

Os militares sul-coreanos deixam o seu posto quando há a visita de turistas estrangeiros a partir do norte. Terão os seus motivos para fazê-lo.

 

Para além das cinco vezes em que estive no lado norte, também já visitei o paralelo 38 a partir do sul. Nesse lado, não deixam os visitantes aproximar-se da fronteira, repete-se que é muito perigoso. Todos acreditam e, assustados, ficam a centenas de metros, a ver por binóculos aquilo que tenho agora à minha frente.

 

Acompanho um militar e entro numa das salas azuis que se veem sempre na televisão, divididas pela fronteira, onde são feitas as conversas entre norte e sul. No interior dessa casa, azul também por dentro, ponho um pé de cada lado.

 

Na sua volta ao mundo, o paralelo 38 do hemisfério norte, também atravessa Portugal. Passa nos distritos de Beja e Setúbal.

 

À saída, dou um volume de cigarros ao militar, que fica surpreendido, apesar de o ter pedido a uma das guias que me acompanha e que me sussurrou: dê-lhe agora os cigarros.

 

Estou a 70 km de Seul mas, para chegar ao outro lado desta fronteira, terei de fazer 160 km por estrada até à capital da Coreia do Norte, apanhar lá um avião para a China e, daí, apanhar outro para a Coreia do Sul. Amanhã, farei essa viagem, durará todo o dia.

 

6

Nos últimos 65 anos, não são muitas as pessoas que sabem o que é, no mesmo dia, despertar de manhã na Coreia do Norte e adormecer à noite na Coreia do Sul.

 

O consumo de informação que sucede a chegada de internet ao telefone é um choque, dá-me uma sensação física. Sinto o sangue a correr mais depressa nas têmporas, uma ligeira tontura.

 

Depois, tudo é uma incrível novidade: as luzes, o trânsito, a publicidade e, sobretudo, as pessoas, convictas do seu mundo.

 

Caminho ao longo da praia Haeundae, em Busan — a segunda cidade da Coreia do Sul, com 3 milhões e meio de habitantes. Passo por artistas de rua com mais ou menos público, cantores de canções melancólicas acompanhadas à viola. Cruzo-me com famílias que também fazem este passeio ou que se sentam na areia, sobre cobertores. A esta hora da noite, a escuridão faz o mar ainda mais infinito. No entanto, sei que após três horas de ferry boat se chega a Osaka, no Japão.

 

Hoje, há um festival de fogo de artifício. Assisto a estas explosões coloridas. Em toda a praia, a multidão faz longas e colectivas exclamações de espanto. Na memória, nos olhos, levo ainda as imagens da Coreia do Norte, onde acordei hoje de manhã. Sei que eles estão lá, numa noite sem luz. Diante das formas que enchem este céu, parece-me que essa verdade é demasiado grande para ser dita. Vinte e quatro milhões de norte-coreanos — gente com famílias como estas, capazes de espanto como este. Aqui, é muito difícil explicar essa verdade simples.

 

7

Ainda em Busan, no sul da Coreia do Sul, olho pela janela do meu quarto enquanto ouço as notícias em inglês na televisão. Ontem, o secretário de defesa dos Estados Unidos visitou a fronteira. Ao seu lado, o ministro da defesa da Coreia do Sul declarou que, se a guerra começar, a artilharia da Coreia do Norte será destruída imediatamente.

 

Lá em baixo, nas ruas de Busan, as pessoas caminham pelos passeios. Dirigem-se talvez para lugares onde vão todos os dias.

 

Em estúdio, de fato e gravata, os comentadores dizem que a Coreia do Norte tem 21 batalhões estacionados no seu lado do paralelo 38 e que, mesmo que a artilharia fosse destruída, seria impossível deter a sua capacidade de retaliação (incluindo armas químicas, biológicas e nucleares) antes de alcançarem Seul.

 

O lugar que me calha no comboio de alta velocidade é ao lado de um militar sul-coreano. É um rapaz bastante alto, terá talvez pouco mais de vinte anos. Com a mão ,segura um copo de plástico com café gelado; com a outra mão, escreve mensagens no telemóvel. O seu uniforme tem um padrão camuflado, com a bandeira da Coreia do Sul no ombro. Ao peito, tem uma placa de pano, chama-se qualquer-coisa Kim.

 

Aproximamo-nos de Seul a cerca de 300 quilómetros por hora. A cada fôlego, estamos mais próximos de Seul. Ele chega ao fim do café gelado. Pousa o telemóvel por instantes, tira a tampa do copo de plástico e começa a mastigar as pedras de gelo.

 

8

Chama-se Chui. Não tenho a certeza de que o seu nome se pronuncie assim. Talvez por se ter cansado de ouvir o seu nome mal pronunciado, adoptou o nome de Glória para falar com estrangeiros. Diz-me que a relação com a Coreia do Norte, depende das gerações.

 

A avó conheceu a península antes da guerra e da divisão. Esse era um assunto que lhe custava muito. A mãe herdou essa dor, mas já um pouco atenuada. A ela própria, por várias vias, foi-lhe transmitida uma imagem muito negativa da Coreia do Norte: os inimigos. Já a filha, de nove anos, aprende na escola atual lições sobre toda a península da Coreia, traz trabalhos de casa sobre o norte e até lhe ensina algumas coisas.

 

Peço para traduzir o texto de alguns cartazes que fotografei com o telemóvel na Coreia do Norte. Um deles tem o desenho de muitos mísseis e diz: "A resposta de Choson" (que é o nome que a Coreia do Norte dá a si própria). Outro, também com mísseis, diz: "Não seremos derrotados, somos uma potência nuclear". Chui/Glória ri ligeiramente ao ler estas frases.

 

Pergunto-lhe se não tem medo. Continua divertida ao responder que há trinta e cinco mil soldados americanos na Coreia do Sul e que, por isso, não tem medo de nada.

 

Relembro-lhe aquilo que sabe melhor do que eu, que Seul está tão perto da fronteira e volto a perguntar-lhe se não tem medo. Volta a responder-me que há trinta e cinco mil soldados americanos na Coreia do Sul e que, por isso, não tem medo de nada.

 

9

A embaixada dos Estados Unidos fica na avenida mais emblemática de Seul, a poucos metros do palácio Geongbokgung, o principal do país, o palácio real. Às sete da manhã, os manifestantes permanentes estão na posição de lótus, sentados sobre esteiras. Têm os olhos fechados, fazem meditação antes de iniciar o dia.

 

Os polícias estão no seus postos habituais, são dezenas diante da entrada, estão a poucos metros uns dos outros, cobrem o muro com os seus casacos de amarelo fluorescente. Na rua lateral, há meia dúzia de autocarros da polícia estacionados.

 

À medida que os manifestantes despertam da sua meditação, vão-se juntando em grupos que conversam quase em silêncio. Enchem chávenas de plástico com termos de chá, libertam grossas nuvens de vapor. Sentindo a minha presença, há um que se aproxima e que me estende um panfleto e um sorriso.

 

Ele sabe que não entendo coreano, são poucos os estrangeiros que entendem, mas acredito que saiba também que entendo os desenhos do panfleto: de um lado, uma caricatura de Trump ao lado de Hitler; do outro, o rosto de Trump a ser espezinhado por vários sapatos, no centro de uma poça de sangue.

 

Aqueles que se opõem à presença americana no país são uma minoria, mas existem. Durante as grandes manifestações, são milhares. Aqui, têm fitas atadas à testa e cartazes, têm uma coreografia sincronizada com as palavras de ordem que repetem em coro. Quando Trump chegar, não poderão estar aqui, a poucos metros da embaixada dos Estados Unidos. Onde estarão nessa hora?

 

10

Rodeado pelos grandes arranha-céus de Seul, é difícil imaginar que Kaesong fica apenas a 70 quilómetros daqui.

 

A autoestrada mais importante da Coreia do Norte é a que liga Pyongyang a Kaesong e que, a cada x quilómetros, tem longas colunas de cimento que se destinam a ser derrubadas com explosivos e a cortarem a estrada, no caso de entrarem invasores no país.

 

No centro de Seul, o trânsito está quase sempre engarrafado por carros de fabrico coreano, topos de gama de marcas que conhecemos em todo o mundo e outras apenas disponíveis no mercado sul-coreano. As ruas principais de Kaesong são muito largas para as bicicletas que as atravessam. Às vezes, passa um carro também.

 

No ponto mais alto de Kaesong, junto às enormes estátuas de Kim Il-sung e de Kim Jong-il, escutam-se cães a ladrar, pedaços de vozes perdidos na distância e um grande silêncio que atravessa a neblina.

 

Na Torre de Seul, o ponto mais alto da cidade, vê-se uma capital a perder de vista, a tocar o horizonte, uma máquina complicada de relações entre dez milhões de pessoas.

 

Entre Seul e Kaesong, não há apenas a distância de 70 quilómetros. Há uma distância muito maior, uma lonjura no tempo, naquilo que as pessoas são capazes de imaginar e de entender.

 

Amanhã, vou regressar ao meu país, a milhares de quilómetros daqui. Sem motivo, mas muito a propósito, lembro-me de um balão que vi no templo Bulguksa, em Gyeongju. Entre centenas de outros, com etiquetas onde se escrevem pedidos, havia um assinado por uma família francesa. Apenas tinha a palavra "paz".

 

2222.jpg44444.png

33333.jpg55555.jpg

(Algumas edições de Dentro do Segredo)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:56

 

José Luís Peixoto é convidado da Feira do Livro de Salónica, onde irá apresentar as edições gregas dos seus livros. 

  • 10 de Maio, 14h - Cosmos Hall, Pavilion 13, TIF - HELEXPO

Em 2020,  o romance Nenhum Olhar será publicado pela editora Diaplasai, juntando-se às atuais edições:

3.jpeg2.jpeg

4.jpeg1.jpeg

 

Screenshot 2019-05-08 at 11.32.53.pngScreenshot 2019-05-08 at 11.33.08.png

 

Screenshot 2019-05-08 at 12.59.58.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:52

A editora Rosa de Porcelana acaba de publicar a edição cabo-verdiana de Morreste-me , com tradução de Filinto Elísio.

 

Com o título Bu Morem-m, esta edição bilingue (em português e crioulo cabo-verdiano) está disponível para venda em Cabo Verde.

 

Bu morem 1.JPG

 

bu morem 2.JPG

bu morem 3.JPG

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:08

Lançamento do romance Galveias no Japão, em novembro 2018.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:36

Traduzido do português por Maho Okazaki Kinoshita, o romance Galveias, de José Luís Peixoto, foi hoje anunciado como vencedor do maior prémio de tradução do Japão (The Best Translation Award), depois de ter sido nomeado como um dos cinco finalistas, ao lado de The Stolen Bicycle (Wu Ming-yi), JR (William Gaddis), The White Book (Han Kang) e The Narrow Road to Deep North (Richard Flanagan). A cerimónia de entrega decorre a 27 de abril, na Digital Hollywood University, em Tóquio, no Japão. Este é o primeiro livro português a receber esta distinção.

 

«Sendo o único prémio que distingue o trabalho de tradução, o Prémio da Melhor Tradução é muito estimado entre tradutores literários e amantes de livros. Não sonhava poder ser nomeada como uma das finalistas. Enquanto traduzia Galveias tinha sempre receio de não conseguir transmitir a riqueza que o livro possui. O que me faz a mais feliz é que a nomeação prova que consegui, de certa forma, mostrar aos leitores japoneses a beleza do mundo que José Luís Peixoto criou. A boa tradução não nasce de nada. Tudo se deve à força de Galveias», afirmava Maho Okazaki Kinoshita, aquando da nomeação da edição japonesa de Galveias como finalista.

 

A tradução de Galveias para japonês chegou às livrarias do Japão em agosto de 2018, pela mão da editora Sinchosha, incluída na prestigiada coleção Crest Books. Em poucos dias, o livro ocupou o sétimo lugar no top de vendas da livraria Aoyama Book Center, uma das mais conceituadas livrarias de Tóquio, e o primeiro lugar na categoria de «Livros Estrangeiros Traduzidos para Japonês». 

 

Galveias Japão.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:46

José Luís Peixoto diz excerto do seu livro Abraço, publicado em 2012.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temas:

publicado às 18:57

Com música de Nuno Côrte-Real,  textos de José Luís Peixoto e a interpretação vocal de Maria João, Agora Muda Tudo sobe aos palcos da Culturgest para celebrar o lançamento do seu álbum, depois de ter recebido o Prémio Autores SPA de 2018 para a melhor obra de música erudita.

 

 

 

54255653_2280729851970996_4684109560858804224_n.jp

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:14

A edição japonesa de Galveias é uma das cinco finalistas do maior prémio de tradução do Japão.

 

Com o título ガルヴェイアスの犬, que significa "Os Cães de Galveias", este romance faz parte da prestigiada coleção Crest Books da editora Shinchosha.

 

A tradução é de Maho Okazaki Kinoshita.

Galveias prémio tradução japão.jpg

Galveias Japão.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:45

José Luís Peixoto é convidado do Festival Literário de Macau, onde participará nas seguintes actividades:

 

16 mar16h30 —Oficinas Navais n.º 2 / 海事工房 2 號

 

16 mar, 18h15 —Oficinas Navais n.º 2 / 海事工房 2 號

 

17 mar, 18h30 — Oficinas Navais n.º 2 / 海事工房 2 號

 

19 mar, 18h15 — Instituto Português do Oriente (IPOR) / 東方葡萄牙學會

 

24 mar, 17h30 — Oficinas Navais n.º 1 / 海事工房 1 號

Festival Literário Macau.png

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:40

EL MILAGRO DEL SIGLO XX

Camilo Marks, en El Mercúrio (10 marzo 2019)

 

 

"Entender a los demás no es una tarea que empiece en los demás. Al principio, somos siempre nosotros mismos, la persona en que despertamos ese día. Entender a los demás es una tarea de la que nunca nos libramos. Ser los demás es un espejismo. Cuando estamos allí, viendo lo que ven los demás, sintiendo en la piel la brisa que los demás sienten, somos siempre nosotros mismos, son nuestros ojos, es nuestra piel. No somos nosotros siendo los demás, somos nosotros siendo nosotros. Nosotros nunca somos los demás. Podemos entenderlos, que es lo mismo que decir: podemos creer que los entendemos. Los demás incluso pueden asegurar que los estamos entendiendo. Pero esa será siempre una fe. Lo que entendemos está encerrado en nosotros. Lo que procuramos entender está encerrado en los demás".

 

El vocablo clave del pasaje anterior es "fe". Según se desprende de la lectura de En tu vientre , de José Luis Peixoto (1974), la fe, además de ser un ente esencial para los creyentes, también constituye la parte y el todo de la comunicación humana, de nuestra comunicación con los otros. Peixoto debe ser uno de los más aclamados autores portugueses de la actualidad y ha publicado numerosas novelas, poemarios e incluso un tomo de viajes por Corea del Norte. Pero a juzgar por lo poco que aquí sabemos de él y por el hecho de que En tu vientre es el primer volumen suyo que nos llega, nunca antes había tratado el tema que ahora aborda. Para el caso, tampoco parece que este sea un asunto que interese a muchos novelistas, lo que hace de En tu vientre un texto excepcionalísimo de comienzo a fin.

 

La historia que Peixoto nos narra es la historia del milagro de la Virgen de Fátima en 1917, que puede considerarse uno de los acontecimientos religiosos más importantes del siglo XX, o mejor dicho uno de los momentos culminantes que en el orden espiritual, experimentó la Iglesia Católica hace 100 años. La estructura literaria que Peixoto ha escogido consiste en una perspectiva multiforme, en la que se combinan diferentes voces, diversos puntos de vista, súbitos cambios de estilo, que incluyen monólogos interiores, diálogos interpuestos en forma teatral, infinidad de citas -de oraciones, de periódicos, de avisos publicitarios- e incluso testimonios de fuentes oficiales y extraoficiales, como sermones, prédicas, registros parroquiales o himnos sacros. La verdad es que se han escrito cientos de ejemplares y se han entregado innumerables interpretaciones acerca de los niños pastores que entablaron una relación con la Madre de Dios; en el primer caso, se trata de fábulas concebidas de modo lineal y accesibles para cualquiera; en cuanto a las explicaciones sobre la aparición, las hay para todos los gustos y durante bastante tiempo ha primado la versión de que todo esto no fue sino una maniobra política para detener el comunismo. Peixoto está lejísimos de este barullo y en realidad la trama que nos revela muestra un profundo respeto, una intensa preocupación por el fenómeno de la devoción piadosa, hasta el punto en que se diría que él mismo posee convicciones cristianas. Y en lugar de haber optado por una crónica fácil o de seguimiento rápido, lo que nos proporciona es una ficción coral, en la que, aparte de los recursos literarios y poéticos que utiliza, compiten entre sí personajes, hechos, rumores y sobre todo, las reacciones de cada uno de los actores ante el misterio sagrado que tuvo lugar en Fátima.

 

Desde luego, Peixoto se detiene en Lucía, la niña a quien se anunció la Virgen, y en su extensa parentela, compuesta de padres, hermanos, tíos, primos y cuantos otros tuvieron lazos con los hechos que cambiaron sus vidas desde la irrupción de la Reina de los Cielos en un remoto poblado lusitano. Son gente pobre, simple, en algunos casos analfabetos que, en principio, rechazan como patrañas los dichos de Lucía y los chicos que la siguen y, muy especialmente, la participación de María de Capelinha, la cual se convierte en una especie de líder del grupo de iluminados. Tal actitud también se extiende a las autoridades eclesiásticas locales, que en un comienzo no aceptan lo que dicen o lo que sienten vástagos de labriegos sin importancia social. El paisaje, los hábitos, el trabajo, los juegos, las jerarquías individuales y otra infinidad de aspectos en la cotidianidad de estos campesinos son minuciosamente descritos en las páginas de En tu vientre .

 

Sin embargo, Peixoto llega mucho más allá: su propia madre se instala en su conciencia, interviene en el proceso creativo y se convierte en elemento de él. A través de ella, se intercala una suerte de palabra de Dios que nos permite vislumbrar los orígenes de la creación. En un clima de ensoñación, En tu vientre agrega una nueva dimensión, sutil y profunda, a los célebres episodios del prodigio, reflexionando sobre el origen y la fidelidad que depositamos en lo intangible, que es una ofrenda similar a la que la mujer establece con el hijo o el escritor con el material escrito. Quizá lo más impactante de este relato consiste en las transcripciones de algunos pasajes de las "Memorias I a VI" de la santa Lucía de Jesús, concebidas mucho después de los incidentes narrados: su fuerza y su seducción son similares a las de los Evangelios o a ciertos libros del Antiguo Testamento, tales como el de Job, los Salmos o el Eclesiastés. Para entonces, ya no era la aldeana que veía visiones, sino una mística que había dejado atrás el pasado infantil para legar una obra de fulgurante belleza.

"En tu vientre" es un texto excepcionalísimo de comienzo a fin.

 

Captura de ecrã 2019-03-11, às 01.00.45.png

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:01



Instagram


papéis jlp
Arquivo de recortes sobre José Luís Peixoto e a sua obra.

projecto moldura

todos os vídeos





(confidencial)

free Hit Counters
since October 2018

Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



page contents





Perfil SAPO

foto do autor