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Livro em Paris

22.10.10

Sorbonne La Nouvelle (Paris III)

A oportunidade de apresentar Livro na Sorbonne não podia ter sido mais simbólica. Não só pelas páginas que o próprio romance dedica àquele espaço (no qual uma das personagens revela uma certa vergonha de ser português), mas também, e sobretudo, pela própria importância da universidade e por aquilo que um departamento onde se estuda a língua e a literatura portuguesa representa na construção de imagem contemporânea de Portugal em França e junto das novas gerações de portugueses naquele país.

Aquilo que possa aqui escrever sobre o momento da apresentação ficará sempre distante da emoção de perceber que Livro já encontrou leitores entre aqueles que constituem uma parte fundamental da sua matéria. Comovi-me e diverti-me.

Foi uma apresentação memorável, conduzida pela Prof. Ilda Mendes dos Santos.

 

 

Consulado-Geral de Portugal em Paris

Em dia de greve geral, surpreendi-me com o número de pessoas que conseguiram chegar ao Consulado-Geral. Para lá das grandes dificuldades ao nível dos transportes, esse foi o dia em que os jornais franceses não chegaram às bancas (greves na área da distribuição) e foi também o dia em que Paris foi atravessada por uma manifestação gigante.

Apesar da simpatia com que fui recebido, comecei um pouco inibido pela presença das autoridades diplomáticas. Mas, rapidamente, ultrapassei essa inibição. O facto de estar a falar para pessoas que percebiam tão bem, com a experiência da sua vida, aquilo que estava a tentar dizer contribuiu grandemente para que também essa apresentação fosse muito bem sucedida.

Uma das forças maiores que me levaram a escrever este romance e que me levam a tentar fazer o máximo ao meu alcance para que encontre leitores é dizer a todos esses portugueses (em França e no mundo) que, em Portugal, existe quem se lembre deles. Que ajudaram a construir os países que escolheram e que ajudaram também bastante a construir o seu próprio país, o Portugal que hoje somos. Na apresentação do Consulado-Geral, tive oportunidade de dizer-lhes isso mesmo frente a frente. Sinto-me muito grato por esse momento.

 

 

Na hora de pôr a mesa

Tanto na Sorbonne, como no Consulado, houve leitores que me pediram para autografar folhas onde tinham impresso o poema "na hora de pôr a mesa, éramos cinco". Tenho a certeza que existe um silêncio capaz de exprimir aquilo que sinto por encontrar esse poema nas mãos de pessoas que são tão donas dele como eu. Muito obrigado por essa partilha.

 

 

Imprensa da comunidade portuguesa em Paris

Nesta passagem por França, tive alguma oportunidade de responder a entrevistas para rádios e jornais da comunidade portuguesa. O trabalho dessas pessoas é um exemplo daquilo que pode ser feito para que a cultura portuguesa continue acesa e viva.

 

 

Regresso a Portugal

Agora, continuam as apresentações e as sessões de autógrafos de Livro um pouco por todo o país. Dentro das minhas possibilidades físicas, continuarei a fazê-lo. Será bom rever leitores antigos e encontrar novos leitores.

 

 

Próximo diário de viagem

No dia 9 de Novembro, parto para Santiago do Chile, onde irei apresentar uma colectânea de contos e crónicas que apenas será publicada por lá, intitulada "A distância entre a pele e a tatuagem". Irei dar notícias dessa aventura aqui. Até lá.

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publicado às 15:06


3 comentários

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De Marisa a 22.10.2010 às 16:16

Acabei de te ler Livro, li-te de 2a a 6a e não resisti em comentar-te. Sim transformaste-me. Tocaste-me pois eu também vivo essa realidade, se bem que de forma menos brutal. Como tu Livro, tinha umas cuecas azuis, sera que esse ponto comun é relevante? Eu não sei se o é, mas pelo menos fez-me rir!
Livro mostraste-me que Filomena talvez seja o nome que darei à minha filha. Não sei porquê, ao ler aquela pagina 209, soava tão bem.

E sem duvida um livro autêntico a reler. Foi o primeiro que li da sua autoria, mas sei que não sera o ultimo, por isso digo-lhe até breve, numa proxima leitura.
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De Eduarda Correia a 27.10.2010 às 00:56

Sou uma leitora compulsiva. O que procuro nos livros?
Talvez como o Livro do "Livro" me falte uma direcção e a leitura seja uma procura desesperada dessa direcção. Já li todos os livros de José Luís Peixoto. Vou apenas focar-me no "Livro": Também eu cresci numa vila pequena onde conhecia toda a gente e onde a vida das pessoas é mesmo assim como ele escreve. Sente-se a genuinidade dos personagens e das situações que descreve, uma genuinidade que só pode ser feita de vivência concreta e real. Transporta-me aos meus tempos de infância, aqueles em que fui feliz. Depois veio a faculdade, o emprego com responsabilidades e tudo mudou. O José Luís consegue relembrar-me aquele tempo em que era amada pela minha família humilde e no qual estavam todos vivos. Relembra-me também os personagens mais emblemáticos lá da terra, as suas vidas, as suas rotinas, as suas misérias e as suas alegrias, mas sobretudo a sua simplicidade. A maior riqueza dos seus livros é o facto de ele escrever com a alma e escrever sobre a sua vivência de uma forma tão simples e ao mesmo tempo tão original. É isso que o torna o extraordinário escritor que é. Gostei também que tivesse escrito sobre uma época hostil para os portugueses.
Adorei o Ilídio, o Josué, o Cosme, o Galopim, a Adelaide e evidentemente, o Livro. O resto, não tenho palavras para descrever porque me toca directamente a alma.
Obrigada José Luís.
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De Anónimo a 06.11.2010 às 14:59

"A distância entre a pele e a tatuagem"

Santiago do Chile ... um destino magnético ao qual, estou certa, não ficará indiferente (independentemente de quantas vezes por lá passar).
Fica o desafio: Olhar, o seu, sobre Santiago!
Boa viagem e desfrute, os sons das cores dessa região.
Ana Vieira da Silva

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