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Há muitos anos que alimentava o sonho de ir a Moscovo. Um dos textos do livro que vou publicar no final deste mês ("Abraço") fala directamente dessa fantasia. Na verdade, já tinha estado em Moscovo através de Bulgakov e, nesse sentido, foi um regresso a uma cidade onde nunca tinha estado mas que, no entanto, tinha a certeza que ia adorar. 

E adorei.

No nono andar da Universidade Estatal de Moscovo Lomonossov (MGU), na sala Pushkin, tive a oportunidade de falar daquilo que escrevi e publiquei (de "Morreste-me" a "Livro") para alunos dos primeiros, terceiros e quintos anos de língua portuguesa. 

Para mim, neste momento , é difícil exprimir por palavras o quanto foi especial. Quem estava lá, sabe como foi.


Muito obrigado / большое спасибо

до скорой встречи

 

 



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publicado às 11:38

 

 

 

 


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publicado às 21:55

Ada Milani, in L' Indice

 

Lisbona, quartiere Benfica. Una bottega di falegname e, al suo interno, una stanza, prima sbarrata dal tempo e da cianfrusaglie ammucchiate in modo disordinato, poi spalancata, improvvisamente, come una porta sulla notte. La luce che si insinua lentamente, facendosi strada fra polvere e ragnatele, illumina un mondo fatto di oggetti antichi e di ricordi sopiti: “Al centro c’era un muro di pianoforti sovrapposti. La luce attraversava gli spazi vuoti fra uno e l’altro e anche dalla porta si poteva scorgere il labirinto di corridoi nascosti. E su un piano a coda c’era un altro piano a coda, più piccolo e senza gambe; e sopra questo uno verticale, sdraiato; e sopra quello un mucchio di tasti”. È questa l’immagine del cimitero dei pianoforti, da cui prende il nome l’ultimo romanzo di José Luis Peixoto pubblicato in Italia, tradotto da Guia Boni. Il cimitero dei pianoforti è un luogo mitico, che, “come un dito che, sulla tastiera, risveglia un meccanismo sopito”, fa riemergere storie, profumi  e sensazioni di un tempo passato, ma incancellabile.

 

Al centro del romanzo troviamo la figura di Francisco Lázaro, atleta portoghese di umili origini, simbolo di un Portogallo rurale, assurto a vero e proprio eroe della gente comune, che morì, a causa di un’insolazione, dopo aver percorso 30 chilometri alla maratona delle Olimpiadi di Stoccolma del 1912. Nel romanzo, tuttavia, si alternano ben tre voci narranti: quella di Francisco Lázaro maratoneta, quella “postuma” di suo padre, già morto al tempo della narrazione, e quella di suo figlio, venuto alla luce il giorno stesso della morte di Francisco. Tre narratori, tre storie che si alternano e si sovrappongono, ma anche tre voci che si mescolano, non sempre esattamente identificabili.

 

Anche nel Cimitero dei pianoforti, come in ogni romanzo di José Luis Peixoto (classe 1974), la morte è una presenza costante (si pensi, ad esempio, a Nessuno sguardo, che gli è valso il Premio José Saramago nel 2001, e a Una casa nel buio, editi presso La Nuova Frontiera, rispettivamente nel 2002 e nel 2004). In quest’ultimo romanzo, però, la morte si lega indissolubilmente alla nascita: i pianoforti rotti, senza musica, sono l’immagine del tempo fermo, immobile, ma il cimitero dei pianoforti è anche un luogo di rinnovamento. Attraverso i pezzi dei pianoforti ormai morti, infatti, si dà vita ad altri pianoforti, così come il figlio di Francisco Lázaro dà nuova vita ai sogni del padre, che “nei suoi sogni ascoltava i pianoforti come si ascoltano gli amori impossibili”. Il romanzo è un’inevitabile susseguirsi di morti e di nascite e, non a caso, si apre con la scritta “Resurrecturis”, una resurrezione suggerita dallo stesso nome dei protagonisti, Lázaro, quel nome tramandato così orgogliosamente di padre in figlio. “Guardavo i pianoforti morti, mi ricordavo che c’erano pezzi che risuscitavano dentro ad altri pianoforti e credevo che anche la vita potesse essere ricostruita allo stesso modo. Non ero ancora malato, i miei figli crescevano trasformandosi in ragazzi, così come anch’io qualche tempo prima ero stato ragazzo. Il tempo passava. E avevo la certezza che una parte di me, come i pezzi dei pianoforti morti, avrebbe continuato a funzionare dentro di loro”.

 

A partire dal titolo, il romanzo di José Luis Peixoto è costellato di riferimenti musicali e la stessa scrittura sembra concepita secondo un preciso sviluppo ritmico. Il cimitero dei pianoforti sembra articolato secondo criteri che potrebbero regolare una forma musicale: lo stile è a tratti melodioso, di un lirismo quasi romantico, a tratti più movimentato e irregolare o, ancora, rapsodico, frammentario. Nelle pagine conclusive del romanzo, che descrivono la corsa disperata di Francisco Lázaro verso la sua fine, la narrazione diventa infuocata e suggerisce la fatica, la disperazione, l’impossibilità di andare oltre i propri limiti. Francisco Lázaro, come Meursault nel celebre romanzo di Camus (Lo straniero, edizione originale del 1942, edito in Italia da Bompiani nel 1947) è accecato e stordito dal sole, che lo trafigge sotto forma di autentici aghi di luce: “il calore – il fuoco – il calore – le fiamme – il calore – le braci – il calore – non c’è via d’uscita – corro, fuggo – non c’è via d’uscita dal calore, dal fuoco”.

 

Il cimitero dei pianoforti è un romanzo intenso e struggente, che va letto lasciandosi trasportare dalle sensazioni, come fossero note, senza voler decifrare a tutti i costi il labirinto di voci. “Il tempo, come un muro, una torre, una costruzione qualunque, fa sì che non ci sia più distinzione tra verità e menzogna. Il tempo mescola la verità con la menzogna. Quello che è accaduto si mescola con quello che vorrei fosse accaduto e con quello che mi hanno detto sia accaduto. La mia memoria non è mia. La mia memoria sono io distorto dal tempo e mescolato a me stesso: alla mia paura, alla mia colpa, al mio pentimento”. 



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publicado às 21:49

 

Começará a ser distribuído na apresentação na Quinta de Leitura (Teatro do Campo Alegre, Porto) a 27 de Outubro de 2011.

Chegará às livrarias de todo o país a 28 de Outubro de 2011. 



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publicado às 12:44

Ela não sabia que os padeiros estavam em greve. Só soube depois. Ela  tinha ido passar a noite com a prima, estavam sozinhas na barraca de madeira, estavam a dormir, quando foram despertadas pelas chamas. Correu para a porta, tentou abri-la, mas estava fechada. Atrás do rugido do fogo, ouviam-se as vozes dos homens na rua. Com queimaduras em todo o corpo, nas mãos, no rosto, ficou em coma durante três meses e, só depois, soube que os padeiros estavam em greve. Foi por isso que os homens vieram queimar a barraca do tio enquanto ele estava a trabalhar na padaria. Foi por isso que trancaram a porta e não a deixaram sair.

 

Nessa noite, tinha dezassete anos e, no momento em que me conta a sua história, tem vinte e um. É a mais velha, ainda está na associação para continuar a ter oportunidade de estudar em Joanesburgo. Falamos em inglês, mas a sua língua, aquela que a mãe lhe ensinou, é xhosa. Esse é o idioma onde algumas palavras se pronunciam com estalidos da língua. Tenta ensinar a dizer "lagarto" em xhosa, dois estalidos. É muito difícil. Todos nos rimos das tentativas. Ao meu colo está Nkosi, o mais novo, dois anos e oito meses. Nasceu no Zimbabwe e olha para ela com a mesma admiração. Tem o rosto queimado, sem nariz, o lábio de cima desfeito, a pele com uma mistura de tons claros e escuros, cicatrizes grossas negras e manchas claras, dois olhos grandes a verem tudo. Nkosi caiu sobre uma fogueira quando tinha vinte meses. É seropositivo. O seu nome significa: "Obrigado, Deus".

 

Children of Fire, crianças de fogo. Esta associação não governamental foi fundada na África do Sul por Bronwen Jones quando tomou contacto com Dorah Mokoena, uma menina de três anos, que tinha sofrido queimaduras muito graves aos seis meses de idade, e a quem se preparavam para remover os olhos, pois a sua preservação era demasiado cara e todos acreditavam que morreria em breve. Num país com quilómetros quadrados de barracas iluminadas por candeeiros a petróleo e aquecidas por fogo, que dão origem a mais cinquenta mil incêndios por ano, as vítimas infantis nunca pararam de chegar. Enquanto conversamos, Dorah está por perto. Tem dezassete anos, a boca foi reconstruída com pele recolhida das costas, tem um nariz de borracha, consegue ver claridade e algumas cores, não tem mãos. E sobreviveu.

 

Bronwen faz um sinal e todas as crianças dirigem-se a mim com um presente. O meu aniversário é na semana seguinte e as crianças fizeram-me um cartão assinado por todos, Happy Birthday from Children of Fire. Rodeiam-me e mostram-me os desenhos que fizeram no cartão, uma página cheia de flores, estrelas e corações. Trocamos beijos, abraços, aperto mãos pequeninas, algumas com falta de dedos, outras sem qualquer dedo. As crianças cantam-me os parabéns. Tiramos uma fotografia juntos.

 

Antes de chegar, quando ainda só tinha visto as fotografias das crianças na página da associação na internet, pensava que me ia fazer impressão. Nunca tinha estado na presença de tantas pessoas queimadas. Mal atravessei o portão, percebi que não ia ser assim. Estavam todos no pátio e correram na minha direcção, queriam ver-me e queriam brincar. Para lá dos rostos desfigurados e da maior ou menor agilidade, eram crianças. Ao mesmo tempo, percebi a razão das fotografias na página da internet, do documentário e de todas as formas que a associação utiliza para mostrar os seus rostos. Aquelas crianças precisam que o mundo as veja, que o mundo saiba que existem. Mais ainda, o mundo precisa de ver aquelas crianças. É bom para as crianças saberem que o mundo as considera para lá da pele, e é bom para o mundo que seja capaz de considerar os outros para lá da pele.

 

Feleng tem dez anos e é um rapaz muito engraçado. Quando Bronwen fala de cirurgias, interrompe para descrever aos outros a neve que viu na Suíça e, depois, conta que os médicos lhe tiraram duas costelas e lhas meteram no crânio. Os outro fazem sons e gestos de incómodo e riem-se. Bronwen explica que, assim, o enxerto ósseo crescerá ao mesmo tempo que o crânio. Nunca tinha pensado nisso. Há tanto em que nunca pensei.

 

Ao passear pela escola, caminho sempre de mão dada com o pequeno Nkosi. Quando chega a hora de ir embora, ele não quer largar-me a mão. Ao despedir-me de todos, ele começa a chorar. Na rua, dou passos, afasto-me e ouço-o a chorar. Já dentro do carro, ainda o ouço a chorar. 

 

 

José Luís Peixoto, in revista Visão (Setembro, 2011)

 

 

 

Clicar para aceder ao site da ONG Children of Fire.

 


 
 

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publicado às 20:44

Entrevista en El Mundo

 

 

Articulo en ADN (via Efe)

 

(Más en breve)

 

 

LEE AQUÍ LAS PRIMERAS PÁGINAS DE LIBRO

 

 

 

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publicado às 11:49

No 10º aniversário das Quintas de Leitura (Teatro do Campo Alegre, Porto), José Luís Peixoto apresentará "Abraço", um livro que apresenta uma selecção de textos escritos nos últimos 10 anos.

 

Como é hábito, esse espectáculo contará com a abordagem de múltiplas artes e artistas à obra proposta. Pela primeira vez, acontecerá em duas noites (27 e 28 de Outubro). Neste momento, todos os participantes estão escolhidos, menos um.

 

Para fazeres parte do grupo de actores que, em conjunto com o autor, irá ler excertos do livro "Abraço" nesse espectáculo, coloca online no youtube um vídeo, onde estejas a ler um excerto de qualquer texto da autoria de José Luís Peixoto e envia até 23 de Setembro um email para abracodeleitura@gmail.com onde conste o link desse vídeo e o teu contacto.

 

Garantiremos a tua deslocação de qualquer ponto do país até ao Porto e estadia. Receberás também um cheque-livro das lojas Bertrand no valor de 100 euros.

 

 



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publicado às 18:31

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publicado às 18:30

 

En la librería Tipos Infames.



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publicado às 22:56

A segunda edição de "Gaveta de Papéis" chega às livrarias a 19 de Setembro de 2011. Esta edição da Quetzal sucede àquela que foi feita em 2008, após a atribuição do Prémio de Poesia Daniel Faria a este livro.

Os outros livros de poesia de José Luís Peixoto ("A Criança em Ruínas" e "A Casa, a Escuridão") serão reeditados muito em breve.

 




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publicado às 15:39

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