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No âmbito do lançamento da edição peruana do romance 'Nadie Nos Mira', José Luís Peixoto estará presente nas seguintes actividades:

 

7  de setembro, 19h30 - Chepén - Cheng Lhin Club, Calle Lima, 717

12 de setembro, 19h30 - Lima - Centro Cultural de España en Perú, Jirón Natalio Sanchez 181, Cercado de Lima 15046

15 de setembro - Arequipa - Fesival del Libro Arequipa

 

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publicado às 13:27

Caminhamos entre tratores. Os nossos passos resvalam ligeiramente na areia solta e seca, caminhamos numa rua da feira, entre máquinas agrícolas e de construção. São novas, ainda sem riscos e sem uso. O meu pai aproxima-se de pneus de tratores que são quase da sua altura, aproxima-se de empilhadoras, analisa os guiadores e os comandos, ainda com o brilho e com o cheiro da fábrica. Como todas, também esta rua tem arcos geométricos a enfeitá-la, formas que ganharão luz à noite.

 

No lado de fora das muralhas, enquanto procurávamos estacionamento para a carrinha, o meu pai recusava perguntar o caminho a qualquer desconhecido. O meu pai andou na tropa em Évora, reconhece que algo possa ter mudado, talvez não lembre bem certos detalhes, mas jamais admitirá que desconhece a direção a seguir. As estradas estavam cheias de trânsito para a feira, demorámos bastante tempo à procura de estacionamento. O meu pai ia atrás de carros que, segundo ele, pareciam andar também à procura de estacionamento. Essa tática era ineficaz.

 

Chegámos ao Jardim Público a pé. Passámos por um homem a vender gelados, mas a minha mãe convenceu-me a esperar. A minha mãe e a minha irmã queriam ir aos seus assuntos, roupas talvez. O meu pai e eu tínhamos outros interesses. Marcámos uma hora e ficámos de encontrar-nos exatamente ali, naquele banco, perto daquela sombra, com vista para o Palácio de D. Manuel de um lado e, do outro, sobre árvores, para o topo da Igreja de São Francisco.

 

O meu pai e eu caminhámos até ao fundo do jardim. Daí, vi toda a feira de São João. Aquela cidade era diferente da Évora a que chego nos dias de semana das férias do verão. Aquele largo ocupado por barracas de feira e ruído, por carrosséis lá ao fundo, costuma ser um descampado sem gente, onde o meu pai estaciona a camioneta azul, pesada de aros de portas e janelas ou já leve, o meu corpo moído por carregá-los um a um, subindo escadas de prédios em construção, as minhas mãos vincadas pelos seus ângulos. E os homens a saírem da camioneta. E eu a descer da carroçaria, onde vou de pé, de cabelos ao vento, ou sentado, de costas para a cabina. Eu entre os homens.

 

Nos dias de trabalho, o meu pai não me dá privilégios. Pelo contrário, tenho de dar o exemplo, tenho a responsabilidade de representá-lo. Não posso deixá-lo mal.

 

Longe do nosso olhar, imaginadas, a minha mãe e a minha irmã avançavam já nas ruas daquela grande feira, misturadas com a animação. Naquele ponto, perante a paisagem, sei que o meu pai se alegrou com essa ideia, como eu.

 

A caixa de madeira está na nossa casa, na sala. A minha mãe guarda-a como um tesouro. Foi o meu pai que lha fez, que esculpiu o templo romano e as letras da palavra "Évora", coladas sobre o tampo, quase perfeitas. Essa caixa é a prova de que, noutra idade, foram namorados.

 

Faço dezasseis anos em setembro. Entusiasmado, o meu pai tenta interessar-me pelas máquinas, explica-me os prodígios que são capazes de operar, projeta imensas obras invisíveis no interior dos meus pensamentos. E consegue deixar-me alerta, ganha-me a atenção, mas não são as máquinas que me estimulam. É o seu entusiasmo que me entusiasma.

 

José Luís Peixoto, in Revista Up (setembro, 2017)

 

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publicado às 08:48

No jornal Hoy Día (Córdoba, Argentina).

 

Em Lombada Quadrada (Brasil). 

 

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publicado às 08:16

Entre 27 e 31 de agosto, José Luís Peixoto participará em várias atividades literárias na província de Sichuan.

27 de agosto, 19h30 — CHENGDU — Leitura no White Nights Bar ( 白夜 ), na 85 Yulin W Rd, Chengdu

29 de agosto, 20h30 — LUZHOU  — Leitura em lugar a confirmar 

 

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 Luzhou

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publicado às 18:11

Saudade

15.08.17

 

Em momentos como agora, lembro-me de ti com muita força, com detalhes. Saber que existes neste mesmo instante, lá longe, inunda-me.

 

Sinto a tua falta. Sei que se começasse agora a enumerar as tuas qualidades, haveria de me perder em alguma, enlevado, antes de conseguir dizê-las todas. Ou talvez não seja possível esgotá-las. Foi precisa esta distância para reconhecer aquilo que, aqui, me parece tão evidente.

 

No entanto, há horas em que não estou a pensar em ti. Nesse tempo, ocupo-me de assuntos que estão à distância do braço, basta levantar o nariz para olhá-los de frente. Ainda assim, mesmo então, sei que este é um mundo em que existes. Por baixo de tudo, quase sempre sem palavras, há essa certeza. Seria insuportável um mundo em que não existisses.

 

Os lugares onde fui criança, onde cresci, ou mais tarde, onde a minha vida se decidiu, existem agora, lá longe, indiferentes talvez aos pensamentos que aqui desenvolvo sobre eles. Ao imaginá-los, com a devida diferença horária, deambulo por eles sem corpo, sou apenas olhos, alma, ignorado pelas paredes, pelas ruas, que prosseguem a sua existência sem mim.

 

Portugal, eu sei que uma parte da falta que sinto de ti é falta de mim próprio. Às vezes, misturo-me contigo na minha cabeça. Como um enorme espaço vazio, como um fantasma invisível, a ausência daquele que fui passeia-se em ti, Portugal. Como um eco que só eu sou capaz de ouvir, as tais paredes e as tais ruas ainda guardam a imagem daquele que fui, das ilusões que tinha, todas essas idades irrecuperáveis. Velhos que conheci novos passam a coxear por esses lugares e não me distinguem nas suas lembranças, crianças que não tinham nascido passam a correr por esses lugares e não me distinguem na sua imaginação.

 

Mas também sei, Portugal, que uma parte enorme da falta que sinto de ti é falta desse teu corpo subjetivo, desse teu ar, do teu porte, da tua presença física. Às vezes, nos lugares por onde passo, quando me lembro de ti como agora, quando me enches os olhos, parece que te vejo em toda a parte. Os sentidos enganam-me. Começa a parecer-me, por exemplo, que as pessoas lá ao fundo estão a falar em português. À distância de lhes distinguir o entusiasmo vago, mas sem lhe identificar a estrutura, sem divisão silábica rigorosa, parece-me que estão a falar em português, aproximo-me esperançado e, de repente, percebo que não e, por instantes, tudo em mim é injustificado: a minha postura, a minha posição, o meu posto. Foi precisa esta distância para reconhecer o privilégio, tão evidente, de estar rodeado de pessoas a falarem a mesma língua que eu.

 

Mas haveria muito mais, Portugal. És família profunda, és terra. És toda a história e todo o futuro, não exagero, és caminho. Como disse, não vou aqui enumerar tudo o que te distingue aos meus olhos. Sinto a tua falta, mas não chego a lugares onde não estejas. Levo-te comigo, Portugal. Estás agarrado à minha pele, à minha voz, a tudo o que sou capaz de pensar, sentir e ser. É através de ti, Portugal, que entendo o mundo inteiro.

 

José Luís Peixoto, in revista UP (Março, 2015)

 

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publicado às 10:27

 

 

As nossas vozes misturavam-se com o rumor da água a correr, água atravessada por raios bem desenhados de claridade, som muito puro, quase silêncio, que restolhava em todas as pedras polidas ao longo do seu caminho. As sombras mais suaves das árvores eram levadas por essa corrente branda e também elas se misturavam com o tamanho daquelas tardes de verão. Eram tardes que, parecia-nos, jamais encontrariam o seu fim.

 

Tínhamos chegado ali de bicicleta. Primeiro, a pedalarmos pelas ruas pavimentadas da nossa aldeia e, depois, por estradas que só nós conhecíamos, torrões de terra a desfazerem-se sob os pneus. De um lado e de outro, estendiam-se paisagens cobertas por mantos de cigarras que, àquela hora, eram incandescentes, incendiadas pelo sol. Por fim, à beira da ribeira, enquanto despíamos a camisola, era esse calor e essa sede que levávamos na pele.

 

Entrávamos devagar na água, dissolvíamo-nos nela. Assentávamos os pés sobre seixos arredondados por muitos verões, por muitas férias grandes, por camadas de limos, como veludo. Em níveis, passo a passo, saciávamos o corpo: até aos joelhos, até à cintura, até aos ombros e mergulhávamos a cabeça. A água era leve, os nossos braços atravessavam essa matéria fina e translúcida, os nossos movimentos abrandavam apenas o suficiente para serem justos. Se nos deixávamos cair para trás, deitados na água, a flutuarmos como folhas de árvores inclinadas sobre a ribeira, tínhamos o céu inteiro diante de nós: uma cor única e absoluta, uma certeza tranquilizante.

 

Então, tínhamos a idade de nos deslumbrar com as coisas mais singelas. Se a nossa vida fosse um rio, estávamos muito mais perto da nascente, não éramos ainda capazes de imaginar a foz e, talvez por isso, acordávamos em manhãs inundadas por um presente luminoso, tempo de possibilidades infinitas. Sabíamos que tudo podia acontecer e, com pouco esforço, qualquer coisa ínfima, uma pedrinha atirada às águas da ribeira, podia transformar-se em qualquer coisa grandiosa, todos os nossos sonhos realizados. Essa era a força da nossa imaginação.

 

Era assim e, no entanto, hoje, com tudo o que mudou, continua a ser exatamente assim. Chegamos com os nossos filhos, são pouco mais novos do que nós naquele tempo. Olhamos para eles e conseguimos encontrar-lhes muitas diferenças, o cuidado com que pousam os pés descalços sobre a terra e, depois, sobre os seixos que ainda cobrem a entrada da ribeira, mas há um brilho na pele, uma ilusão no olhar que é a mesma. Os nossos filhos, passados todos estes anos, levam no olhar uma ilusão igual à que levávamos, pouco mais velhos do que eles. Talvez essa ilusão, ou esse brilho, seja um reflexo das águas desta ribeira, talvez a luz do verão se reflita assim nestas águas límpidas. Nesse caso, pode ser que também nós ainda levemos esse brilho, ou essa ilusão, no olhar. Talvez o tempo não tenha passado, o ínfimo pode ainda transformar-se em grandioso, os nossos sonhos estão lá ao fundo, vão realizar-se todos antes de terminar esta tarde imensa de verão.

 

José Luís Peixoto, in revista Up (Agosto 2016)

 

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publicado às 19:51

The World Literature Festival of Sal Island (FLMSal) is the first literary festival held on Cape Verde.

The 2017 edition of FLMSal took place between 6th and 9th July and was attended by 50 writers, translators and scholars coming from 13 nationalities.

José Luís Peixoto is the curator of the festival.

 

O Festival de Literatura-Mundo do Sal (FLMSal) é o primeiro festival literário realizado em Cabo Verde.

A edição do FLMSal de 2017 decorreu de 6 a 9 de Julho na Ilha do Sal e contou com a presença de 50 escritores, tradutores e académicos provenientes de 13 nacionalidades.

José Luís Peixoto é o curador do festival.

 

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publicado às 17:06

 27 julho, 16h30 - Uma viagem até ao Alentejo de Peixoto e de Saramago; Casa Amado e Saramago

 

28 julho, 15h00 – Em Teu Ventre; Casa Amado e Saramago

 

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publicado às 11:42

22 julho, 16h00 - Apresentação de 'A Criança em Ruínas' e do pequeno livro de crónicas 'O Que Dizem os Abraços', uma edição limitada de 70 exemplares.

24 de julho, 19h - Conversa com Guilherme Gontijo Flores.

 

Livraria Arte Letra, Alameda D.Pedro II, 44, 804200600 Curitiba

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publicado às 13:06

19 julho, 19h00 - Apresentação de 'A Criança em Ruínas', na Livraria Blooks, Praia de Botafogo 316, 22250-040 Rio de Janeiro

 

A Criança em Ruínas Rio.jpg

 

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publicado às 11:23



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