Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 

 

Enquanto estamos aqui, eles estão lá. Reconhecer a existência dos outros é o passo mais essencial para respeitá-los.

 

Afirmar o interior do país e o meio rural como uma realidade folclórica, exótica, ligada exclusivamente ao passado, é um insulto. Se existe agora, neste momento, então é presente. Se há quem ande de carroça hoje, então hoje também se anda de carroça. Não é possível levar uma vida no passado, acorda-se sempre no dia em que se está. Defender que a realidade do interior não é contemporânea transporta a visão tendenciosa e preconceituosa de que o nosso tempo é intrinsecamente urbano.

 

Também há quem argumente que o interior já não é rural, que a sua cultura hoje é tão urbana quanto a de qualquer cidade. Há duas possibilidades que contribuem para essa ideia: ignorância ou cegueira. Ou não sabem o que estão a dizer, ouviram daqui e dali e juntaram essas peças segundo o modo como gostam de imaginar o mundo; ou estiveram lá, mas não foram capazes de ver, mediram os outros pelos seus próprios critérios, baralharam as proporções, tomaram alguma coisa por outra coisa qualquer. Acharam talvez que, por haver televisão e Internet, não existia uma forma própria de entender o mundo e a vida.

 

As certezas absolutas que tínhamos acerca da modernidade e do desenvolvimento trouxeram-nos aqui. Foram elas que despovoaram o interior e transformaram aqueles que lá continuam numa minoria. A discrepância é enorme: uma aldeia assinalada no mapa tem menos gente do que o prédio mediano de uma qualquer avenida. Por isso, como sempre acontece com as minorias desfavorecidas (principalmente quando nem sequer são reconhecidas como tal), os seus direitos não são defendidos, a sua cultura é posta em causa.

 

A ruralidade não é o estereótipo da ruralidade. As piadas com personagens do meio rural têm a mesma raiz que as piadas sobre negros, homossexuais ou loiras. A discussão acerca da sua pertinência é a mesma.

 

Porque temos tantos problemas com os outros, mesmo quando estão na sua vida, apenas a lutar por sobreviver? Como nos deixámos convencer que engrandecemos se inferiorizarmos os outros?

 

Neste preciso momento, estamos a preparar o futuro. Se é verdade, apesar de não ser a única verdade, que a ruralidade mantém relações com o passado, temos todo o interesse de aproveitar essa sensibilidade, essa experiência. Não nascemos de geração espontânea. Chegamos de algum lado, que também nos constitui. A nossa história é parte de nós, mesmo que a recusemos. Desprezar a nossa história e a nossa cultura é desprezarmo-nos a nós próprios.

 

Enquanto estamos aqui, eles estão lá. A nossa realidade partilha este tempo com a realidade deles. Este tempo não pertence mais a uns do que outros.

 

Parece-me pertinente considerar a hipótese de que o futuro desejável possa conter um pouco desse mundo. E se o interior do país e a ruralidade contiverem não apenas passado, mas também futuro?

 

Em todos os instantes construímos o que virá. Estamos aqui, existimos, ainda estamos a tempo.

 

José Luís Peixoto, in revista UP, fevereiro de 2017

 

Screen Shot 2017-01-19 at 09.28.27.png

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:01

O livro "A Viagem do Salmão", de Henrique Sá Pessoa e José Luís Peixoto, com fotografias de Nicolas Lemmonier, está na lista de finalistas dos Gourmand Awards 2017, os prémios mundiais atribuídos anualmente a livros de cozinha. Os outros finalistas são dos seguintes países: Dinamarca, Austrália, Estados Unidos, Bahamas, Irlanda e Lituânia. O anúncio dos vencedores será feito a 27 de maio, na cidade de Yantai, na China. 

 

 

 

_A_viagem_do_salmao capa.jpg

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:32

José Luís Peixoto escreveu a introdução à edição espanhola de O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós, na coleção de Clássicos da Penguin. 

 

IMG_2760.JPG

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:52

No âmbito da apresentação de Estrangeiras em Cabo Verde, José Luís Peixoto participará nas seguintes actividades:

 

Mindelo

22 de Janeiro, 20h00 e 22h00, encenação pelo Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo, espaço Alaim - Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo

 

23 de Janeiro, 18h30, Biblioteca do Centro Cultural Português, Mindelo

 

Praia

24 Janeiro, 18h30, Auditório do Centro Cultural Português, Praia 

Estrangeiras.jpeg

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:19

Toda a Vida

19.01.17

Começamos pela infância e, por isso, ficamos com o resto da vida para recordá-la. Dispomos de muito mais tempo para essa evocação do que tivemos para realmente vivê-la.

 

Com os anos, as lembranças podem estender-se, os seus contornos explodem devagar, ou podem encolher, ficam lá longe, no fim do túnel. Em qualquer dos casos, os anos distorcem as lembranças e, agora, custa a aceitar que esses dias duraram o mesmo do que estes. Às vezes, parece que foram muito maiores, cada instante parado, como uma fotografia que podemos analisar durante horas; outras vezes, parece que foram muito mais curtos, tardes a escorrerem como areia entre os dedos de uma mão aberta.

 

Em grande medida, a relação com a infância é a relação com a memória. Há tudo o que esquecemos, como seria útil se ainda tivéssemos essa lucidez, e há tudo o que queremos acreditar à força, bom e mau.  Aos poucos, a infância transforma-se num enigma: para podermos considerá-la, temos de decifrá-la e, no entanto, éramos nós que estávamos lá.

 

No outro extremo da linha, a maior parte da velhice é vivida por antecipação. Sem termos sequer a certeza de que lá chegaremos, perguntamos: como serei quando for velho?

 

A resposta varia de acordo com quem formos nesse momento. Um adolescente, por exemplo, acredita que será um velho com valores de adolescente. A ideia de quem seremos transfigura-se ao longo da vida. Quando chegar o tempo de viver a velhice, essas conjeturas valerão de muito pouco. Então, havemos de pensar e decidir de acordo com a perspectiva e os critérios que tivermos nessa altura.

 

Até atingirmos essa idade, a relação com a velhice é a avaliação que fazemos do futuro. Essa conta será feita de acordo com o que sabemos, com o que não tivermos esquecido.

 

E , ainda assim, todos nos cruzamos nas ruas e nas praças: os filhos dos outros, demasiado barulhentos e levemente irritantes, os velhos que achamos que nunca seremos, os adolescentes isentos de dúvidas e nós, que já não somos crianças ou adolescentes e que, independentemente da idade, nunca seremos mesmo velhos.

 

O país de cada um deles cruza-se com o país dos outros, mesmo quando são antagónicos. Agora, esforçamo-nos por recordar como éramos em crianças e, ao mesmo tempo, há crianças a assistirem a este momento com os olhos semelhantes àqueles com que assistíamos então. Agora, há velhos que tentam lembrar como foi ter a nossa idade e que, talvez, sejam muito parecidos com a pessoas que, estamos convencidos, seremos quando tivermos a idade deles.

 

Quem tem razão? Qual é o país mais certo? As crianças têm a sabedoria da sua inocência, o livre descontrolo dos sonhos. Os velhos têm a memória distorcida do que experimentaram, têm tudo o que conseguiram não esquecer. Os outros, entre crianças e velhos, têm as suas lutas e ilusões.

 

Contemporâneos, simultâneos, somos uma multidão de indivíduos. O país não é apenas o que achamos dele, não temos uma sensibilidade tão apurada. O país somos nós, todos e cada um: tanto é aquele que nasceu ontem e que se impressiona com os detalhes mais naturais, a luz, as cores; como é aquele que tem memórias que mais ninguém tem e que morrerá amanhã, apesar de ainda não o saber.

 

José Luís Peixoto, in UP, Janeiro de 2017.

 

Screen Shot 2017-01-19 at 09.28.27.png

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:19

No âmbito da apresentação de Galveias na Geórgia (publicado por Sulakauri), José Luís Peixoto participará nas seguintes actividades literárias em Tbilisi:

 

16/12

19h00, TSU - Universidade Estatal de Tbilisi: Edifício II, Sala 203, 1 Chavchavadze Avenue, Tbilisi 0179

 

21h00, A poesia de José Luís Peixoto será apresentada no âmbito do projeto Recitative in the City no Movement Theatre: Aghmashenebeli ave 182, Mushtaidi Garden)

 

18/12

15h00, Apresentação da tradução georgiana do romance Galveias na Biblioteca Nacional da Geórgia: Gudiashvili 7

 

18/12

19h00, Leitura de Galveias no Zoestan: 5 Vakhtang Beridze str.

 

Edição georgiana de Galveias:

Galveias Geórgia.png

tsu-logo.png

 

Biblioteca Nacional da Geórgia:

Georgia National Library.jpg

 

 Recitative in the City:

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:47

(Romance "Livro", de José Luís Peixoto, chegou às livrarias da Croácia.)

 

“Knjiga” je zapravo saga o portugalskoj emigraciji u Francuskoj, ispričana iz perspektive niza nezaboravnih likova, uz jasan stilski potpis autora. Između zaseoka u kontinentalnom zaleđu Portugala i Pariza te između seoskih zabava uz radio i referenci na visoku kulturu, otkrivaju se znakovi prošlosti koja je povela tisuće i tisuće Portugalaca u potragu za boljim životom u stranoj zemlji. Kroz osobnu, gotovo klasičnu ljubavnu priču, autor je uspio prikazati niz osebujnih, gotovo grotesknih likova i niz nezaboravnih situacija, pritom tjerajući čitatelja da se u potpunosti uživi u ovaj stilski odlično izveden roman, u kojemu će podjednako uživati oni koji vole dobru ljubavnu priču, a i oni koji preferiraju mogućnost raznovrsnih interpretacija djela kroz iščitavanje referenci kako na popularnu kulturu, tako i na niz modernističkih i postmodernističkih književnih remek-djela.

 

livro_web.jpg

 

“Peixotov spisateljski talent i ljepota ritma njegove proze prava su
rijetkost.”
The Guardian

“Jedan od onih pisaca koji vrlo visoko uzdižu književnost vlastite zemlje.”
Le Figaro

“Peixoto iznenađuje stilističkim umijećem, kojim kao da slijedi primjer
velikoga Joséa Saramaga, ali i hrabrošću kojom stvara, u današnje vrijeme,
pripovjedne strukture dostojne Faulknera, Rulfa i Donosa.”
L’Unità

“Hrabra i očaravajuća Peixotova proza iznimno je lijepa, nevjerojatno
bogata i dojmljiva.”
The Independent

 

José Luís Peixoto (1974., Galveias, Portugal) jedan je od najcjenjenijih portugalskih pisaca mlađe generacije. Nakon što je 2001. dobio Nagradu José Saramago za roman “Nijedan pogled” (VBZ, 2004.), osnovana je nagrada za mlade autore koja nosi njegovo ime. Za roman “Cemitério de Pianos” dobiva Nagradu Cálamo Otra Mirada, za najbolju stranu knjigu objavljenu u Španjolskoj. Preveden je na više od dvadeset jezika, a “Knjiga” je doživjela 9 izdanja u Portugalu od objavljivanja 2010. godine, te stekla autoru glas jednoga od najzanimljivijih i najčitanijih suvremenih portugalskih, a i svjetskih autora. 

 

Izdavač: Edicije Božičević
Godina izdanja: 2016.
Autor: José Luís Peixoto
Prevoditelj: Tatjana Tarbuk
Urednik: Josip Ivanović
Lektura i korektura: Jadranka Varošanec
Dizajn naslovnice: Iva Mandić
Cijena: 149,00 kn
Broj stranica: 256
Format: 13 x 20 cm
ISBN: 978-953-7953-57-7 meki uvez

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:33

"É incrível estar numa cidade como São Paulo, que tem 16 milhões de pessoas, a falar de um lugar que tem mil pessoas. Acho importante que nossos países se conheçam por inteiro. Não posso deixar de dedicar esse prêmio a essas mil pessoas que estão em Galveias e existem, com sua dose de resistência, às dificuldades do interior de Portugal."

José Luís Peixoto, in Folha de São Paulo

 

O romance "Galveias", de José Luís Peixoto, foi o vencedor da edição de 2016 do Oceanos - Prémio de Literatura em Língua Portuguesa. 

 

Segundo comunicado do Prémio Oceanos: "Galveias, cujo título é extraído do nome da aldeia natal de Peixoto, na região do Alentejo, é um mergulho no “Portugal profundo” e rural, cuja narrativa alinha personagens emblemáticos desse universo arcaico a partir de um evento (a queda de um meteorito em Galveias), o qual, simbolicamente, confere um sentido cósmico a essa comunidade que se extingue entre rústica violência, desolação, melancolia e choque com a modernidade."

 

Parte da agenda literária e editorial da língua portuguesa desde 2002, o Prémio Oceanos veio substituir o Prémio Portugal Telecom. 

 

Os 10 finalistas foram escolhidos por um júri, a partir de uma lista de 50 obras semifinalistas, provenientes de um grupo de 740 títulos concorrentes, dos diferentes géneros – poesia, romance, conto, crónica e dramaturgia.

 

IMG_1214.JPG

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:43

Com tradução de Guranda Pachulia, publicado pela editora Sulakauri, o romance "Galveias" chegou às livrarias da Geórgia. Este é o primeiro livro de sempre a ser traduzido diretamente da língua portuguesa para o idioma georgiano. 

 

georgia.png

 O romance está publicado na coleção "Odisseia Literária", onde figuram autores como: J.M. Coetzee, Arundhati Roy, Arturo Perez-Reverte, Etgar Keret, Herman Hesse, Chuck Palahniuk, Michel Houellebecq,  Johan Borgen, Joseph Kessel, Vladimir Nabokov, Erlend Loe, Knut Hamsun, Paul Auster, William Golding, entre outros.

 

Primeiras linhas do romance "Galveias" em georgiano:

início.png

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:21

(A edição grega do romance "Galveias", de José Luís Peixoto, chegou esta semana às livrarias gregas.

A tradução é de Athena Psillia. Foi publicado pela editora Kedros.)

 

aaa111.jpg


ΓΚΑΛΒΕΪΑΣ

 


Read 1st chapter here

 

Όπως κάθε χωριό, έτσι και το φιλήσυχο Γκαλβέιας κρύβει τις βεντέτες και τις αντιζηλίες του, τα μικρά και τα μεγάλα πάθη του. Κάθε οικογένεια έχει και μια ιστορία. Στην περίπτωση των Ζοζέ και Ζουστίνο, η διαμάχη για μια κληρονομιά οδήγησε τα δυο αδέρφια να κόψουν κάθε επαφή μεταξύ τους για περισσότερο από μισό αιώνα. Άλλοι, πάλι, κάτοικοι διατηρούν μεγάλα μυστικά, όπως η Ιζαμπέλα, η όμορφη Βραζιλιάνα, ιδιοκτήτρια του φούρνου που τα βράδια μετατρέπεται σε πορνείο. Οι ισορροπίες ανάμεσα στους κατοίκους είναι εύθραυστες και η συμβίωση είναι δύσκολη για όλους. Ωστόσο, κανείς δεν είναι προετοιμασμένος για όσα θα συμβούν μετά την πτώση ενός μετεωρίτη και την επίδραση που θα έχει το απρόσμενο φαινόμενο στη ζωή της Ιζαμπέλα, του Ζοζέ και του Ζουστίνο, αλλά και των υπόλοιπων κατοίκων του μυστηριώδους Γκαλβέιας.
Ο πλούτος της γραφής, η αρτιότητα της φόρμας, η ευαίσθητη αλλά και σκληρή ανθρωπιά των πρωταγωνιστών του βιβλίου χαρακτηρίζουν ένα από τα καλύτερα έργα του διακεκριμένου Πορτογάλου συγγραφέα που γεννήθηκε στο Γκαλβέιας και συγκαταλέγεται στους πιο σημαντικούς Ευρωπαίους λογοτέχνες της νεότερης γενιάς.

 

«Ένας από τους πιο χαρισματικούς Πορτογάλους συγγραφείς.»
Le Monde

 

«Ο Πεϊσότο διαθέτει μια εντυπωσιακή ικανότητα αντίληψης των πραγμάτων, όπως αυτή αποκαλύπτεται μέσα από τις πρωτότυπες επιλογές λέξεων και εικόνων.»
The Times Literary Supplement

 

Συγγραφέας: ΠΕΪΣΟΤΟ, ΖΟΖΕ ΛΟΥΙΣ
Έτος έκδοσης: 2016
ISBN: 978-960-04-4737-8
ΣΕΛ.: 304
Σχήμα: 14 Χ 20,6
Τίτλος πρωτοτύπου: Galveias
Γλώσσα πρωτοτύπου: Πορτογαλικά
Μετάφραση: Ψυλλιά, Αθηνά
Βάρος: 328.00 γραμ.
Μαλακό εξώφυλλο

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:48



Instagram


papéis jlp
Arquivo de recortes sobre José Luís Peixoto e a sua obra.

projecto moldura


youtube jlp

galveias no mundo






install tracking codes
Visitors since may 2015

Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.