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Universidade de Poitiers

De cada vez que chego a França, o meu francês surpreende-me sempre. Para além destas visitas ocasionais, treino-o apenas com a leitura. No entanto, mal começo a falar, ele chega de algum lugar que desconheço. Confio nesse mistério e confio nos presentes que me possam ir assistindo com algumas palavras essenciais em falta. Foi também assim na Universidade de Poitiers. Essa tarefa foi facilitada pela presença de vários professores. O problema é quando não encontro sequer em português as palavras que quero dizer. Ainda bem que o francês permite arrastar aquelas vogais a pontuar as pausas, aaaaa, êêêêê. Dão bastante jeito nesses momentos.

 

 

Librairie Gibert Joseph

Visitei França pela primeira vez com os meus pais há 18 anos. Logo nessa vez entrei numa livraria Gibert Joseph. Guardei os sacos amarelos e os marcadores que de lá trouxe durante muito tempo. Também durante anos, guardei e distribuí a descrição daquelas livrarias com quatro andares, cheias de tudo. Impressionavam.

Estava longe de imaginar que, um dia, iria apresentar romances escritos por mim numa dessas livrarias. Aconteceu anteontem. O romance que se comentou e do qual se leu foi "Cemitério de Pianos". A satisfação foi ainda maior por, pela primeira vez, ter tido a oportunidade de encontrar diversas pessoas que já tinham lido os meus três romances publicados em França.

O livro foi apresentado pela professora e tradutora Danielle Schramm.

 

 

Universidade de La Rochelle

Já tinha ouvido falar bastante de La Rochelle. Creio que foi uma sorte chegar aqui com este tempo limpo, com esta luz. É realmente um lugar lindo. Tem aquele ambiente aristocrático das estâncias balneares francesas. As esplanadas, os iates, as ruas de edifícios de pedra branca, janelas altas. Pena ter tanto trabalho em atraso, tantos emails para responder.

No anfiteatro da universidade, mais um momento memorável. É muito gratificante falar dos meus romances com quem fez uma leitura tão atenta deles. É enriquecedor para mim responder sobre pormenores específicos de "Cemitério de Pianos". É uma responsabilidade a que não estou habituado perceber que as pessoas estão a tirar apontamentos de tudo aquilo que digo.

O livro foi apresentado pelo escritor e livreiro Stéphanne Émond.

 

 

Librairie du Rivage, em Royan

Apesar do pouco tempo que estive em Royan, deu para perceber que o número 65 é importante por lá. 65% da população de Royan tem mais de 65 anos. Na apresentação da Librairie du Rivage, a média seria, possivelmente, ainda mais alta.

Esse foi o público ideal para a entrevista que me foi feita por Thierry Guichard (director da revista Le Matricule des Anges). Falando sobre "Cemitério de Pianos" tive oportunidade de desenvolver várias ideias sobre aquele que considero ser o tema central desse romance: a passagem do tempo.

Nos cerca de meia centena de presentes, houve espaço para todo o tipo de encontros. Até para descobrir um assinante francês do Jornal de Letras que decidiu aprender português por conta própria depois de ler a tradução francesa de "Livro do Desassossego".

Antes de deixar Royan, ainda tive uns minutos para confirmar que, no momento em que se discute de modo tão aceso a idade das reformas em França, existe uma cidade onde quase toda a gente permanece alheia a essa discussão porque estão, quase todos, já a desfrutá-la em casas com vista sobre o mar.

 

 

Amanhã, termino a minha participação no Festival Passeurs de Monde(s) na Ilha de Ré (Saint Marie de Ré).

Logo a seguir, Paris (se conseguir comboio para lá chegar).

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publicado às 02:02


2 comentários

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De papu a 16.10.2010 às 12:29

aqui fica mais um olhar sobre o teu cemitério de pianos: http://papuinlondon.blogspot.com/2008/10/leituras.html

hope u like it :)
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De isabel ribeiro a 16.10.2010 às 18:31

O conhecimento passivo das línguas é um fenómeno extraordinário. Quando se começa,a sensação é a de andar no comboio do Tua, aos solavancos, mas com a beleza envolvente da paisagem. Quando a língua flui... qual TGV! A velocidade disfarça as falhas... problemo é quando não se percebe niente de niente. καταστροφή!!!
Em que caixinha estarão elas arrumadas? Na de PAndora, por certo.
Fico contente com essa receptividade. Parabéns. E se França daqui a uns anitos decide fazer a JLP o que fez agora a ALA? Prepare-se! Vai ser mais forte do que regressar à livraria gigante. Boa sorte. :)

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