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3 mai, 18h30 - Presentation de l'édition arabe du roman "Cimitière des Pianos" - Librairie Kalila Wa Dimna, Avenue Mohammed V, Rabat

 

4 mai, 10h45 - Table ronde - avec la participatión des écrivains et chercheurs: José Luís Peixoto, Souad Bahéchar, Rachid Benlabbah et Samira Douider - Institut des Études Hipano- Lusophones, Avenue Allal El Fassi, Madinat Al Irfane, Rabat

 

4 mai, 15h - Atelier d'écriture - Bibliotéque de l' IEHL.

 

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publicado às 17:23

Faltam-me palavras para explicar a maneira como a lonjura cabe inteira no meu olhar. Possuo longos braços invisíveis. Esta distância amplia-me. Num instante, conheço as brisas desde sempre, temos a mesma idade, tocamo-nos com a mesma pele. Algo de mim sobrevoa estes telhados, ruas, praças, copas de árvores. Um sobressalto acerta-me no fôlego que, de repente, também é imenso. No topo do castelo, debaixo de arcadas góticas, inspiro toda a cidade de Leiria, sinto-a no interior dos pulmões, fresca a esta hora, e expiro-a, sopro-a de volta ao seu lugar justo.

 

Tenho o rabo gelado. Estou sentado num banco de pedra, condensação mineral das sombras de séculos. As vozes da minha mãe, admirada, e da minha irmã, explicativa, chegam-me das costas, embaraçam-se uma na outra. Não se estendem até lá a baixo, ficam aqui, presas às suas teimas, trazem-me de volta para aqui. O meu pai tem as mãos nos bolsos, olha para longe.

 

Entrámos no castelo de Leiria sem dúvidas. A altura das muralhas incentivou-nos, as plantas a crescerem nos interstícios das pedras também. A minha irmã era a primeira a subir os degraus, não sei o que a puxava. Eu seguia-a sob a gentileza das árvores e do céu. Este é um verão gentil, abrandou por nós, atenuou o seu ímpeto para nos permitir esta tarde. Os meus pais vinham atrás, sem pressa, a conversar. Pensei em quantos teriam subido aqueles degraus, sem conseguirem imaginar que repetiríamos os seus passos, agora com sapatilhas, agora com a máquina fotográfica que o meu pai prende com uma correia ao pulso. Estas pedras são feitas de muito tempo.

 

Procuro a carrinha na paisagem. Deixámo-la estacionada junto de um posto da polícia, ideia da minha mãe. Não a encontro. A minha irmã aponta para uma área, como se a própria cidade fosse um mapa aberto à nossa frente. O meu pai discorda, aponta para o centro, a praça principal, aponta para o rio Lis e, a partir dessas referências, calcula mais ou menos a localização da carrinha.

 

Anoiteceu. Estou sentado no banco da frente da carrinha, ouço uma rádio de Leiria, música americana. Lá atrás, já acabaram de montar a cama, colchões de espuma, e já estão todos deitados. O meu pai conversa com a minha irmã acerca dos caminhos da cidade, refere-se ao rio Lis. O meu pai não perde uma oportunidade de dizer esse nome, rio Lis, adora. A minha mãe chama-me. De cuecas e camisola de algodão, estou pronto para dormir. Abro as cortinas que dividem a carrinha e passo para trás.

 

Tenho de ter cuidado para não pisá-los. De um lado, o meu pai; ao meio, a minha mãe; do outro lado, a minha irmã. Deito-me aos seus pés, atravessado. Sou o único que cabe nessa posição. Entro no saco-cama. Quase a sussurrar, a minha mãe termina qualquer ideia e, a seguir, diz: vá, agora vamos dormir. Sinto-os a acomodarem-se e, depois, a repousarem a respiração. Há um instante que permanece. Abro os olhos para vê-lo. As cortinas das janelas estão fechadas, filtram a luz dos candeeiros públicos, transformam-na em penumbra. Passam carros lá fora, os seus faróis dançam no tecto da carrinha.

 

 

 

José Luís Peixoto, in revista UP (maio, 2017)

 

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publicado às 11:02

On the 9th april, 4 pm, José Luís Peixoto will be reading from A Child in Ruins (anthology of Peixoto's poetry, published in the US by Writ Large Press) in Los Angeles, California. 

 

This reading will take place in Clifton's Republic, 648 South Broadway, LA.

 

This event will be held by Angels Flight LIterary West Salon.

 

There will also be readings by Chiwan Choi, Rocío Carlos, Rachel McLeod Kaminer, Arminé Iknadossian and F. Douglas Brown.

 

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publicado às 11:55

Apresentação na Embaixada de Portugal em Deli:

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Conversa com alunos na Universidade de Deli:

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publicado às 10:32

Apresentação na Universidade de Goa:

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Apresentação no Instituto Camões, Goa:

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publicado às 18:18

No âmbito da edição Indiana do livro "Morreste-me", José Luís Peixoto estará presente em diversas actividades em Goa (dia 21 de março) e em Nova Deli (dia 23 de março).

Trata-se de uma edição trilingue: hindi, inglês e português.

A tradução hindi é da autoria de Rahul Khari e de Anil Yadar. 

A tradução inglesa foi feita por Robin Patterson. 

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 Capa da edição Indiana de Morreste-me.

 

 

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publicado às 11:40

José Luís Peixoto partipou na mostra pública POSTER que decorreu em Lisboa. Esta foi uma exposição ao ar livre de posters criados por diversos nomes do panorama cultural português.

O poster de José Luís Peixoto (61x91 cm) está agora disponível para venda aqui.

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publicado às 12:02

Em Teu Ventre

26.02.17

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publicado às 15:26

 

 

Enquanto estamos aqui, eles estão lá. Reconhecer a existência dos outros é o passo mais essencial para respeitá-los.

 

Afirmar o interior do país e o meio rural como uma realidade folclórica, exótica, ligada exclusivamente ao passado, é um insulto. Se existe agora, neste momento, então é presente. Se há quem ande de carroça hoje, então hoje também se anda de carroça. Não é possível levar uma vida no passado, acorda-se sempre no dia em que se está. Defender que a realidade do interior não é contemporânea transporta a visão tendenciosa e preconceituosa de que o nosso tempo é intrinsecamente urbano.

 

Também há quem argumente que o interior já não é rural, que a sua cultura hoje é tão urbana quanto a de qualquer cidade. Há duas possibilidades que contribuem para essa ideia: ignorância ou cegueira. Ou não sabem o que estão a dizer, ouviram daqui e dali e juntaram essas peças segundo o modo como gostam de imaginar o mundo; ou estiveram lá, mas não foram capazes de ver, mediram os outros pelos seus próprios critérios, baralharam as proporções, tomaram alguma coisa por outra coisa qualquer. Acharam talvez que, por haver televisão e Internet, não existia uma forma própria de entender o mundo e a vida.

 

As certezas absolutas que tínhamos acerca da modernidade e do desenvolvimento trouxeram-nos aqui. Foram elas que despovoaram o interior e transformaram aqueles que lá continuam numa minoria. A discrepância é enorme: uma aldeia assinalada no mapa tem menos gente do que o prédio mediano de uma qualquer avenida. Por isso, como sempre acontece com as minorias desfavorecidas (principalmente quando nem sequer são reconhecidas como tal), os seus direitos não são defendidos, a sua cultura é posta em causa.

 

A ruralidade não é o estereótipo da ruralidade. As piadas com personagens do meio rural têm a mesma raiz que as piadas sobre negros, homossexuais ou loiras. A discussão acerca da sua pertinência é a mesma.

 

Porque temos tantos problemas com os outros, mesmo quando estão na sua vida, apenas a lutar por sobreviver? Como nos deixámos convencer que engrandecemos se inferiorizarmos os outros?

 

Neste preciso momento, estamos a preparar o futuro. Se é verdade, apesar de não ser a única verdade, que a ruralidade mantém relações com o passado, temos todo o interesse de aproveitar essa sensibilidade, essa experiência. Não nascemos de geração espontânea. Chegamos de algum lado, que também nos constitui. A nossa história é parte de nós, mesmo que a recusemos. Desprezar a nossa história e a nossa cultura é desprezarmo-nos a nós próprios.

 

Enquanto estamos aqui, eles estão lá. A nossa realidade partilha este tempo com a realidade deles. Este tempo não pertence mais a uns do que outros.

 

Parece-me pertinente considerar a hipótese de que o futuro desejável possa conter um pouco desse mundo. E se o interior do país e a ruralidade contiverem não apenas passado, mas também futuro?

 

Em todos os instantes construímos o que virá. Estamos aqui, existimos, ainda estamos a tempo.

 

José Luís Peixoto, in revista UP, fevereiro de 2017

 

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publicado às 16:01

O livro "A Viagem do Salmão", de Henrique Sá Pessoa e José Luís Peixoto, com fotografias de Nicolas Lemmonier, está na lista de finalistas dos Gourmand Awards 2017, os prémios mundiais atribuídos anualmente a livros de cozinha. Os outros finalistas são dos seguintes países: Dinamarca, Austrália, Estados Unidos, Bahamas, Irlanda e Lituânia. O anúncio dos vencedores será feito a 27 de maio, na cidade de Yantai, na China. 

 

 

 

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publicado às 10:32



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