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  <title>José Luís Peixoto</title>
  <subtitle>José Luís Peixoto</subtitle>
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    <name>José Luís Peixoto</name>
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  <updated>2012-02-19T17:56:23Z</updated>
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    <issued>2012-02-19T17:53:48</issued>
    <title>Morreste-me no programa Ler mais, ler melhor</title>
    <published>2012-02-19T17:56:23Z</published>
    <updated>2012-02-19T17:56:23Z</updated>
    <category term="vídeos"/>
    <content type="html">&lt;object width="370" height="290"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-SsrGat0u7U?version=3&amp;amp;hl=en_US"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/-SsrGat0u7U?version=3&amp;amp;hl=en_US" type="application/x-shockwave-flash" width="370" height="290" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;</content>
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    <issued>2012-02-15T21:33:25</issued>
    <title>Debate na Livraria Passa Porta, em Bruxelas</title>
    <published>2012-02-15T21:55:38Z</published>
    <updated>2012-02-15T21:55:38Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;No dia 16 de Fevereiro, às 20 horas (hora de Bruxelas), na livraria Passa Porta, em Bruxelas, debate com Pedro Rosa Mendes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;JLP lerá excertos de Cemitério de Pianos. PRM lerá excertos de Baía dos Tigres. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Transmissão em directo, em streaming, &lt;a href="http://www.passaporta.be/index.php?q=en/livestreaming/"&gt;AQUI&lt;/a&gt;. (Também nesse link poderá, logo depois, assistir-se à gravação do encontro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Site da livraria Passa Porta, &lt;a href="http://www.passaporta.be/index.php?q=passaporta/fr/splash/"&gt;AQUI&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-02-02T22:38:51</issued>
    <title>Livro nas livrarias brasileiras</title>
    <published>2012-02-02T22:42:16Z</published>
    <updated>2012-02-02T22:57:29Z</updated>
    <category term="livro"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Depois de várias edições em Portugal, Ilídio, Adelaide, Galopim, Cosme e restantes personagens de Livro atravessam o oceano e, no início de Fevereiro de 2012, chegam ao Brasil.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Livro, o quarto romance de José Luís Peixoto, chega às livrarias brasileiras numa edição da Companhia das Letras. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No que diz respeito a traduções, depois de Espanha, Livro será publicado brevemente em Itália (Einaudi) e em França (Grasset). Estando outras traduções ainda em curso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=1ANBIfTSr8aZRoMvzqgo"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0c071e1c/10147733_tzGD5.jpeg" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2012-01-18T19:22:45</issued>
    <title>Amor burguês</title>
    <published>2012-01-18T19:25:17Z</published>
    <updated>2012-01-18T20:09:30Z</updated>
    <category term="biblioteca"/>
    <content type="html">&lt;div id="fb-root"&gt;&lt;/div&gt;


&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Havemos de engordar juntos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Normalmente, toda a gente está demasiado preocupada em colocar a barra que diz "cliente seguinte", estão ansiosos, nervosos, têm medo que aquele que está à frente lhes leve os iogurtes, têm medo de pagar o fiambre daquele que está atrás. Enquanto não marcam essa divisão, não descansam. Depois, não descansam também, inventam outras maneiras de distrair-se. É por isso que poucos chegam a aperceber-se de que a verdadeira imagem do amor acontece na caixa do supermercado, naqueles minutos em que um está a pôr as compras no tapete rolante e, na outra ponta, o outro está a guardá-las nos sacos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As canções e os poemas ignoram isto. Repetem campos, montanhas, praias, falésias, jardins, love, love, love, mas esse momento específico, na caixa do supermercado, tão justo e tão certo, é ignorado ostensivamente por todos os cantores e poetas românticos do mundo. Bem sei que há a crueza das lâmpadas fluorescentes, há o barulho das caixas registadoras, pim-pim-pim, há o barulho das moedas a caírem nas gavetas de plástico, há a musiquinha e os altifalantes: responsável da secção de produtos sazonais à caixa 12, responsável da secção de produtos sazonais à caixa 12; mas tudo isso, à volta, num plano secundário, só deveria servir para elevar mais ainda a grandeza nuclear desse momento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É muito fácil confundir o banal com o precioso quando surgem simultâneos e quase sobrepostos. Essa é uma das mil razões que confirma a necessidade da experiência. Viver é muito diferente de ver viver. Ou seja, quando se está ao longe e se vê um casal na caixa do supermercado a dividir tarefas, há a possibilidade de se ser snob, crítico literário; quando se é parte desse casal, essa possibilidade não existe. Pelas mãos passam-nos as compras que escolhemos uma a uma e os instantes futuros que imaginámos durante essa escolha: quando estivermos a jantar, a tomar o pequeno-almoço, quando estivermos a pôr roupa suja na máquina, quando a outra pessoa estiver a lavar os dentes ou quando estivermos a lavar os dentes juntos, reflectidos pelo mesmo espelho, com a boca cheia de pasta de dentes, a comunicar por palavras de sílabas imperfeitas, como se tivéssemos uma deficiência na fala.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ter alguém que saiba o pin do nosso cartão multibanco é um descanso na alma. Essa tranquilidade faz falta, abranda a velocidade do tempo para o nosso ritmo pessoal. É incompreensível que ninguém a cante.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As canções e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que não falem dos serões a ver televisão no sofá? Não há explicação. O amor também é estar no sofá, tapados pela mesma manta, a ver séries más ou filmes maus. Talvez chova lá fora, talvez faça frio, não importa. O sofá é quentinho e fica mesmo à frente de um aparelho onde passam as séries e os filmes mais parvos que já se fizeram. Daqui a pouco começam as televendas, também servem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Havemos de engordar juntos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estas situações de amor tornam-se claras, quase evidentes, depois de serem perdidas. Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é atravessar sozinho os corredores do supermercado: um pão, um pacote de leite, uma embalagem de comida para aquecer no micro-ondas. Não é preciso carro ou cesto, não se justifica, carregam-se as compras nos braços. Depois, como não há vontade de voltar para a casa onde ninguém espera, procura-se durante muito tempo qualquer coisa que não se sabe o que é. Pelo caminho, vai-se comprando e chega-se à fila da caixa a equilibrar uma torre de formas aleatórias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando se teve e se perdeu, a falta de amor é estar sozinho no sofá a mudar constantemente de canal, a ver cenas soltas de séries e filmes e, logo a seguir, a mudar de canal por não ter com quem comentá-las. Ou, pior ainda, é andar ao frio, atravessar a chuva, apenas porque se quer fugir daquele sofá.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E os amigos, quando sabem, não se surpreendem. Reagem como se soubessem desde sempre que tudo ia acabar assim. Ofendem a nossa memória.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nós acreditávamos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Havemos de engordar juntos, esse era o nosso sonho. Há alguns anos, depois de perder um sonho assim, pensaria que me restava continuar magro. Agora, neste tempo, acredito que me resta engordar sozinho. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;José Luís Peixoto, in revista Visão (Janeiro, 2012)&lt;/p&gt;
&lt;br&gt;
&lt;br&gt;
&lt;br&gt;
&lt;div class="fb-like"&gt;&lt;/div&gt;</content>
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    <issued>2012-01-05T01:02:30</issued>
    <title>Desmantelamento de um rio</title>
    <published>2012-01-05T01:10:02Z</published>
    <updated>2012-01-11T22:01:00Z</updated>
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    <content type="html">&lt;div id="fb-root"&gt;&lt;/div&gt;



&lt;p&gt;Arranco os autocolantes da parede do quarto do nosso filho,&lt;br /&gt;como se a faca eléctrica da cozinha me atravessasse o braço.&lt;br /&gt;Sou eu que apago os seus desenhos na parede. Não são riscos,&lt;br /&gt;são desenhos. Há lápis de cera espalhados e partidos pelo chão.&lt;br /&gt;Depois de nós, esta morada terá outros nomes e chegarão cartas&lt;br /&gt;pacientes à caixa do correio. Agora, são impossíveis de imaginar,&lt;br /&gt;como o nosso ontem será impossível de imaginar. Foi aos poucos&lt;br /&gt;que ficou apenas o sofá e as recusas e os armários esventrados.&lt;br /&gt;Foi muito demoradamente que chegaram as noites em que durmo&lt;br /&gt;no sofá, sob um cobertor oferecido pela minha mãe ou pela tua.&lt;br /&gt;Por fim, tenho tempo para habituar os olhos às sombras e avaliar&lt;br /&gt;a devastação, acordar com o frio da madrugada, o esquecimento,&lt;br /&gt;e assistir àquela hora azul em que já não é de noite, mas em que&lt;br /&gt;ainda falta tanto para ser de dia. Despejo no fundo de um saco&lt;br /&gt;tudo o que está naquela gaveta que nunca ninguém arrumou.&lt;br /&gt;À minha volta, há caixotes que servem para guardar os livros,&lt;br /&gt;já estão divididos. Escolho o lugar para pousar os pés. Fizemos&lt;br /&gt;coisas nesta sala vazia, tivemos pensamentos, aprendemos&lt;br /&gt;alfabetos. Resta-me agora o que sempre tive e, como se caísse&lt;br /&gt;desamparado na banheira, prossigo e continuo o meu trabalho,&lt;br /&gt;como se batesse com a cabeça na esquina de uma gaveta,&lt;br /&gt;prossigo e continuo o meu trabalho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;José Luís Peixoto, in &lt;em&gt;Gaveta de Papéis&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=RmaTH6PSuhI88WBHcm7H"&gt;&lt;img style="border: 0px currentColor;" src="http://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B48073e1a/9850280_JJV0g.jpeg" alt="" width="323" height="500" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;

&lt;br&gt;

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    <issued>2012-01-03T14:48:09</issued>
    <title>Voltar a casa</title>
    <published>2012-01-03T14:49:42Z</published>
    <updated>2012-01-11T22:02:54Z</updated>
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&lt;p&gt;Devagar, aproximo a colher, oblíqua, do centro do prato. Por um instante, a circunferência de caldo e a colher formam um exemplo geométrico, são como a ilustração de ângulos num manual de matemática. Sinto o cheiro a conforto morno, a casa, a bem-estar, a inverno agasalhado. Abro caminho com a ponta da colher entre fios de couve, finos e embaraçados como ninhos de pardais. Quando a colher já está cheia e a levanto, não penso em mais do que na sua própria imagem. Fixo-a como se já lhe soubesse o sabor. Confirmo o melhor desse conhecimento no fim do gesto. Caldo verde. Fecho os olhos por um momento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Após esse momento, o mundo reaparece. A minha mãe dá voltas à mesa. Tem pressa talvez por não querer que este tempo acabe. A sua imagem pisca de um e de outro lado da mesa. Antes de eu chegar, eu sei que a minha mãe enrolou folhas de couve na mão. Aproximou-as das lâminas do aparelho de ferro que as cortou em fios, a rodar por meio de uma manivela, preso à mesa por um grampo. Tenho essa memória desde pequeno, o som das folhas grossas de couve a serem cortadas, a sua cor verde-escura e o seu cheiro fresco, também verde. A voz da minha mãe mistura-se com o sabor da sopa. Diz-me: sabes quem é que morreu? Não sei, mas quero saber. Então, a minha mãe perde a pressa. Faz uma pausa para dar dois ou três passos, que se ouvem chinelados no chão. Dentro de mim, preencho esse silêncio com uma sucessão de rostos da minha infância.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi o Ti Zé Rente-às-Orelhas, diz a minha mãe. Quem? A minha mãe tenta explicar melhor: foi aquele homenzinho que morava na entrada da Devesa, vizinho do Mané Fãfã, o viúvo da Ti Chica Estreita. Eu conheço esses nomes, já os ouvi muitas vezes no meio de conversas, mas não estou a ser capaz de identificá-los. A minha mãe escandaliza-se: não sabes quem é o Mané Fãfã? Andaste à escola com dois sobrinhos dele, os filhos do latoeiro, o Armindo e o irmão mais novo do Armindo. Esses conheço bem: sim, claro, os filhos do latoeiro. O Mané Fãfã é irmão do latoeiro? Não, responde a minha mãe, o Mané Fãfã é irmão da mulher do latoeiro, a Rosalinda. Lembro-me dessa mulher, chegou a dar-me pão com mel quando brincava com os seus filhos, mas não sabia que tinha irmãos. Afinal tem, à farta, a minha mãe explica-me que essa mulher é a única rapariga de cinco filhos. Outro irmão dela é o Raposo. Até que enfim: ah, o Mané Fãfã é irmão do Raposo? Assisti-lhe a muitos jogos de sueca. Coitado. Que idade tinha? A minha mãe diz-me que não foi o Mané Fãfã que morreu, foi o seu vizinho, o Ti Zé Rente-às-Orelhas, um homem magro, solteirão, com mais de noventa anos, muito bem falante, mas bastante mouco. Morreu a ver a telenovela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não lhe recordo o rosto e, no entanto, consigo imaginar esse homem como se adormecesse, a merecer descanso. Digo: só me lembro do Mané Fãfã ter uma vizinha, aquela mulher maluca, despenteada, despassarada, a Violante. Com paciência, a minha mãe explica-me: essa é a vizinha de um lado. O Ti Zé Rente-às-Orelhas era o vizinho do outro lado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;José Luís Peixoto, in revista UP (Dezembro, 2011)&lt;/p&gt;
&lt;br&gt;
&lt;br&gt;
&lt;div class="fb-like"&gt;&lt;/div&gt;</content>
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    <issued>2011-12-20T12:01:06</issued>
    <title>el libro y el tatuaje</title>
    <published>2011-12-20T12:03:37Z</published>
    <updated>2011-12-20T12:03:37Z</updated>
    <category term="libro"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=uqZ83BKhdJwp2upv5H6u"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B5107e4ce/9760894_gcVJl.png" alt="" width="500" height="375" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-12-14T22:03:08</issued>
    <title>Reading and Interview at Warwick University</title>
    <published>2011-12-14T22:16:50Z</published>
    <updated>2011-12-14T22:16:50Z</updated>
    <category term="morreste-me"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;José Luís Peixoto reads from his first text &lt;em&gt;Morreste-me&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;You Died on Me&lt;/em&gt;) along with translator and Warwick MA student, Phil Jourdan. Peixoto reads the first two paragraphs in the original Portuguese. Jourdan reads the whole first chapter in English translation.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://www2.warwick.ac.uk/fac/arts/english/writingprog/archive/writers/peixotojoseluis/091210a"&gt;Click here to listen to reading&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;José Luís Peixoto is interviewed by Warwick MA student, Phil Jourdan, who has translated Peixoto's first text &lt;em&gt;Morreste-me&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;You Died on Me&lt;/em&gt;) into English.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a href="http://www2.warwick.ac.uk/fac/arts/english/writingprog/archive/writers/peixotojoseluis/091210b"&gt;Click here to listen to interview&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; A written translation by Jourdan was published in English for the Warwick Review, a literary journal published in the UK.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-12-14T10:20:15</issued>
    <title>Somos a primeira pessoa do plural</title>
    <published>2011-12-14T10:23:59Z</published>
    <updated>2011-12-14T10:26:33Z</updated>
    <category term="biblioteca"/>
    <content type="html">&lt;div id="fb-root"&gt;&lt;/div&gt;



&lt;p&gt;Estamos tão perto uns dos outros. Somos contemporâneos, podemos juntar-nos na mesma frase, conjugarmo-nos no mesmo verbo e, no entanto, carregamos um invisível que nos afasta. Ouvimos os vizinhos de cima a arrastarem cadeiras, a atravessarem o corredor com sapatos de salto alto, a sua roupa molhada pinga sobre a nossa roupa a secar; ouvimos a voz dos vizinhos de baixo, dão gargalhadas, a nossa roupa molhada pinga sobre a roupa deles a secar; cheiramos as torradas dos vizinhos do lado, ouvimo-los a chamar o elevador e, no entanto, o nosso maior problema não é apenas não nos reconhecermos na rua. O nosso problema grande é estarmos convencidos que os problemas deles não nos dizem respeito. A nossa tragédia é acharmos que não temos nada a ver com isso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há três ou quatro anos, caminhava com um conhecido no aeroporto. De repente, ouviu-se um estalido. Ele agarrou-se ao peito com as duas mãos, caiu de joelhos e, pálido, esperou por morrer. Não morreu. Tinha-lhe rebentado um isqueiro no bolso da camisa. Aliviado, encostado a um balcão, a beber um copo de água, explicou que esse ardor repentino e esse susto pareceram-lhe um ataque cardíaco. Nunca tinha tido um ataque cardíaco antes, por isso confiou em descrições vagas, a que nunca tinha realmente prestado muita atenção. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Há alguns anos também, talvez um pouco mais do que três ou quatro, tinha acabado de participar num jantar cordial, reconfortante. Toda a gente estava bem disposta, à porta dos anfitriões, longa despedida, graças, à espera de táxi. De repente, tocou o telefone de um senhor com quem tinha estado a conversar durante todo o serão. Ninguém reparou nesse telefonema até ao momento em que o senhor começou a chorar convulsivamente. Ficámos todos a olhar sem saber como chegar até ele. Tínhamos braços, estendíamo-los na sua direcção, mas continuavam distantes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Irritamo-nos com a existência uns dos outros. Fazemos sinais de luzes àquele homem com setenta anos, num carro dos anos setenta, que anda a setenta quilómetros por hora na auto-estrada. Contrariados, esperamos por aquela pessoa que atravessa a passadeira, enchemos as bochechas de ar e sopramos. Impacientes, batemos no volante. Daí a minutos, depois de estacionarmos o carro, somos essa pessoa a atravessar a passadeira. Da mesma maneira, daqui a algum tempo, não muito, seremos esse homem com setenta, dos setenta, a setenta. O tempo passa. Se deitarmos lixo para o chão, alguém o apanhará.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um amigo que teve um AVC, que passou por uma reabilitação profunda, que enfrentou a morte e a paralisia, depois de anos de fisioterapia, depois de esforço gigante e sofrimento gigante, falou-me da forma como esse susto muda tudo. Passa-se a apreciar aquilo que realmente importa. A imensa maioria das preocupações transformam-se em luxos ridículos, desprezíveis, alimentados pela cegueira. Após essa experiência de quase morte, ganha-se uma nitidez invulgar, que, no entanto, esteve sempre lá. Para percebê-la, bastava levar a sério a promessa de transitoriedade de tudo e, também, levar a sério essa palavra, esse planeta: o amor. Ao ouvi-lo, fui capaz de entender aquilo que dizia. Depois, também fui capaz de entender quando me disse: mas, sabes, ao fim de algum tempo, esquecemo-nos, voltamos a tomar tudo por garantido e voltamos a cometer os mesmos erros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Repito para mim próprio: estamos tão perto uns dos outros. Não há nenhum motivo para acreditarmos que ganhamos se os outros perderem. Os outros não são outros porque levam muito daquilo que nos pertence e que só pode existir sendo levado por eles. Eles definem-nos tanto quanto nós os definimos a eles. Eles são nós. Eles somos nós. Se tivermos essa consciência, podemos usar todo o seu tamanho. Mesmo que pudéssemos existir sozinhos, de olhos fechados, com os ouvidos tapados, seríamos já bastante grandes, mas existe algo muito maior do que nós. Fazemos parte dessa imensidão. Somos essa imensidão que, vista daqui, parece infinita. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;José Luís Peixoto, in revista Visão (Dezembro 2011)&lt;/p&gt;
&lt;br&gt;
&lt;br&gt;
&lt;div class="fb-like"&gt;&lt;/div&gt;</content>
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    <issued>2011-12-11T16:05:18</issued>
    <title>Grande reportagem SIC sobre encenação de "À manhã"</title>
    <published>2011-12-11T16:12:22Z</published>
    <updated>2011-12-11T16:12:22Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p&gt;Grande Reportagem SIC sobre a encenação da peça "À manhã", de José Luís Peixoto, em Trás-os-Montes pelo Grupo de Teatro Filandorra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um retrato do encontro entre os actores e a população, entre a ficção e a realidade, um retrato do interior envelhecido e isolado de Portugal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;"O teatro e as serras", uma reportagem de Sofia Arêde e João Gomes (imagem), com edição de imagem de Ricardo Tenreiro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;br&gt;
&lt;object width="390" height="270"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/u0XJoCCEQvs?version=3&amp;amp;hl=en_US"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/u0XJoCCEQvs?version=3&amp;amp;hl=en_US" type="application/x-shockwave-flash" width="390" height="270" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;</content>
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    <issued>2011-12-07T15:44:42</issued>
    <title>Abraço no Ler mais, Ler melhor</title>
    <published>2011-12-07T15:45:25Z</published>
    <updated>2011-12-14T10:40:34Z</updated>
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    <issued>2011-12-07T15:35:10</issued>
    <title>Abraço em Ponte de Sor, Aveiro e Leiria</title>
    <published>2011-12-07T15:37:26Z</published>
    <updated>2011-12-07T15:37:26Z</updated>
    <category term="abraço"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;10 de Dezembro - 15h - Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;19 de Dezembro - 18h30 - Livraria Bertrand (Fórum Aveiro)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;20 de Dezembro - 18h30 - Livraria Arquivo, Leiria&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-12-03T17:34:57</issued>
    <title>Abraço nas livrarias Fnac 2011</title>
    <published>2011-12-03T17:47:28Z</published>
    <updated>2011-12-03T17:54:54Z</updated>
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    <content type="html">&lt;div id="fb-root"&gt;&lt;/div&gt;


&lt;p&gt;5 de Dezembro - 18h30 - Fnac Colombo - Apresentação&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;6 de Dezembro - 18h30 - Fnac Vasco da Gama - Autógrafos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;7 de Dezembro - 21h30 - Fnac Coimbra - Apresentação&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;8 de Dezembro - 15h - Fnac Alfragide - Autógrafos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;8 de Dezembro - 18h30- Fnac Chiado - Apresentação&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;9 de Dezembro - 18h30 - Fnac Guia/Algarve - Apresentação&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;11 de Dezembro - 18h30 - Fnac Cascais - Apresentação&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;15 de Dezembro - 18h30 - Fnac Braga - Apresentação&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;16 de Dezembro - 21h30 - Fnac Gaia - Apresentação&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;17 de Dezembro - 18h30 - Fnac Santa Catarina - Autógrafos&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;17 de Dezembro - 22h 00 - Fnac Norte Shopping - Apresentação&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;18 de Dezembro - 18h30 - Fnac Guimarães - Apresentação&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=FW4V8uQJj8YmDT4PM3nQ"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bb607c4c6/9509356_5uMOR.jpeg" alt="" width="375" height="500" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;br&gt;
&lt;br&gt;

&lt;div class="fb-like"&gt;&lt;/div&gt;</content>
  </entry>
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    <issued>2011-12-01T09:08:01</issued>
    <title>Entrevista sobre Abraço no Correio da Manhã</title>
    <published>2011-12-01T09:09:53Z</published>
    <updated>2011-12-01T09:22:40Z</updated>
    <category term="abraço"/>
    <category term="imprensa"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Correio da Manhã - Apesar de ‘Abraço' ser formado por crónicas isoladas pode ser lido como um romance, dada a continuidade que passa. Foi fácil a articulação?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; José Luís Peixoto -&lt;/strong&gt; Para mim, o que foi mais difícil e o maior desafio na construção deste livro foi justamente a selecção dos textos e a sua organização. No momento em que me propus a transformar todo o material que tinha - que eram dez anos de publicações em revistas e jornais - não era muito evidente como ia pegar naquilo e dar a forma que eu queria. Encontrar um fio narrativo, uma sequência lógica que permitisse criar um livro e não num simples arquivo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Houve então uma intenção de criar uma sequência.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Sim. E a estrutura do livro é próxima da árvore, no sentido em que tem um tronco com diversas ramificações. Esse tronco, a partir do qual tudo vai derivando, é uma sequência autobiográfica, o que faz com que o livro seja, em certa medida, um livro de memórias. Desde a minha primeira memória, até episódios muito recentes da minha vida. Tudo acaba por assentar em três pilares, que são três idades: os seis, os 14 e os 36 anos. De certa forma quis que isso fosse sugerido por um texto que é o primeiro e que está fora dessa estrutura. É um texto em que falo dos meus filhos. As idades de seis e 14 são as dos meus filhos e 36 a minha própria idade quando terminei o livro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Há uma crónica em que se fala do acto de se expor e não se ver problema nisso. Não há, portanto, receio de partilhar a intimidade?&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Não, este livro entra muito profundamente na intimidade. Há textos que estão muito nesse âmbito. Não vejo motivo para as pessoas se surpreenderem com a intimidade. Não se está a revelar nada que não seja da esfera do humano. Chorar, por exemplo, toda a gente chora... As coisas consideradas mais íntimas toda a gente as faz. Daí este título, ‘Abraço', ser tão afectivo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- E caloroso.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Sim, porque é humano. É algo que é transmitido de uma pessoa para a outra. E isso é algo de precioso. Parece quase um slogan, mas enquanto estava às voltas com a organização deste livro, pensei no que era mais importante para mim. Por um lado, estava restringido pelo que tinha, por outro o que queria dizer e dar aos outros. A conclusão que cheguei é que queria fazer alguma coisa sobre o que é mais importante para mim. São os meus filhos. Há aquela palavra sobre-utilizada, que talvez o seja devido à sua importância, que é o amor. O primeiro texto do livro, em que o meu filho mais novo me vai perguntando sucessivos ‘porquês?' a partir de uma afirmação simples. A resposta final acaba por ser "Porque o amor, filho." No fundo é isso: quando penso naquilo que é efectivamente importante para mim, e coloco uma lupa em cima disso, e quando penso no que faz ficar de consciência tranquila de dar aos outros vai sempre dar ao amor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- O livro assenta muito nos conceitos ‘família', ‘paternidade', ‘amor', ‘morte'...&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Às vezes, para mim, também é importante dizer aos leitores que sou uma pessoa. Os autores muito facilmente podem ser desumanizados, apesar de fazerem algo de tão humano como a escrita. A relação entre o leitor e o autor é bastante distante, porque se processa através das palavras e através de um meio que não privilegia o contacto directo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- O seu estilo contraria isso.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Tento aproximar-me e dizer às pessoas que aquilo que faço é o que elas fazem. É o que toda a gente faz. Até a Rainha de Inglaterra.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Por outro lado, fala-se de Facebook, fala de uma tampa de caneta esquecida num bolso ou de uma rapariga na esplanada. Há aqui um elogio das coisas simples?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Sim. E do presente e do prosaico. A soma disso acaba por ser a nossa vida. Isso faz-me pensar na importância destes textos para mim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- E revê-se em todos eles? Até nos mais antigos?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Neste livro, dos textos que publiquei nas mais diversas publicações, os que não estão neste livro são os que considero que não têm validade. Esta é a escolha daqueles que merecem ser lidos no futuro. Um livro como este corre o risco de ser subvalorizado por não ser um romance nem um texto inédito. Tenho muita pena se isso acontecer e vou fazer de tudo para que tal não aconteça. Sinto que se há algo que a mim me dá uma imagem do que foi o meu trabalho de escrita nos últimos dez anos é este livro. Quais foram os meus interesses, os meus temas... Há inúmeras situações, personagens, lugares dos meus romances que se percebem aqui de onde vêm. Para mim, este livro é tão importante quanto os restantes. Não é um repositório, um caixote, uma gaveta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- É, portanto, um livro de balanço de uma década?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Exactamente. Precisava de organizar tudo o que tinha. Não no sentido de organizar os papéis que tinha lá em casa, mas organizar a minha cabeça e para poder ter novas ideias. É muito importante tirarmos do nosso sistema o que temos para termos novas ideias. Precisava de fazer o balanço de todas estas questões para avançar com novas ideias.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- O ‘Abraço' é o fechar de um ciclo?&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Sim, este novo livro fecha um ciclo. Não porque abandone alguns temas que, se calhar, não tenho completamente resolvidos, mas também por fico com uma noção muito mais clara do que me falta dizer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Um tema que tem sido muito focado na sua obra e, obviamente, retratado neste livro, são as suas raízes, na Galveias. É um desses temas que nunca ficarão resolvidos?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- No que diz respeito à minha terra e ao Alentejo, ainda só comecei a escrever sobre o tema. Tenho muito para dizer. Há aí uma coisa que me fascina e que faz parte de mim que é a procura de um lugar no Mundo. Falando de tantos temas, este livro fala de viagens, de desenraizamento, de aeroportos, de hotéis. Quanto mais viajo, mais me interrogo sobre o meu lugar e sobre essa ligação quase sagrada que tenho com esse ponto do Mundo onde nasci e cresci e me formei.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Aos 37 anos, tem mais respostas ou mais questões sobre esse lugar?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Sinto que tenho mais respostas, do que as que já tive. Tenho mais a dizer, mais palavras dentro de mim. No entanto, isso implica que tenha também mais perguntas. Ao mesmo tempo, sinto que há questões para as quais nunca vou ter respostas e isso não me angustia. Pelo contrário: até aceito como um aspecto positivo, porque sei que ter um ânimo permanente, um horizonte é importante... até aos 150 anos! Não há limite para isso. Esse horizonte, essa capacidade de continuar a ser estimulado por perguntas é um elemento inerente de estar vivo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Considera-se um escritor filósofo?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Não. Sinto que, em certa medida, a filosofia está presente em todas as formas de expressão e reflexão. Seria um pouco forte pensar isso. Não sendo um filósofo, sinto que há uma filosofia presente naquilo que escrevo. Da mesma maneira que, não sendo músico, existe alguma musicalidade nos meus textos. São elementos inerentes ao discurso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- O ‘Abraço' é o livro certo, de passagem, após o êxito crítico de ‘Livro'?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Para mim faz sentido. Mais do que enquanto obra, do ponto de vista pessoal. Não consigo escrever um romance por ano. Neste momento da minha vida, não tenho assunto suficiente para escrever um romance por ano. Tendo publicado um romance no ano passado, dificilmente conseguiria ter um romance publicado neste ano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Não gosta de trabalhar à pressa?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Não consigo. Sinto, de alguma forma, que o ‘Livro' marcou um momento que também foi um degrau acima daquilo que tinha feito antes. E, de certa forma, um balanço. O ‘Abraço' acaba também por ter esse carácter. É importante resolver algumas questões que estão em mim, para depois seguir em frente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Apesar disso, a sua carreira literária, nesta última década foi extensa. Além de quatro romances, publicou inúmeras crónicas, peças de teatro e até letras de músicas.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Este livro acaba por ser também um aspecto fundamental da minha acção. Ao fazê-lo, gosto de pensar que estou a reconhecer a importância a essa produção. Estes textos terão validade, espero eu, dentro de um ano, cinco anos, ou até depois.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- A tecnologia veio corromper a leitura?&lt;/strong&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Acredito que a tecnologia não compromete e pode oferecer novas formas de comunicação e novas perspectivas sobre esta área tão antiga que é a escrita. Pessoalmente, tenho interesse em fazer parte dessa procura e não temê-la. A validade de uma forma de expressão é tanto maior quanto mais conseguir resistir às diversas realidades humanas. E a escrita retrata de forma muito presente essas novas formas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- É poeta e este ano o Nobel reconheceu o sueco Tomas Tranströmer. Foi importante para o género literário esta distinção?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Confesso que não conhecia a obra desse autor. É importante que a poesia continue a ser considerada dentro dos níveis de maior reconhecimento da literatura. A poesia é um género muitíssimo importante e nós, em Portugal, sabemo-lo muito bem. Apesar disso, e tendo em conta o mercado, a poesia é colocada num segundo plano. Às vezes parece-me que há muito mais gente a escrever poesia do que a ler poesia. O que também me parece uma perversão completa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Lida bem com a entrega de prémios?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Quem ganha prémios gosta sempre de os ganhar. Também me parece que os prémios e as diversas formas de reconhecimento devem ser relativizadas. Escrever é também uma forma de reflectir sobre nós próprios e sobre o nosso lugar. O olhar que os outros possam ter sobre o nosso trabalho é importante, mas devemos também confiar no nosso próprio olhar. É muito simpático quando os outros nos dizem que gostam, mas não pode ser tudo. Mas é muito bom receber prémios. Normalmente, quem faz um discurso anti-prémios são os que os não recebem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- José Saramago, de quem era admirador, conseguiu receber um Nobel. É possível a língua portuguesa voltar a ser distinguida? Temos mérito para isso?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Claro que sim. A língua portuguesa, para já, tem um potencial extraordinário, com várias obras, neste e no outro lado do Atlântico, a comprovarem-no. No entanto, não me parece que seja interessante fazermos depender da agenda do Prémio Nobel o valor que damos à nossa própria literatura. Se derem Prémios Nobel a autores de língua portuguesa, à partida, parece-me muito justo, se não derem não será por isso que os autores têm menos mérito. Hoje em dia, receber um prémio como esse depende de múltiplos factores e não apenas da qualidade literária. Aquilo que um autor se deve preocupar, em primeiro lugar, é com a sua obra e com a qualidade do que produz. Ter também a consciência tranquila em relação à mensagem que envia para o Mundo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Tem sido visto como um nome da nova literatura portuguesa, juntamente com outros autores como valter hugo mãe ou Gonçalo M. Tavares. Que opinião tem sobre o seu trabalho?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Gosto bastante. São autores muito diferentes, mas há outros nomes de que poderíamos falar, porque também apresentam trabalhos bastante pessoais, no sentido em que não se tratam de autores que, necessariamente, formam um grupo estético. Aprecio bastante e leio. Encontro-os em múltiplas ocasiões e temos oportunidade de falar sobre o que mais nos preocupa e o que mais no interessa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Não existe rivalidade?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Não sinto isso, pessoalmente. Na minha opinião, existe efectivamente uma geração porque se trata de um número bastante coeso no que diz respeito à atenção que merece que têm em comum a particularidade histórica de terem crescido depois do 25 de Abril de 1974. As grandes mudanças estéticas ao nível da literatura sempre estiveram ligadas aos seus contextos históricos e a esta geração coube esta característica de termos vivido neste período.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Não é estranho não haver mulheres mais associadas a essa nova geração?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Isso é incrível. Existem poucas - não digo que não existam nenhumas - e isso será revelador de alguma coisa que não sei muito bem o que é. Curiosamente na poesia têm surgido mais nomes do que na prosa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- O IVA vai manter-se nos 6% ao contrário das outras áreas culturais. Se isso não acontecesse era o fim da indústria?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Para já, é possível que exista aí o facto de termos um secretário de Estado [Francisco José Viegas] que tem uma sensibilidade ligada à literatura, sendo escritor. Sendo editor também tem, possivelmente, consciência do impacto que teria na indústria editorial a subida do IVA. Um impacto do IVA seria tremendo. A área editorial, hoje em dia, já não é um parente pobre. Existem grupos com poder, que movimentam muito dinheiro e que, inclusivamente, têm uma agressividade que não tinham antes. Nessa medida, considero muito importante. Até porque a escrita é uma área da Cultura que é fundamental na construção de uma política cultural. Nem é necessário ir buscar as vitórias internacionais que a literatura portuguesa teve e tem tido, basta ver o próprio papel que ela tem, em Portugal, aos mais diversos níveis. A literatura portuguesa contemporânea está de muitíssima boa saúde. Tudo o que se fizer para manter esse vigor é positivo. Mas sei que é uma área que sofre muito com a crise.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Tal como Francisco José Viegas, era capaz de aceitar um cargo político?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Ainda bem que há pessoas que o fazem, mas pessoalmente seria incapaz. Aí está uma coisa que sei que o futuro não me reserva. Aquilo que sempre quis e continuo a querer é ser escritor e escrever livros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;- Mas foi associado ao arranque do movimento dos indignados. Foi apenas uma questão cívica?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;- Sim. Não vou prescindir das minhas convicções e da minha acção cívica. Em termos de cargos, não me parece que alguma vez me encontre nessa posição.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=nAICVNRPjLYhWIqktkPQ"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B5a07138f/9500297_fPJSH.jpeg" alt="" width="300" height="397" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foto de Duarte Roriz&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-11-30T20:40:41</issued>
    <title>Leitores para Abraço</title>
    <published>2011-11-30T20:42:30Z</published>
    <updated>2011-12-01T09:24:16Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;object width="390" height="270" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true" /&gt;&lt;param name="src" value="http://www.youtube.com/v/XRy0asmK11o?version=3&amp;amp;hl=en_US" /&gt;&lt;embed width="390" height="270" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/XRy0asmK11o?version=3&amp;amp;hl=en_US" allowfullscreen="true" /&gt;&amp;lt;param name="allowscriptaccess"&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-11-29T10:41:49</issued>
    <title>Entrevista sobre Abraço no jornal i</title>
    <published>2011-11-29T10:44:14Z</published>
    <updated>2011-11-29T10:44:14Z</updated>
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    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;strong&gt;“&lt;/strong&gt;Abraço”, o novo trabalho do escritor, chegou ontem às livrarias. Um conjunto de memórias que comemoram dez anos de escritos do autor. “É um livro que pretende ser positivo”, diz&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;José Luís Peixoto chega tranquilo. Mãos nos bolsos, sorriso terno e um punhado de histórias para contar, tantas que a entrevista teve de ser cortada a metade, porque o tempo passou, e chegou a hora do escritor seguir para o Porto para apresentar o mais recente livro, “Abraço”, nas Quintas de Leitura. Uma apresentação de dois dias, em moldes diferentes, para um livro que comemora dez anos de escrita. Um conjunto de recordações a partir de textos que José Luís Peixoto publicou nos mais diversos sítios desde 2001. Ao contrário do que se possa pensar, “Abraço” não é um livro de crónicas. Os textos são ligados por um fio, que lhes dá princípio, meio e fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Podemos dizer que este é um livro de memórias. Das suas.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sim. Tudo se fica a saber nesse livro, ele conta a minha vida ao pormenor. Para mim não é de maneira nenhuma... [Pausa]. Para mim estamos aqui a conversar, não há nada off the record. Alguém que publica um livro destes não tem off the record.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ao longo do livro há vários abraços descritos. O que significa este livro?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Este livro não é um depósito de textos ou uma limpeza da gaveta. Este é, efectivamente, um livro. Organizá-lo foi uma tarefa complicada, deixei de fora mais do que o dobro do seu tamanho [657 páginas].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;São dez anos.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Estes são os textos que considero válidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Válidos?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Que merecem continuar a ser lidos. Queria um livro que tivesse uma narrativa e unidade interna. Tê-lo conseguido é um dos meus maiores orgulhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É por isso que não o assume como livro de crónicas?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Tenho alguma dificuldade em entender o género crónica. É útil e felizmente temos uma boa tradição de espaço para crónicas na imprensa, na medida que permite ao autor ter um contacto mais corrente com o leitor, uma vez que os romances demoram muito a escrever. Quem escreve até beneficia porque evolui a sua escrita. Mas em termos do conceito literário de crónica já tenho duvidas, na medida em que tudo é crónica. Até a ficção é crónica de alguma coisa, daquilo que conhecemos, que vivemos, do que somos. Neste livro existe um fio autobiográfico que acaba por fazer, sem erro, que o consideremos como livro de memórias. No entanto fiz questão de incluir textos ficcionais que nem sempre são óbvios para quem lê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porque mesmo em ficção a sua escrita é autobiográfica?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Todos os textos têm sempre presente tanto a autobiografia como a ficção. Isto é paradoxal, mas faz parte. As palavras que utilizamos e a forma como estruturamos as narrativas, são o reflexo do que somos. Se por um lado nunca podemos descrever aquilo que desconhecemos, também é verdade que ao passarmos essas experiências pelo nosso filtro, retiramos-lhe a imparcialidade absoluta. Há, portanto, um carácter tendencioso e em certa medida, ficcional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Algumas interpretações podem não ser agradáveis. Convive bem com isso?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Convivo e procuro-as de uma forma feroz. De alguma forma este carácter tão autobiográfico do “Abraço” é um reflexo da minha necessidade de me pôr em causa de cada vez que escrevo. Se escrever algo em que as pessoas acreditam, é positivo. Mesmo que isso faça com que as pessoas tenham uma visão negativa de mim, enquanto personagem. O leitor não é indiferente à ideia que possa ter do autor. Muitas vezes chego a intimidades bastante constrangedoras, mas que são uma experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já aconteceu escrever coisas e depois de uma interpretação do leitor, desvendar outras em relação ao que escreveu?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Muitas vezes há coisas que me são mostradas sob uma luz que não tinha considerado. Mas nunca sobre mim próprio. Não me conheço totalmente, mas em relação aos leitores tenho consciência que aquilo que eles podem construir sobre mim é uma personagem. E uma personagem é sempre menor que uma pessoa. Mas admito que este livro dá muitas pistas sobre mim, vai ser difícil contar histórias, sem me repetir, a quem ler o livro. As minhas histórias estão todas aí [aponta para o livro].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Recriou três conversas para o dividirem três partes -uma como seu filho mais novo, a segunda como mais velho e a última consigo próprio. Qual a dose de realidade e de ficção?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Há ficção claro, as conversas não aconteceram naqueles moldes, mas são pilares do livro. A primeira é muito importante porque aparece no início, quando se lançam pressupostos do que vai ser o livro. No fim da conversa com o André [novo] chegamos à resposta: “Porque o amor”. Esse é o grande centro do livro. É um livro com muito afecto, que pretende ser positivo e fazer bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não é uma escrita dura e crua como estamos habituados.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nem pensar. O início é tranquilo porque é infância, alentejana e feliz, quase com um olhar saudoso. Há momentos mais difíceis no livro, mas sinto que o balanço foi feito. Olho para este livro e percebo que a minha vida tem sido gratificante. As experiências dolorosas fizeram-me crescer e sinto-me privilegiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estão presentes várias relações familiares e de amizade. No entanto parece que é dedicado aos seus filhos?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não tenho dúvidas que os meus filhos são os meus maiores feitos. Percebi que poderia ser não apenas uma forma de estruturar o livro, mas poder dizer-lhes: “Isto é o que eu sou”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É uma carta aberta aos seus filhos?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Pode ser. Espero que muitas pessoas possam ler o livro, mas em última análise, no futuro, os destinatários são os meus filhos. A paternidade sempre esteve presente em tudo aquilo que escrevi. Primeiro como filho e aos poucos como pai. Sempre me trouxe muitas questões e me fez saber mais sobre mim. Percebi melhor o meu pai. Quando escrevi o último romance [“Livro”] percebi que de alguma forma o meu pai era eu. Quando nasci ele tinha todo aquele tamanho porque já cá estava. Mas depois eu fui pai. Não sei como dizer... [pausa]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tomou o lugar dele?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;No sentido em que os meus filhos me viam como eu o via a ele. Então havia um desfasamento porque sou uma pessoa com fragilidades, defeitos e múltiplas questões. Claro que imaginar os meus filhos a ler alguns dos textos causa-me algum pudor. E isso já não acontece se pessoas que não conheço os lerem. É a tal coisa que falava antes de me pôr em causa com verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Neste caso com as pessoas próximas.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É fundamental humanizarmo-nos, espero que o livro consiga fazer isso. Mitificamos demasiado as pessoas, tanto políticos, como personalidades. Parece-me um sinal de desconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Num dos textos diz que deseja que não exista pudor na relação pai/filho. Como era com os seus pais?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Acho que sim. Os meus pais são de outra geração, um nasceu nos anos 30 e outro nos 40, e cresceram num meio em que as relações entre pais e filhos eram diferentes. Sempre os tratei por “você”, não pela via Cascais, mas por um certo distanciamento e respeito. Não estou a criticá-los, acho importante que os pais sejam pais, mas há limites que devem ser limados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há três ilustrações no livro. Fale-nos delas.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Dizem respeito a um texto específico. A primeira são as notas da 1ª classe. Dizem que sou “irrequieto e falador”. Pensei chamar assim este livro, é algo que me define um pouco. A segunda é uma entrevista, um pouco radical, à banda que tive aos 18 anos, Hipocondríacos. A última é um autógrafo do Saramago dirigido a José Luís Pacheco, havia muita gente que me chamava assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por falar na banda. A música está muito presente na sua vida e era acérrimo frequentador do Luxe da Bica. Ainda?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Já fui mais, tenho uma vida muito agitada, mas hoje em dia não passa por aí. Acho que já não vou ao Lux há três anos, e à Bica há uns meses. Aproveito o tempo para escrever e ler. Como viajo muito, gosto de sair à noite fora de Portugal. Mas aqui vou a muitos concertos. Por exemplo [começa a procurar qualquer coisa no bolso], já tenho comigo um porta-chaves [mostra] que dá para guardar tampões para os ouvidos. Ou seja, já é de outra maneira. Já me preocupo em ficar surdo. [risos]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem feito letras para músicos e o próximo CD do Jorge Palma tem uma letra sua.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Isso é um feito. Quando fizer a contabilidade da minha vida vou dizer: “Eh pá, fiz uma letra para o Jorge Palma. Fantástico!” A música tem estado presente na minha vida de uma forma diferente e espero que permaneça. Também fiz letras para os Da Weasel, para fadistas e grupos dos mais diversos, até de metal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda ouve heavy metal?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Claro, sempre esteve presente. Às vezes sinto que o metal é uma vocação. Não sei definir, exactamente, porque é que o género me fala tão profundamente. Comecei a ouvir com 11 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que lhe trouxe a infância no Alentejo?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Estrutura. Trouxe-me a minha visão do mundo e como encarar o tempo. Não é uma questão pequena. Diz-se que a fotografia é feita com luz. A escrita é feita com tempo. Não tenho dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por um lado, o Alentejo e Natureza, por outro, a imagem de escrever num lugar escuro, janelas fechadas. Como é feito este equilíbrio?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Escrever é um momento em que se olha para dentro, é, muitas vezes, recordar com os olhos abertos. Não é fundamental ter um grande apelo do exterior, uma grande paisagem, não ajuda à escrita. Distrai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tem uma relação obsessiva com a escrita?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sim, quando estou envolvido na escrita de um romance faço coisas com menos frequência: tomar banho, comer, cortar as unhas [mostra as unhas compridas]. As pessoas próximas sabem que fico ausente. São momentos solitários, mas bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foi pai do João aos 22 anos e o seu pai tinha falecido um ano antes. Como é que se fez esta mudança?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Foi um momento determinante e teve uma repercussão imensa no que escrevo. Foi o momento em que escrevi os meus primeiros livros. O “Morreste-me”, o “Nenhum Olhar”, que nascem dessa constatação de ter terminado uma idade, que para mim era tudo. E ter começado outra de uma forma abrupta e para a qual eu não estava totalmente preparado. Daí que essas questões da paternidade estejam sempre presentes. Os pais são o passado que nós conseguimos compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual a mensagem global do livro?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O centro é o amor, mas existem outros temas: a escrita é um tema muito importante, as viagens, a interrogação sobre o meu próprio lugar no mundo. Sinto que é um livro que pretende ser apaziguador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Reconfortante.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É uma boa palavra. Tenta ser aquilo que um abraço é. Que se oferece sem reservas e que não pede nada em troca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É a mensagem mais importante para os seus filhos?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sim. Quando se encontra alegria e prazer em dar, somos ricos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=pE4gQ9Ijcz7fqwYN67ze"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0d077cce/9493009_0h6AS.png" alt="" width="362" height="355" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-11-26T12:33:05</issued>
    <title>José Luís Peixoto assina coluna na revista Up (revista de bordo da TAP)</title>
    <published>2011-11-26T12:34:27Z</published>
    <updated>2011-11-26T12:38:15Z</updated>
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&lt;p&gt;"Imenso Portugal" é o nome da coluna que José Luís Peixoto assina desde Novembro de 2011 na revista Up, distribuída a bordo dos voos da TAP.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este foi o primeiro texto publicado:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A TORRE DE BELÉM NÃO É VELHA, É NOVA&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu e o meu filho andamos de bicicleta à frente da Torre de Belém. Através de caprichos suaves dos guiadores, para um lado ou para outro, desenhamos curvas longas e invisíveis nas pedras do chão, são lisas, quase não as sentimos. Temos a geometria de gaivotas a planar. O entardecer também é liso, é demorado. O tempo dessa hora cobre-nos com uma cor que gostamos de sentir na pele. Às vezes, o meu filho diz alguma coisa, um desafio, uma ideia que teve; e eu, para recebê-la, persigo a sua voz de menino de seis anos, atravesso uma aragem que chega do Tejo. A voz do meu filho, à frente da Torre de Belém, é como um raio de sol ainda, a luz, um reflexo, o brilho a piscar na superfície das águas do rio. Pedalamos sem querer chegar a lado nenhum, estamos exactamente no lugar em que queremos estar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um dia, talvez chegue o futuro. É possível imaginar toda a espécie de resultados, é mesmo possível imaginar a memória que teremos deste fim de tarde mas, se o fizéssemos, perderíamos os detalhes de estar aqui. Nem o meu filho e nem eu pensamos no que não sabemos se acontecerá. Os instantes sucedem-se à frente da Torre de Belém e, mesmo entardecendo, cada um tem a sua própria claridade, Lisboa enorme, o Tejo enorme, ambos tão serenos. E levantamo-nos do selim, pedalamos de pé, o ângulo de um joelho, o ângulo do outro joelho, um ombro, outro ombro. Passam-nos séculos pelos cabelos à velocidade precisa deste rio, desta torre de pedra erguida para fazer parte de hoje, deste tempo nosso, meu filho. Outros, com propósitos diferentes, estiveram aqui, atravessamos o espaço que deixaram vazio de gente, mas povoado de esperança e certeza. Respiramos séculos, são frescos ao tocar-nos na cara. O oceano não fica longe daqui.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em casa, depois de jantar, depois de uma hora com bonecos de plástico, desenhos de super-heróis com canetas de feltro, vou deitar o meu filho. Chegou finalmente a noite. Ele entra de pijama nos lençóis e eu fico vestido por cima da roupa na cama, ao seu lado. Com a luz apagada, as nossas vozes tornam-se mais importantes, ganham toda a nossa atenção. Atrás da escuridão, apenas o som de carros que passam muito longe, o som que a cidade faz a existir. Então, ele pede para lhe contar uma história. Tenho um braço pousado sobre ele, espécie de abraço, sinto o tamanho pequeno do seu corpo, seis anos, e começo a contar-lhe a história. Não sei quanto tempo dura esse enredo porque, depois, mais tarde, sem explicação, acordo. Ele continua a dormir. Ao levantar-me, tento lembrar o momento em que adormeci. Nunca consigo. Puxo-lhe a roupa da cama até aos ombros e, antes de fechar a porta, só então, fico parado a contemplar esse momento, a compará-lo com todo o tempo que conheço, com todo o tempo que imagino, séculos que me antecederam, que me hão-de suceder, e, como se transbordasse, agradeço ao mundo por aqui ser aqui, por agora ser agora e eu estar cá. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=GDy7aPKiPSTjfP2WjZhk"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4107c340/9482773_ZDfyN.png" alt="" width="251" height="147" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;br&gt;
&lt;br&gt;

&lt;div class="fb-like"&gt;&lt;/div&gt;</content>
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    <issued>2011-11-24T20:16:22</issued>
    <title>José Luís Peixoto apresenta Abraço</title>
    <published>2011-10-24T19:17:49Z</published>
    <updated>2011-11-25T18:23:21Z</updated>
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&lt;object width="370" height="290"&gt;&lt;param name="movie" value="https://www.youtube.com/v/ynzL2VqRxT8?version=3&amp;amp;hl=en_US&amp;amp;hd=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="https://www.youtube.com/v/ynzL2VqRxT8?version=3&amp;amp;hl=en_US&amp;amp;hd=1" type="application/x-shockwave-flash" width="370" height="290" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;
&lt;br&gt;
&lt;br&gt;
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    <issued>2011-11-22T16:11:58</issued>
    <title>Texto incluído em "Abraço"</title>
    <published>2011-11-22T16:15:00Z</published>
    <updated>2011-11-22T16:16:25Z</updated>
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&lt;p&gt;O BARULHO QUE SOU&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não tínhamos baixista, mas nunca sentimos a sua falta. Durante meses não tivemos baterista. Esse sim, era falado, passávamos tardes inteiras a imaginá-lo. Mas essa ausência não nos atrasou, gravámos a primeira &lt;em&gt;demo tape&lt;/em&gt; sem baterista: duas guitarras eléctricas e voz. Depois disso, não era possível o regresso ao nada e, durante alguns meses, tivemos um baterista que não tinha bateria e que não sabia tocar bateria. A sua primeira qualidade era ouvir o mesmo tipo de música que nós. Mais ou menos, claro. No caso de alguém perguntar pelas nossas influências, todos tínhamos um conjunto de bandas diferentes para responder, uma lista. Na escola, depois de muito, conheci um amigo do Índio que tocava bateria, que tinha bateria e que gostava de Grindcore. Eram os inícios dos anos noventa, era o século vinte, era o interior do Alto Alentejo e seria bastante curioso se alguém das matemáticas calculasse as probabilidades de ter acontecido aquilo que aconteceu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O Índio era um dos colegas de turma com quem, nos anos oitenta, trocava cassetes nos intervalos das aulas. Em toda a escola, entre mais de mil alunos, éramos quatro ou cinco. Partilhávamos toda a música pesada que conseguíamos encontrar. Heavy Metal. Quando algum enchia uma cassete gravada da rádio ou de alguém que tinha vindo de fora ou, muito raramente, quando alguém comprava um disco, partilhávamos entre nós. A nossa música era um segredo que quase ninguém tinha interesse de conhecer. As poucas pessoas a quem passávamos os auscultadores, faziam caretas ao mínimo contacto com o som. Esse ainda não era o tempo do Grindcore, dávamos a ouvir bandas como: Iron Maiden, Motörhead, Metallica. Insistíamos para que ouvissem um pouco mais, mas era-lhes intolerável, não reconheciam melodia e diziam que era sempre igual. A palavra que mais utilizavam era "barulho". Fomo-nos habituando a essa decepção repetida. A música que nos elevava, que nos agarrava pelo centro e que levantava cada poro da nossa sensibilidade, era repugnante para quase todos. Essa característica era má e era boa. Era triste não dividirmos a intensidade dessa música com aqueles que eram importantes para nós, mas era bom, muito bom, o muro que essa música levantava entre nós e aqueles que agrediam a nossa adolescência. Todo o tamanho dessa música era um mundo sem eles.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nesse tempo, sempre que faltava um professor, ia à papelaria e folheava a Metal Hammer até a saber de cor. Esperava toda a semana por programas de rádio onde ficava a conhecer bandas como os AC/DC. Esse entusiasmo preenchia-me os dias e, à noite, quando adormecia, sonhava com ele. Aos poucos, saboreando cada passo, ia destapando um universo. Com ele, crescia eu e crescia o meu cabelo. A minha mãe ouvia as mulheres na mercearia a comentarem-lhe o meu penteado e, por graça, oferecia-me uma recompensa de cinco contos. Eu queria que o meu cabelo crescesse depressa. Passou por todas as fases, incluindo a fase "jogador de futebol da América do Sul". Não era um cabelo bonito, mas era forte. Lavado todos os dias, encaracolado em canudos, dava para abanar enquanto ouvia cassetes no meu quarto. O primeiro objecto que comprei com o dinheiro que ganhava a trabalhar no verão foi, aos catorze anos, um gravador. Esse era o aparelho que enchia o meu quarto de música. Depois, aos dezasseis, passei o verão a trabalhar e a pensar na guitarra eléctrica que, no outono, comprei em Lisboa. Também um amplificador, também um pedal de distorção, claro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O facto de eu tocar guitarra eléctrica diz um pouco acerca da qualidade musical da banda. Mas a banda tinha muitas outras qualidades. Ensaiávamos no quarto dos dois irmãos que partilhavam comigo a formação original. O mais velho tinha vivido em Inglaterra e tinha trazido alguns discos. Folheámos o dicionário para escolher um nome. Os critérios eram claros: queríamos uma palavra algo perturbadora e longa, com muitas letras. Chegámos a duas possibilidades: "Hipocondríacos" e "Arteriosclerose". Debatemos o assunto. Não me recordo dos argumentos desse debate, tenho pena. A banda ficou a chamar-se "Hipocondríacos".&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gravámos duas &lt;em&gt;demo tapes&lt;/em&gt;, fizemos a primeira parte de um concerto de uma banda de Thrash Metal da margem sul, Brain Dead, e escrevemos o nome "Hipocondríacos" em dezenas de mesas da escola. Respondemos a um número grande de entrevistas em fanzines de fotocópias, enviámos cassetes para países como a Polónia, a Suíça, os Estados Unidos, o Brasil e muitos outros. Ainda hoje me pergunto o que pensariam esses coleccionadores de música pesada no momento em que ouviam aquelas cassetes, gravadas no quarto dos irmãos. Só muito dificilmente poderiam imaginar as ruas que eu atravessava para chegar ao ensaio, as paisagens de hortas, as paredes de cal a lascar, os rebanhos de ovelhas com que me cruzava, os velhos que ficavam encostados ao cajado, admirados com o cabelo comprido, admirados com as calças de ganga manchadas com lixívia, admirados com as caveiras das t-shirts, os velhos a seguirem cada um dos meus passos, boa tarde, e a serem capazes de embaraçar-me as pernas com o olhar. Quatro ou cinco anos após o fim da banda, a minha mãe ainda recebia cartas endereçadas a "Hipocondríacos", chegavam de vários pontos do mundo e queriam trocar cassetes. Acreditamos que foi a primeira banda a tocar Hardcore/Grindcore em toda a região. Mais cedo ou mais tarde, alguém acabaria por levar o Hardcore/Grindcore ao Alentejo. No início dos anos noventa, século vinte, coube-nos essa honra. Soubemos e sabemos apreciá-la.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=6vwuezAZF60i5ZFpRO4P"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bac075bc7/9468352_MMZ0I.jpeg" alt="" width="110" height="174" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;

&lt;br&gt;
&lt;br&gt;
&lt;div class="fb-like"&gt;&lt;/div&gt;</content>
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    <issued>2011-11-21T09:53:32</issued>
    <title>Texto incluído em "Abraço"</title>
    <published>2011-11-21T09:57:38Z</published>
    <updated>2011-11-21T10:04:43Z</updated>
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&lt;p&gt;A MÃO QUE ME FEZ&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma tanganhada. Muitas vezes vi o meu pai estender a mão direita para crianças, até para mim quando era pequeno, e dizer: dá cá uma tanganhada. Havia um compasso em que as crianças se surpreendiam em silêncio, ficavam a olhar e, depois, devagar, estendiam-lhe também a mão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu tinha três ou quatro anos quando, em horas paradas da tarde, uma mulher aflita atravessou as ruas da vila e o nosso quintal para dar a notícia que o meu pai tinha tido um acidente, uma máquina tinha-lhe arrancado a mão direita. A minha mãe não conseguia respirar. A mensageira era capaz de traçar com o dedo a linha na zona do pulso onde a lâmina lhe tinha acertado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As máquinas da carpintaria do meu pai eram feitas do mesmo sonho que o levou a tentar terminar por correspondência um curso de desenho técnico. Essa força fazia parte da sua natureza e, quando se mostrava, era como um balão. Levantava um voo ligeiro, tranquilo, como se planasse sobre os campos. Eram imensas as paisagens que víamos através dos olhos do meu pai a sonhar, eram sem fim os horizontes que a sua vontade erguia. À hora de jantar, a minha mãe receava a realidade e tentava abrandar-lhe o optimismo, mas nunca conseguia completamente. O meu pai sonhava há muitos anos. Como prova, havia o livro que guardava desde rapaz em que se ensinava a fazer sabão e havia a história muito repetida da invenção que idealizara com o irmão mais velho: fazer gasolina a partir de cascas de laranja.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No pátio da carpintaria do meu pai, havia o barulho de máquinas. Havia a serra alta que atravessava troncos presos a um pequeno vagão que deslizava sobre carris. Havia motosserras com correntes de lâminas que, em certas ocasiões, se rebentavam e saltavam desgovernadas. No interior da carpintaria, havia mais máquinas. A rotação das suas lâminas hipnotizava. Eram máquinas que, ao atravessarem ripas, gritavam sons nasais. Lançavam jorros de maravalhas e um nevoeiro de serradura que enchia toda a carpintaria, que se respirava. Foi numa dessas máquinas que o meu pai teve o acidente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nessa tarde, a minha mãe esteve mais de duas horas submersa em angústia, a imaginar imagens de sangue, até ligarem do hospital para o telefone da vizinha e se saber que não tinha sido assim. O meu pai tinha tido um acidente com uma máquina, tinha sido grave, mas não tinha perdido a mão e havia esperança de que pudesse voltar a usá-la.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Afinal, a lâmina não lhe tinha cortado o pulso, mas sim a palma da mão e a cabeça de alguns dedos. Depois de tirar as ligaduras, a mão foi cicatrizando. Havia um aparelho feito de alumínio e molas, com partes em cabedal para prender o antebraço e os dedos. Esse aparelho servia para recuperar um pouco da forma da mão. Forçava os tendões, era doloroso. Anos depois, quando eu o encontrava abandonado dentro de algum armário, brincava com ele. Parecia a mão de um robot.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O meu pai e os homens que trabalhavam com ele na carpintaria aleijavam as mãos a cada passo. Nenhum se queixava demasiado quando entalava os dedos entre chapas de madeira ou quando lhes acertava com uma martelada e ficava com as unhas negras, sangue pisado. Era incontável o número de lascas de madeiras que se espetavam nas suas mãos ou a quantidade de vezes que os formões ou os serrotes deslizavam e lhes faziam cortes até ao osso. Se não bastasse soprar ou enrolar a mão num lenço de assoar, havia um armário branco, coberto de pó, entre calendários de mulheres nuas, 1979, 1985, 1982, onde havia álcool e, às vezes, algodão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Numa ocasião em que estavam a descarregar pinheiros no pátio, houve um tronco que esmagou o mão de um homem. A aliança de casado cortou-lhe o dedo. Foi o meu pai que o recolheu num frasco e que conduziu o homem até ao hospital. Contava sempre essa história como justificação para não usar aliança.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O meu pai conseguia segurar em tudo, fazer tudo, mas o corte enrolou-lhe a mão direita, encaracolou-lhe os dedos e nunca conseguia abri-la completamente. As unhas cresciam à volta da cabeça dos dedos mindinho, anelar e médio, que eram menores do que o seu tamanho natural. Era essa mão, de pele grossa e áspera, que o meu pai usava para fazer acções melindrosas, pentear as sobrancelhas, contar moedas. Era essa mão que usava para fazer festas no rosto terno das netas. Era essa mão que me dava quando íamos à cidade, passeávamos juntos e acreditávamos que o tempo não tinha fim. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;José Luís Peixoto, in Abraço (Quetzal, Outubro 2011)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=Oo7Vq68Yf0I1UHozuW1B"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Be2073f3a/9461994_Vep74.jpeg" alt="" width="110" height="174" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;br&gt;
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    <issued>2011-11-11T15:59:22</issued>
    <title>Abraço no Jornal de Letras</title>
    <published>2011-11-11T16:01:51Z</published>
    <updated>2011-11-11T16:04:47Z</updated>
    <category term="abraço"/>
    <category term="imprensa"/>
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&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=RGNBv8yNWpY4tzH9cr8o"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6f07565a/9413728_MYYuj.png" alt="" width="455" height="471" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=LZ5vZUZZD4bqUjhDl9by"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bd007b7b6/9413733_4wpYz.png" alt="" width="455" height="303" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=f2FCLvmbrlWh13CTlj1U"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0b07d5bc/9413735_OvB7H.png" alt="" width="500" height="195" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;br&gt;
&lt;br&gt;
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    <issued>2011-11-11T15:45:09</issued>
    <title>Os professores</title>
    <published>2011-11-11T15:48:03Z</published>
    <updated>2011-11-11T16:06:14Z</updated>
    <category term="biblioteca"/>
    <content type="html">&lt;div id="fb-root"&gt;&lt;/div&gt;



&lt;p&gt;O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;José Luís Peixoto, in revista Visão (Outubro, 2011)&lt;/p&gt;


&lt;br&gt;
&lt;br&gt;
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    <issued>2011-11-09T04:34:05</issued>
    <title>Georgetown University, Washington DC</title>
    <published>2011-11-09T04:37:41Z</published>
    <updated>2011-11-09T04:52:38Z</updated>
    <category term="diários de viagem"/>
    <content type="html">&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em Georgetown, tocam os sinos e, em dias de sol como ontem, há alunas loiras na relva a lançarem discos voadores de plástico. A fachada do edifício principal é imponente. Lá dentro, nos corredores, cruzamo-nos com os futuros diplomatas e políticos de diversos países.
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A conversa que tive com alunos do departamento de espanhol e português foi excelente. Houve quem identificasse traços da sua pequena cidade, perto de Tampa, na Flórida, a partir de descrições da vida nas aldeias alentejanas. Ao mesmo tempo, houve quem já conhecesse bem os meus livros e me tivesse perguntas para fazer acerca de personagens secundárias (o cigano de Cemitério de Pianos, por exemplo). Muito bom.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Daqui a dias, o presidente da república chega a Washington. A diplomacia portuguesa na capital americana anda ocupada com os preparativos para recebê-lo. Eu já estou longe, em Boston, pronto para a última apresentação desta série. Será amanhã, na University of Massachusetts.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta deslocação a Washington não teria sido possível sem o trabalho da Coordenadora do Ensino do Português nos EUA, Dra. Fernanda Costa, e da Prof. Patrícia Ferreira. Agradeço.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=V5M8m5Aw6DMaubrJv3mo"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B46077d11/9402542_qdJQp.png" alt="" width="500" height="334" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
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&lt;/p&gt;</content>
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    <issued>2011-11-07T14:51:29</issued>
    <title>Boston College, MIT, Brown University</title>
    <published>2011-11-07T14:57:41Z</published>
    <updated>2011-11-08T01:42:21Z</updated>
    <category term="diários de viagem"/>
    <content type="html">&lt;div id="fb-root"&gt;&lt;/div&gt;



&lt;p&gt;Boston College&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O campus do Boston College parece Hogwarts, a escola de Harry Potter. Como todos as universidades americanas, é deserto na hora das aulas e, depois, nos intervalos, enche-se de alunos. Cheguei numa hora vazia e, por isso, tive oportunidade de desfrutar deste outono de Massachusetts: árvores com folhas de todas as cores, muito sol, muita claridade, ar de uma nitidez gélida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A apresentação decorreu para alunos de língua portuguesa e, por isso, aconteceu parte em português e parte em inglês. As leituras também.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Houve perguntas difíceis. Exemplo: quais as diferenças entre a ditadura de Salazar e de Franco? Esforcei-me por dar uma resposta correcta. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=PY4rkl928Ch0gTh3jSGJ"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B900753bf/9395243_CzmiI.png" alt="" width="495" height="315" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(Um dos refeitórios do Boston College)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;MIT&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Creio que toda a gente que já ouviu falar do MIT, lhe inventa uma imagem. Eu também era assim. Em muitos aspectos, os primeiros passos naqueles corredores corresponderam a essa imagem mas, depois, cruzei-me com um cartaz a anunciar a minha apresentação, estava exactamente ao lado de um cartaz a anunciar um seminário sobre a história do heavy metal. Foi então que comecei remodelar esse meu preconceito. O MIT é, de facto, um lugar onde se procura o conhecimento, onde quer que ele esteja.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A apresentação e as leituras foram feitas em inglês porque a maioria dos presentes eram alunos de literatura (e não de língua). Estas conversas podem ir por muitos caminhos. A conversa do MIT foi por um caminho bastante bom. Um indicador disso mesmo poderá ser a sua duração: 3 horas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Havia também uma boa presença de alunos portugueses de pós-graduação. Estão organizados nos Estados Unidos através da Paps (Portuguese American Post-Graduate Society). Mais tarde, foi bom conversar sobre Portugal com alguns deles. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=mKR7MLbFZEzw7gKzzZjR"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0c07d62e/9395247_JvFIg.png" alt="" width="453" height="289" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(Neste caso, não é o cartaz do seminário de heavy metal que está ao lado)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Brown University (Providence)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Já tinha tido oportunidade de fazer uma apresentação na Brown University, em Providence, Rhode Island. Regressar foi muito bom. Tive oportunidade de rever muita gente, professores, alguns alunos que agora são professores, etc. De novo, fui muito bem recebido pelo professor Onésimo Teotónio Almeida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Além disso, com este outono que já referi, o Campus da Brown estava lindo. Não deve ter sido por acaso que Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft passaram tanto tempo em Providence.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na Brown, dado o nível de a tradição e o desenvolvimento dos estudos portugueses, falei sempre na nossa língua. Se, em Portugal, as pessoas tivessem oportunidade de conhecer o trabalho que é desenvolvido no departamento de estudos portugueses da Brown University iriam ter muito orgulho. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=MeEM4qtKu0DDdFyFG1Qm"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B28073d20/9395256_ZTSut.png" alt="" width="500" height="339" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(Cuidado com os downloads ilegais de software, a polícia do MIT pode apanhar-vos)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nestas apresentações, o apoio de Sofia Soares, Ana Catarina Teixeira e João Caixinha foi imprescindível. Sinto-me muito grato por ele, tanto em nome pessoal, como em nome daquilo que fazem pela divulgação da nossa cultura nos EUA.&lt;/p&gt;
&lt;br&gt;
&lt;br&gt;
&lt;div class="fb-like"&gt;&lt;/div&gt;</content>
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    <issued>2011-10-31T11:26:51</issued>
    <title>José Luís Peixoto in Boston, Providence and Washington</title>
    <published>2011-10-31T11:54:08Z</published>
    <updated>2011-10-31T16:48:21Z</updated>
    <category term="notícias"/>
    <category term="diários de viagem"/>
    <content type="html">&lt;div id="fb-root"&gt;&lt;/div&gt;


&lt;p&gt;After a reading in Harvard University in 2008 and a talk in Brown University in 2009, José Luís Peixoto is now going back to Massachusetts and Rhode Island for a series of talks and readings (also with a passage through Washington DC). Here's the full schedule:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;3rd November 2011&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;10.30 am&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Reading and talk at Boston College&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;5.30 pm&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Reading and talk at MIT (Boston)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;4th November 2011&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;12.30 pm&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Reading and talk at Brown University (Providence)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;7th November 2011&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Reading and talk at Georgetown University (Washington)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;9th November 2011&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;12 pm&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Reading and talk at the Healey Library of the University of Massachussetts (Boston)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=nVYEwYraYLQPS9HHND8w"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1f07b165/9360421_Va80F.png" alt="" width="170" height="109" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=yzdtN1rZuZSgf6OptBSl"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B630787c5/9361281_fUS6h.png" alt="" width="184" height="128" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=jfM7eWF09j9RI84pP472"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c9.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ba8070ab9/9360423_Bjkmd.png" alt="" width="246" height="129" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=wubU8aoMzIIR69UEdBlk"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c10.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6d0783f1/9360426_0whtl.png" alt="" width="367" height="202" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a class="saportelink" href="http://fotos.sapo.pt/peixotoblog/fotos/?uid=B8Z2rpFbLbvBZI6jOHPP"&gt;&lt;img style="border: 0 none;" src="http://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bba07b307/9360432_ItWPQ.png" alt="" width="131" height="137" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;br&gt;
&lt;br&gt;
&lt;div class="fb-like"&gt;&lt;/div&gt;</content>
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