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José Luís Peixoto estará na África do Sul, em Joanesburgo e na Cidade do Cabo, onde participará nos seguintes encontros com leitores.

 

JOANESBURGO

1 OUTUBRO — 18h — Consulado-Geral de Portugal

2 OUTUBRO — 9h30 — Universidade Witwatersrand

 

CIDADE DO CABO

3 OUTUBRO — 13h — Universidade do Cabo

4 OUTUBRO — 14h — V&A Waterfront

 

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(Texto de José Luís Peixoto sobre o livro O Homem que Gostava de Cães, de Leonardo Padura.)

 

Como acontece com as obras fundamentais, o romance O Homem que Gostava de Cães, de Leonardo Padura, dá corpo a uma enorme consciência coletiva.  Neste caso, trata-se de um poderoso retrato do desencanto com as utopias do século XX, em especial com o ideal socialista, que prometia justiça, igualdade e libertação. Através da trajetória de Ramón Mercader, um jovem que acredita na revolução e acaba por transformar-se no cruel instrumento de um regime autoritário, Padura mostra como o sonho e os valores humanistas derivaram em profunda tirania. O livro acompanha também a vida de Iván, em Cuba, décadas depois, mergulhado num quotidiano cinzento, marcado pela censura, pela frustração criativa e pela pobreza, um cenário que, também ele, ilustra o esgotamento da promessa revolucionária. Trotsky, por sua vez, aparece como figura trágica: um dos principais arquitetos da revolução russa, perseguido e assassinado pelo próprio regime que ajudou a criar. O livro não nega a força transformadora da utopia, mas mostra o que acontece quando ela é capturada pelo dogma e pela máquina repressiva. Com a complexidade do género romanesco e da vida, sem maniqueísmos, este é um retrato da traição a um sonho.

A narrativa polifónica e espelhada é, segundo a minha leitura, um dos grandes méritos do romance. A alternância entre as histórias de Iván, Trotsky e Ramón Mercader permite uma leitura histórica abrangente e, em simultâneo, cria ecos emocionais e temáticos entre as personagens. Cada uma destas vozes oferece uma perspetiva distinta sobre esta utopia, traição e perda. Nesse jogo de espelhos, o livro ganha profundidade. Neste romance com mais de seiscentas páginas, o facto de Padura dar tempo e densidade a cada narrativa impede leituras simplistas: não há heróis absolutos, como não há vilões absolutos, há seres humanos moldados por forças que os transcendem. Esta estrutura obriga o leitor a recuar, a cruzar dados, a reavaliar o que sabe. A fragmentação narrativa é um reflexo da fragmentação da própria verdade histórica, da dúvida. Padura não se resigna à neutralidade, convida-nos a atravessar zonas de penumbra, convida-nos à complexidade e ao sentido crítico.

O romance de Leonardo Padura não rejeita a utopia, vai muito mais longe do que esse mero simplismo. Consciente de que, hoje, defender a utopia é um gesto quase subversivo, o romance traça uma perspetiva corajosa. Num tempo tão saturado de pragmatismo, ironia e desilusão, a ideia de um futuro ideal parece inútil, insuportavelmente ingénua. No entanto, é essa marginalidade que lhe dá força. A utopia é maior do que os regimes que a evocam ou evocaram, nunca foi um plano rígido de perfeição. A utopia foi e continua a ser uma direção, um horizonte que serve para imaginar o que não existe. A utopia tem alimentado equívocos, crimes também, mas tem alimentado movimentos coletivos de justiça, igualdade e liberdade. Mesmo não se realizando plenamente, a utopia transforma: empurra fronteiras, provoca ruturas, exige reflexão ética. A utopia faz parte da natureza humana, trouxe-nos ao nível civilizacional a que chegámos. O que seria da literatura, da política, da própria vida coletiva, sem o impulso do sonho?

A literatura tem um papel fundamental na preservação da memória e, através da reflexão, na construção da verdade histórica. Não porque relate factos com rigor documental, mas porque os ilumina a partir da experiência humana. Ao contrário da história oficial, que muitas vezes silencia vozes marginais ou incómodas, a literatura permite recuperar perspetivas esquecidas, fragmentadas, subterrâneas. Dar forma literária ao passado é um modo de resistência: contra o apagamento, contra o revisionismo, contra o negacionismo, contra a versão única, contra o esquecimento. A verdade histórica, ao ser atravessada pela imaginação, ganha corpo, emoção, contradição, torna-se mais próxima do real vivido. Num tempo em que a manipulação da memória é uma arma política tão presente, a literatura continua a ser um lugar onde se procuram sentidos, onde se desmontam mitos, onde se dá voz ao que ficou por dizer.

Os cães deste romance não são apenas animais, são espelhos morais. Em O Homem que Gostava de Cães, Leonardo Padura utiliza-os como uma metáfora que atravessa todo o livro. Nos cães, encontramos a lealdade e a submissão, o afeto e a obediência cega. Essa metáfora resume a tragédia das personagens: seres condicionados, moldados por forças superiores, obedientes até quando isso os destrói. Padura não julga as personagens, criminosas ou vítimas, apenas as observa com compaixão crítica. O poder reduz seres humanos a sombras de si próprios.

 

José Luís Peixoto

sobre O Homem que Gostava de Cães, Leonardo Padura, Porto Editora, 2011

(Publicado originalmente no jornal Ponto Final, em Macau, em julho de 2025.)

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En ocasión de la edición de Te Me Moriste , en la colección Vientos del Pueblo (Fondo de Cultura Económica), José Luís Peixoto participará en las siguientes actividades:

 

México

3 septiembre - CIUDAD DE MÉXICO

 

4 septiembre — ACATLÁN

 

5 septiembre - QUERÉTARO

 

8 septiembre - MORELIA

  • 11h00 – Conferencia Magistral con el escritor José Luís Peixoto, Universidad Latina de América (UNLA), SUM C | Manantial Cointzio Norte #355, Los Manantiales, 58170 Morelia, Mich.

 

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Colombia

12 septiembre - CALI
  • 18h00 – Lectura de poemas a cargo de José Luis Peixoto, Biblioteca del Centenario | Cl. 4 Oe. #1-16 esquina, COMUNA 3, Cali, Valle del Cauca
 
 
13 septiembre  - CALI
  • 18h30 – Presentación del libro Regreso a Casa (publicado en Colombia por Isla de Libros) de José Luis Peixoto. Moderan: Alejandra Lerma y Betsimar Sepúlveda.
 
 
14 septiembre - CALI
  • 11h00 – Brunch literario y firma de libros,  Librería María, Fondo de Cultura Económica |  Normandia Sebastian de Belalcazar, Cali, Valle del Cauca

 

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Edição mongol de "A Mãe que Chovia" numa livraria  em Ulaanbaatar, capital da Mongólia.

José Luís Peixoto participará num encontro intimista com os seus leitores na manhã de dia 12 de julho, 11h, na Av. da Liberdade, nº 21, em Lisboa. Nessa ocasião, o autor fará algumas revelações sobre o seu trabalho, apresentará algumas leituras, haverá sessão de autógrafos e mais algumas surpresas. 

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Entre 2021 e 2024, José Luís Peixoto manteve uma rubrica de viagens no programa Esta Manhã, na TVI. Nesse âmbito, entrava em direto a partir dos mais diversos pontos do mundo. 

Ver todos os episódios AQUI. 

Alguns episódios:

Por ocasião do lançamento da edição grega de Morreste-me (Μου πέθανες), publicada pela editora Vakxikon, José Luís Peixoto participará nas seguintes atividades em Atenas e Creta:

 

Atenas

17 junho

18h00 - Festival LEA: mesa redonda “Grecia y la lusofonía” - Anfiteatro “Alkis Argyriadis”, edificio central de la Universidad Nacional y Kapodistríaca de Atenas, C/PanepisCmiou 30

 

18 junho

17h00 -  À conversa com José Luís Peixoto -  Editorial Vakxikon, PaCsion 14 Stoa Fexi

 

19 junho
19h00 -  Apresentação de Morreste-me  - Livraria Polyglot, Rua Akadimias, n.º 84

 

Creta

24 junho

18h00 - Apresentação de Morreste-me - Mikis Theodorakis Theatre, Akti Enoseos & Plateia Georgiou Katechaki, 73131 Chania, Creta

 

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O livro Morreste-me junta-se às atuais edições gregras:

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No dia 15 de junho de 2025, a partir das 15h, José Luís Peixoto estará na Feira do Livro de Lisboa, no espaço da Porto Editora, para uma sessão de autógrafos.

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José Luís Peixoto estará presente na edição de 2025 da Feira do Livro de Sófia, na Bulgária.

Participará nas seguintes atividades públicas:

29 de maio de 2025

12h - Liceu Miguel de Cervantes - Encontro com alunos de português.

30 de maio de 2025

18h - Feira do Livro de Sófia (Praça NDK) - Apresentação da edição búlgara do romance "Nenhum Olhar", conversa do autor com Soni Bohosyan. 

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