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4 de Maio - Apresentação de "A Mãe que chovia" em escolas (a confirmar escolas e horários)

5 de Maio - 19h - Conversa pública com Manuel da Costa Pinto e Carlos de Brito Mello no Unibes Cultural (entrada livre)

6 de Maio - Encontro com livreiros

6 de Maio - 19h30 - Conversa pública do leitores no SESC Consolação (entrada livre)

 

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Edição brasileira: Companhia das Letrinhas 

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publicado às 11:50

José Luís Peixoto é autor dos textos e narrador do documentário "Portuguese from Soho". 

O documentário terá a sua estreia no MOMA, Museum of Modern Art, em Nova Iorque, no dia 16 de Abril. 

No dia 15, às 18h30, no Sport Club Português, em Newark, José Luís Peixoto apresentará Em Teu Ventre.

No dia 20, o autor falará com os alunos da East Side High School (Newark), às 10h, e com os alunos da Science Park High School (Newark), às 12h.

 

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publicado às 07:53

O novo livro de José Luís Peixoto para os mais jovens chama-se: "Todos os escritores do mundo têm a cabeça cheia de piolhos". 

 

Chegará às livrarias portuguesas em Maio de 2016. 

 

Sinopse da editora:

Que comichão permanente é esta na cabeça de todos os escritores do mundo? Nenhum champô anti-piolhos consegue acalmá-la. Esse mal generalizado faz notícia nas primeiras páginas dos jornais e intriga os leitores deste e de todos os livros que existem.

José Luís Peixoto regressa à literatura para os mais jovens com uma obra de divertido surrealismo, uma parábola moderna sobre o texto, a leitura, os livros – e aqueles que os escrevem.

 

Capa:

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Disponível para venda AQUI e AQUI.

 

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publicado às 15:38

Entre as letras, as vogais são como o vento. Havendo fôlego, um a pode continuar para sempre, pode nunca terminar. Um e distorcido pela lonjura, repetido pelo eco, pode afastar-se e aproximar-se, pode ondular, dar voltas no ouvido, bumerangue ou avião de papel. Há uma forma de liberdade que só existe nas vogais.

 

Poesia é uma palavra que tem quatro vogais.

 

Como o mundo inteiro, como todos os momentos, como a própria vida, poesia é ordem e loucura. É ordem quando aquilo que nos faz mais falta é disciplina rigorosa, vírgulas que não poderiam pertencer a nenhum outro espaço, quebras de verso que deixam as batidas do coração na expectativa de um segundo, e é loucura quando esquecemos o essencial, quando precisamos de ser lembrados.

 

No entanto, como todos os termos, a palavra loucura é um paradoxo. Podemos acordar verdes, podemos falar com o silêncio, podemos agitar o céu, nada disso é loucura, estes são exemplos de realidade nítida. A maior loucura é acreditar que os dias existem no calendário, que 1+1 é sempre 2, que não vale a pena. Tudo vale a pena. Poesia é loucura contra a loucura. Como todos os termos, a palavra poesia é um paradoxo.

 

Poesia é uma palavra feita palavras e, como tal, é um paradoxo feito de paradoxos. No poema, como numa torre, todas as palavras são paradoxos em conflito consigo próprios e uns com os outros. Se tirarmos um tijolo, toda torre perderá força e, tarde ou cedo, cairá. É a tensão que os tijolos mantém entre si que permite o equilíbrio da torre. A poesia é uma torre sobre a vida e sobre a morte.

 

As estações e a intempérie castigam os tijolos, desgastam-nos. Ainda assim, há torres que duram séculos, esquecemos aqueles que as construíram. Também as palavras, apesar da erosão que as atinge, podem durar séculos. Temos a obrigação de acreditar que são eternas. Tudo o que está vivo tem a oportunidade de ser imortal.

 

No entanto, um monte de tijolos não é uma torre, um monte de palavras não é um poema. Chamem-se os engenheiros civis, por favor. Chegou o momento de considerar a ordem.

 

Nomear é uma forma sofisticada de organização. Quando os nomes assentam sobre algo, visível ou invisível, são como uma nova camada de realidade. Aquilo que é nomeado torna-se concreto como uma pedra na palma da mão, como uma pena entre o indicador e o polegar. Então, podemos encontrar o lugar certo para esses objetos. Não faltam maneiras de arquivá-los: peso, tamanho, sabor.

 

Se essa ordem fizer sentido transportará verdade.

 

A verdade é um espelho.

 

De certo modo, um poeta é um engenheiro civil que constrói espelhos. De certo modo, o poema é um espelho. Mas, de certo modo, o poema é qualquer coisa.

 

O poema é respirar, cada vez que inspiramos e expiramos, ar limpo a limpar-nos o sangue. O poema é fechar os olhos, existir num lugar sem luz e sem corpo. O poema é sorrir, reflexo que não decidimos e que chega aos outros, entre nós e os outros, milagre.

 

Precisamos muito de poesia. A nossa grande sorte é que a poesia está em todos os lugares onde estamos, como uma sombra do que vemos, pensamos, dizemos, somos. A poesia está no que fazemos bem e no que fazemos mal. O desafio é procurá-la, aceitá-la, aprender a sentir-lhe o gosto. Dessa maneira, a vida ganha um brilho que, afinal, sempre esteve lá.

 

Repito: quando os nomes assentam sobre algo, visível ou invisível, são como uma nova camada de realidade.

 

As palavras sabem tudo.

 

Dentro das palavras, as vogais são como o sopro de uma flauta, música humana. As consoantes também são necessárias, há uso para todas as matérias, mas é preciso ter muito cuidado com as suas arestas. Podem cortar: p! Ou, quando permitem a repetição, rrrr ou vvvv, as consoantes são máquinas, são motores. As vogais chegam em paz, diluem-se na cor, preenchem o ar. Como se não sentissem o peso, as vogais transportam a vida das palavras.

 

Poesia é uma palavra que tem quatro vogais.

 

 

José Luís Peixoto, texto lido por Rui Mendes em homenagem à poesia e a José Régio, realizada pela Fundação INATEL em Portalegre, no dia 21 de março de 2016

 

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publicado às 10:05

Desrespeito

14.03.16

 

 

Como se distinguem as pessoas que não merecem respeito? Uma resposta clara a esta questão teria muita utilidade, ajudaria a avaliar a legitimidade das faltas de respeito.

 

Nas redações da catequese e nas conversas sobre o boletim meteorológico, toda a gente merece respeito. No mundo real, não é assim. Hoje, o desenvolvimento tecnológico permite-nos novas formas de desrespeitar os outros. As formas antigas não perderam atualidade, continuam disponíveis para os nostálgicos, mas acrescentaram-se muitas outras, mais confortáveis e eficazes para quem desrespeita.

 

Ao contrário do que Salazar apreciava, "respeito" não é sinónimo de "obediência" ou "submissão". "Respeito" é sinónimo de "consideração", s. m., é aceitar que os outros, independentemente de se concordar ou não com eles, têm o direito de existir.

 

Desrespeitar é negar o direito de existir, desrespeitar é uma forma de aniquilação moral. As diferenças entre desrespeito e opinião são muito mais concretas do que as apologias do desrespeito querem fazer crer. O desrespeito começa por ser um sentimento e, só depois, se exprime em palavras ou ações. Quando não é gratuito, o desrespeito nasce de uma dor: em algum momento, o desrespeitado lembrou o desrespeitador de algo que o incomoda em relação a si próprio. Nesse caso, o desrespeito é uma resposta. No entanto, não tem a ver com a pessoa a que se dirige, com aquilo que ela é, tem a ver com a imagem construída por aquele que desrespeita, tem a ver com aquele que desrespeita.

 

Ainda assim, hoje, vende-se o desrespeito muito barato. Desrespeita-se os outros em troca de uma gargalhada murcha, de um semi-sorriso, da convicção vaga de que esse desrespeito será identificado como inteligência e perspicácia. Independentemente da gratificação em causa, o desrespeito é sempre egoísta, é sempre um sinal de narcisismo e de vaidade.

 

Neste tempo, o desrespeito é também um sinal da crise. Há quem desrespeite como modo precário de vida. O mesmo desespero que leva jovens licenciados a estágios não remunerados e a call centers, leva muita gente ao desrespeito. Uns e outros acreditam que, aí, conseguirão encontrar alguma coisa que os salve do nada que vislumbram à sua volta.

 

Em qualquer dos casos, o desrespeito é uma agressão. O desrespeito é sempre uma agressão.

 

 

 

José Luís Peixoto, in Notícias Magazine, 13 de março de 2016

 

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publicado às 10:48

José Luís Peixoto participa no XVI Festival Internacional de Poesia de Granada, Nicarágua. 

 

Dia 17Fev.2016, 14h, Átrio da Igreja de La Merced, Leitura de poesia

Dia 18Fev.2016, 18h30, Plaza de la Independencia, Leitura de poesia

Dia 19Fev.2016, 10h30, Colegio Pierre y Marie Curie, Manágua

 

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publicado às 14:26

2 de fevereiro, 9h30, Universidade de Cabo Verde, Campus do Palmarejo

 

3 de fevereiro, 9h30, VI Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, Hotel Praia-Mar

 

4 de fevereiro, 9h30, Universidade de Cabo Verde, Campus do Palmarejo

 

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publicado às 23:56

 

 

São como barcos à deriva na noite. Existem ainda, podemos vê-los, as fotografias do seu rosto estão bem focadas mas, ao contrário de nós, deixaram de estar enredados em tudo, deixaram de preocupar-se, dispensam a oportunidade de partilhar mais links, já chega, não precisam de comentar o que toda a gente comenta, não contabilizam o número de likes.

 

Os amigos do Facebook que morreram continuam na nossa lista. Não tivemos coragem de desamigá-los, apesar de sabermos que aquele perfil já não lhes pertence, eles já não estão lá. Às vezes, o quadrado com o rosto deles aparece a meio de qualquer caminho prosaico: sugerido quando procuramos alguém com um nome semelhante, quando entramos no perfil de um amigo comum ou por simples capricho da máquina. Entre vídeos de dois minutos, fotografias de alguém na praia e aforismos que podem rimar ou não, esses encontros súbitos lembram-nos que a morte faz parte do mundo.

 

Às vezes, também pode acontecer que sejamos nós a dirigirmo-nos aos perfis de Facebook dos nossos amigos mortos, sabemos onde encontrá-los. Lá, espera-nos um longo instante, tempo estagnado. O post mais recente que publicaram fala de um tema que o Facebook ultrapassou há muito. Existe uma grande diferença de tom entre esse post, ignorante da morte que se aproximava, e os comentários, póstumos, a lamentarem essa mesma morte. O nosso amigo nunca teve tantos likes e tantos comentários. Demasiado tarde, dirigem-se a ele, tratam-no por tu.

 

Que post escreveremos nós se soubermos que é o último?

 

Algum dia chegará essa hora. Espero que não seja novidade para ninguém, não quero ser eu a dar esta notícia aziaga. Algum dia chegará o momento em que todos estaremos mortos, até os mais inocentes, até aqueles que não merecem. Antes disso, no entanto, iremos acumular mortos entre os nossos amigos do Facebook. Se vivermos tempo suficiente, é possível que cheguemos a um momento em que, no Facebook, teremos mais amigos mortos do que vivos. Depois, entraremos também nessa multidão de mortos, perfis baldios, roupas fora de moda nas fotografias. Nesse dia, se olharmos para este instante preciso, acredito que vamos achar que passou pouco tempo entre aqui e lá, entre este e esse momento.

 

 

José Luís Peixoto, in Notícias Magazine, 17 de janeiro de 2016

 

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publicado às 09:42

Algumas leituras de Em Teu Ventre:

 

http://amulherqueamalivros.blogs.sapo.pt/em-teu-ventre-jose-luis-peixoto-230772

http://marcadordelivros.blogspot.de/2016/01/em-teu-ventre-jose-luis-peixoto-opiniao.html

http://planetamarcia.blogs.sapo.pt/em-teu-ventre-jose-luis-peixoto-703878

http://www.ruadebaixo.com/em-teu-ventre-jose-luis-peixoto-17-11-2015.html

http://happy-stiletto.blogs.sapo.pt/em-teu-ventre-de-jose-luis-peixoto-19832

http://www.segredodoslivros.com/sugestoes-de-leitura/em-teu-ventre.html

 

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publicado às 10:29

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 Leitura do poema na Universidade de Deli, Índia:

 

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publicado às 13:10



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